Planalto: o destaque da Zona Oeste

Publicação: 03 de Setembro de 2011 às 00:00 | Comentários: 1
A+ A-
Morar na Zona Oeste de Natal, considerada por muitos como a região mais pobre e sem infraestrutura da capital do Estado, não é algo que cause interesse de muitos que procuram habitação. Um bairro, porém, tem ajudado a mudar essa visão: o Planalto. Ele é considerado, simplesmente, o bairro que mais cresceu em números de domicílios nos últimos anos - 213% - e se confirma como um novo ponto de captação de investimentos imobiliários, sobretudo, para a construção de moradias para as classes C e D - que são as que concentram o maior deficit habitacional.

ana silvaMoradores cobram melhoria na infraestrutura do Planalto, bairro atualmente com 31.206 habitantes, que recebeu altos investimentos privados nos últimos anos e continua em processo de expansãoMoradores cobram melhoria na infraestrutura do Planalto, bairro atualmente com 31.206 habitantes, que recebeu altos investimentos privados nos últimos anos e continua em processo de expansão
O alto número de investimentos privados, porém, se confronta com a ausência de recursos públicos aplicados no bairro. Quem mora no Planalto, apesar de gostar do bairro, aponta isso como maior obstáculo para o crescimento e valorização da região. “Há cerca de cinco anos estamos vendo um crescimento enorme. Aumentou o comércio, o número de moradias e, principalmente, os condomínios. Muitos dos terrenos disponíveis já estão sendo negociados para a construção civil. Contudo, não é suficiente. Precisamos de mais ruas calçadas, mais linhas de transporte público. Nos sentimos abandonados pelo poder público”, afirma o comerciante Francisco das Chagas, que mora no bairro há aproximadamente quatro anos.

Segundo ele, do que cresceu no bairro, o que mais se destacou foi mesmo o comércio. “Agora, se vê de tudo no Planalto: açougues, mercadinhos, supermercados, lojas de roupas, óticas, farmácias, tudo. Ainda temos escolas de qualidade, escritórios com ótimos profissionais”, garante Chagas. Já para outro morador, Faustino de Souza, o que mais aumentou nos últimos anos foi mesmo o número de canteiros de obras e condomínios, visto que, segundo ele, não há ponto do Planalto onde não seja possível ver um novo empreendimento em construção.

“Aqui é construção em todos os lados que se olhe. Esta área está muito valorizada devido a quantidade de terrenos disponíveis e a proximidade do centro de Natal. Para sair do Planalto e chegar a outras regiões, quase não se pega trânsito, nem engarrafamentos”, garante Souza. Ele afirma também que, em comparação a outros, a criminalidade é bem pequena e está restrita aos limites do bairro. “Há casos de assaltos como há em qualquer outro bairro, então, não podemos dizer que a insegurança é algo que nos assusta”, afirma ele, que é policial militar e reside há três anos em um dos novos condomínios do Planalto.

Além das construtoras, que erguem condomínios, o Planalto também foi escolhido pela Prefeitura do Natal para receber o primeiro projeto do Minha Casa Minha Vida 2. Segundo a Caixa Econômica Federal do RN, já foi acertada a construção de mais de 900 moradias populares na região, graças ao aumento do preço que pode ser investido na construção de cada uma nova habitação. “Com esse crescimento, o valor do terreno também aumentou. Se antes custava R$ 5 mil um terreno no bairro, agora não se compra um pequeno por menos de R$ 20 mil, os preços aumentaram muito”, afirma Francisco das Chagas.

Histórico

Se quanto mais novo, mais rápido é o crescimento, conforme aponta o ditado popular, com o Planalto a situação não é diferente. Fundado oficialmente em 1998, com a Lei nº 151, o bairro é um dos mais novos da capital do Estado e foi o que mais cresceu em número de domicílios nos últimos 10 anos.

Inicialmente, a região era constituída por pequenas granjas, onde se praticava atividades agropecuárias, fornecendo produtos para feiras e mercados de Natal.

Amélia Duarte Machado, a viúva Machado, como era conhecida, herdou do marido português boa parte das terras hoje pertencentes ao bairro. O então latifúndio foi sendo desmembrado e as terras negociadas com pessoas de baixa renda, ainda na década de 1960.

Os loteamentos foram surgindo e a população crescendo. O bairro, porém, ainda não havia nascido e era caracterizado, apenas, como uma região “pobre” do Guarapes, também na Zona Oeste. Na década de 2000, a situação mudou consideravelmente. Já com o “status” de bairro, o Planalto cresceu ainda mais e foi subdividido em cinco (Planalto 1, 2, 3, 4 e 5). Agora, é considerado uma das regiões mais promissoras para o mercado imobiliário.



Deixe seu comentário!

Comentários

  • rodrigoeleuterio2010

    é verdade, o planalto cresce assustadoramente, investimento privado existe, só falta o investimento público, esse é o principal problema, no planalto tem tudo o que quiser roupa, lanchonete, supermercado, celular, enfim, mas quando procura escola publica, ônibus, as ruas com calçamento, as principais com asfaltamento, ai não encontra. O planalto só precisa do mínimo, mas nem isso o poder publico oferece!