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Política

Natal, 24 de Maio de 2012 | Atualizado às 00:39

PMDB quer cinco ministérios

Publicação: 02 de Dezembro de 2010 às 00:00
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Brasília (AE) - Mais no papel de porta-voz do PMDB do que de futuro parceiro da presidente eleita Dilma Rousseff no Planalto, o deputado Michel Temer (PMDB-SP) aumentou a tensão na base aliada ao dizer que os peemedebistas pinçados ou cogitados para ocupar uma vaga na Esplanada são da "cota pessoal" de Dilma e não representam o partido. Dilma manterá Nelson Jobim na Defesa e teria cogitado a escolha do secretário de Saúde do Rio, Sergio Côrtes, para a Pasta da Saúde.

celso júnior/aeMichel Temer reúne a bancada, que nomeia Henrique Eduardo Alves como interlocutorMichel Temer reúne a bancada, que nomeia Henrique Eduardo Alves como interlocutor
"Não é que nós não consideremos a cota pessoal, mas não considero essa cota pessoal como sendo do PMDB", afirmou Temer, futuro vice-presidente, ontem após uma conversa de cerca de uma hora com o presidente do Senado, José Sarney, e com o líder do PMDB na Casa, senador Renan Calheiros (AL).

Temer foi enfático ao defender o controle de cinco ministério para o PMDB, além da compensação pela perda do Ministério das Comunicações, que será comandado pelo petista Paulo Bernardo. "Não digo se abrimos ou não abrimos (mão do Ministério das Comunicações)", afirmou. "Estamos conversando sobre essa composição. Tudo isso depende de como estará essa substituição das Comunicações por outro ministério".

Em sintonia com Temer, a bancada do PMDB na Câmara decidiu ontem nomear formalmente o líder do partido, Henrique Eduardo Alves (RN), como o único interlocutor junto ao vice-presidente eleito para negociar cargos. A deliberação do partido foi uma resposta ao governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que à revelia do PMDB tentou emplacar a nomeação de Côrtes.

"Os espaços do PMDB serão determinados pela presidente Dilma", resumiu Henrique Alves, ao fim da reunião da bancada da Câmara. Ao fortalecer o papel de Temer nas negociações, a bancada desautorizou Cabral. Os peemedebistas ficaram insatisfeitos com o anúncio do secretário de Cabral para a pasta da Saúde, sem o aval do partido. "Há uma manifestação da bancada quanto à forma de indicação e não propriamente quanto ao nome do indicado", observou o deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS).

A reunião da bancada contou com a presença do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Ele prometeu liberação de verbas de emendas apresentadas pelos parlamentares ao Orçamento da União. "Façam o levantamento individual para a gente resolver pessoalmente cada uma dessas questões", disse Padilha. Na reunião, ele alertou que os ministros indicados para o governo de Dilma terão de retribuir em votos no Congresso. "Que os ministros que assumirem que sejam não só da área, mas também que sejam ministros que nos ajudem no esforço político de construir a governabilidade, de garantir a expressão de votos na câmara e no Senado", afirmou o ministro.

A bancada apresentou formalmente uma moção delegando a Henrique Alves a interlocução nas negociações ministeriais. O documento foi assinado por 54 deputados eleitos e reeleitos. A moção deixa um recado claro: "Tendo sido parceiro da presidente eleita e pelo seu tamanho e importância nessa casa, nós devemos ser previamente consultados sobre qualquer representação tomada em nosso nome", diz a moção.

O deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG) afirmou que a bancada dará total apoio às negociações conduzidas por Henrique Alves e ressaltou a necessidade de a bancada participar da indicação dos ministros. "As duas vagas da Câmara têm de indicadas pelos parlamentares. Esse é um requisito fundamental", disse Quintão. Eles defendem que uma das vagas seja preenchida por um deputado eleito. "Não vamos aceitar que nos empurrem nomes."

Os peemedebistas afirmaram que, até agora, Dilma Rousseff definiu dois ministérios que vão para o partido: Agricultura e Minas e Energia. Para o Ministério da Agricultura, o PMDB pretende manter Wagner Rossi no cargo. Rossi não tem mandato. O senador Edison Lobão ficará com as Minas e Energia.

Presidenta eleita nega escolha de ministro da Saúde

Brasília (AE) - Menos de 24 horas depois de ter sido indicado e anunciado como o escolhido para o Ministério da Saúde da presidenta eleita, Dilma Rousseff, o médico ortopedista Sérgio Côrtes viu seu nome revogado do cargo em meio a uma crise política envolvendo o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e a bancada peemedebista na Câmara. Cabral era o padrinho da indicação, que não foi acatada nem pelo vice de Dilma, o deputado Michel Temer (PMDB-SP), nem pela bancada.

Dilma ficou irritada com que chamou de "precipitação" no anúncio de nomes do ministério. Em reunião realizada hoje com médicos, no Centro Cultural Banco do Brasil - sede da equipe de transição -, Dilma afirmou que os nomes para essa área ainda não foram definidos. "Eu queria deixar claro para vocês que ainda não escolhi o meu ministro da Saúde", disse ela, diante de uma plateia formada por nomes de peso, como o cardiologista Adib Jatene. "Ainda não escolhi meu ministro. Mas ele honrará a tradição de Temporão e Adib Jatene", acrescentou Dilma.

"O anúncio precipitado do nome de Côrtes fez com que ele provavelmente tenha dormido ministro e acordado sem a pasta", resumiu o deputado Rocha Loures (PR). Em reunião da bancada do PMDB, as lideranças do partido na Câmara bateram o martelo e rejeitaram apoiar o nome de Côrtes, atual secretário de Saúde do Rio de Janeiro, para o ministério de Dilma. Se a presidenta quiser ficar com Côrtes, terá de contabilizá-lo no ministério como nome da "cota pessoal".

Foi o próprio Cabral quem, no Rio, anunciou formalmente a suposta escolha de Sérgio Côrtes para a cadeira hoje ocupada por José Gomes Temporão na Saúde. "Foi feito o convite por mim, em nome da presidenta, e ele aceitou", disse o governador na tarde de terça-feira, no Rio. O governador se reuniu com Dilma na segunda-feira à noite, na Granja do Torto. Na ocasião, ela disse a Cabral que a indicação de Côrtes precisaria passar pelo crivo do PMDB na Câmara e no Senado.

Em conversas reservadas, integrantes da equipe de transição disseram que Cabral quis "criar um fato consumado" e acabou causando desconforto político na aliança governista. Temer também não escondeu a contrariedade com o anúncio de Côrtes porque sequer participou da reunião entre Dilma e Cabral. Além disso, a cúpula do PT descobriu que há uma penca de denúncias contra o secretário de Saúde fluminense.

Na Assembleia Legislativa do Rio, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) pediu a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar suspeita de corrupção na Saúde, como superfaturamento na compra de equipamentos e em contratos de manutenção de serviços terceirizados. Na justificativa para o pedido de CPI, Freixo disse que há "indícios graves de irregularidades no processo de licitação".

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