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Natal, 11 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 16:31

Polêmica: fim da gestão democrática

Publicação: 28 de Fevereiro de 2010 às 00:00
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Sara Vasconcelos - Repórter

Numa inversão de valores e de termos, a Prefeitura do Natal pôs fim a uma das maiores conquistas do sistema educacional, construído nos últimos 24 anos: a gestão democrática nas escolas. O mecanismo que regulamenta a eleição direta para diretor e vice-diretor da rede municipal de ensino, pela comunidade escolar, foi revogado com a reforma administrativa, sancionada pela prefeita Micarla de Sousa. Com isso, a renovação das  direções, a partir de julho deste ano, retomará o caráter político-eleitoreiro de indicação de nomes. A manutenção do modelo anterior é um dos pontos da pauta de reivindicação dos professores da rede municipal, em greve desde o dia 18 de fevereiro.
Alex RégisFormato proposto retira a autonomia das escolas e permite a manipulação e repressão aos professores do Rio Grande do NorteFormato proposto retira a autonomia das escolas e permite a manipulação e repressão aos professores do Rio Grande do Norte

De acordo com o artigo 10, inciso 41, da lei complementar 109, sancionada em 24 de junho de 2009, que versa sobre a função gratificada de diretor e vice-diretor, os cargos passam a ser "atribuídos, por ato do Chefe do Executivo, mediante indicação do Secretário Municipal de Educação". A mudança se contrapõe à lei de gestão democrática, número 087/2006, que regulamenta as eleições para tais funções e a criação do Conselho Escolar, cabendo ao poder executivo nomear os gestores escolhidos. O dispositivo estipula ainda remuneração para as funções, conforme o porte da escola, podendo variar de R$ 1.176,00 a R$ 700,00, para diretor; e de R$ 1.008,00 a R$ 600,00 na vice-direção.

A nova legislação, avalia a coordenadora geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado (Sinte/RN) Fátima Cardoso, é um retrocesso descomunal e inaceitável à trajetória de luta da categoria para regulamentar e assegurar o processo democrático. "A luta não será abortada agora. Entendemos que a disputa democrática é um exercício participativo de cidadania para toda comunidade, baseada na apresentação e defesa de projetos pedagógicos, por pessoas que conhecem o perfil e necessidades das instituições de ensino onde estão inseridas. E por isso tem o reconhecimento de professores, funcionários estudantes e pais de alunos com direito ao voto. Os cargos comissionados põe em risco", disse.

Desde que a lei entrou em vigor, o Sinte/RN solicita à Secretaria Municipal de Educação a criação de emenda complementar para restabelecer à SME, dentro do sistema eleitoral, a atribuição de apenas nomear, entretanto, apesar das "promessas" de que o dispositivo não será usado, não há respaldo legal. Com isto, as eleições previstas para ocorrer em julho deste ano em 74 escolas e 16 CMEIs poderão ser anuladas e os gestores substituídos por cargos políticos.

Professores lamentam retrocesso

Entre os professores, a mudança na lei é motivo de indignação. Considerado um instrumento de modificação e melhoria na gestão das instituições de ensino, devido a participação e controle social, a categoria requer a anulação da legislação vigente. "A educação retrocedeu e caiu com esta lei. O formato proposto retira a autonomia das escolas e permite a manipulação e repressão aos professores", frisou o professor Wanildo Nunes de Oliveira Júnior, 62, da Escola Iapsara Aguiar, no Panatis.

Para a professora Nailde Dantas Lima, do CMEI Maria Abigail, em Nova Natal, ao escolher o candidato se delega ao eleitores a responsabilidade de fiscalizar os recursos, projetos e problemas internos de cada escola. "O mal da indicação, do cargo comissionado é que nem sempre é uma pessoa qualificada para função. Vem de outra realidade. Isto compromete o trabalho realizado", acrescentou. A opinião é compartilhada pela  educadora infantil Juliana Saldanha que espera bom senso dos gestores. "Não se pode brincar com educação e colocar quem não é do meio para dirigir a instituição", disse.

Manobra política

O presidente da Comissão de Educação da CMN, vereador Luis Carlos, que se posicionou contra a reforma administrativa à época da votação no legislativo, em junho passado, enfatizou que a aprovação da lei que põe fim ao direito de escolha da comunidade escolar ocorreu graças a uma "manobra política" da prefeita Micarla de Sousa. Após haver o consenso de que o ponto referente ao fim do pleito da educação não seria incluído para reforma,  a lei foi votada "na base da confiança".

"Devido ao caráter de urgência após várias revisões, a prefeita numa manobra para absorver as emendas apresentadas por vereadores, incluiu este inciso, que foi votado em bloco. Havia uma definição e confiamos que, por representar um retrocesso impensável, de fato, ficaria de fora", afirmou. "Quem votou a favor, esperando as verbas, prejudicou a educação", acrescentou.

O parlamentar ressalva que, apesar de aprovado, há um entendimento junto a SME de não se valer do mecanismo. A Comissão aguarda o processo de regulamentação da lei 109, para proceder modificações.

Concurso

A diretora do Instituto de Desenvolvimento  da Educação (IDE) Claudia Santa Rosa aponta saída para garantia da gestão democrática. Contrária a retomada do antigo modelo de indicação, que  torna as direções "moedas" políticas, ela também critica os sistema de eleição direta.

"A gestão municipal das escolas passará a ser de fato válido se for instituído o sistema de concurso público para as funções, atrelado a avaliação de competência e formação continuada destes gestores, para não incorrer no risco de quebra com a mudança de governo", avalia a pedagoga.

Governadora veta eleições para 27 escolas

Dez dias após autorizar o processo das eleições e estabelecer calendário para inscrição e eleições para direção nas escolas da rede estadual de ensino que não participaram do processo em 2009, a Secretaria Estadual de Educação e Cultura (SEEC) voltou atrás e revogou a determinação. De acordo com    a portaria número 355/2010, publicada no Diário Oficial de 24 de fevereiro, o secretário em exercício Otávio Augusto de Araújo Tavares "torna sem efeito os termos da Portaria n.º 341/2010-SEEC/GS, publicada no DOE de 13/02/2010".

Apesar da assinatura na portaria, o secretário em exercício e também presidente da  comissão eleitoral permanente da SME garante que "a revogação cumpre a vontade manifestada, por telefone, pela governadora Wilma de Faria",  e que a publicação não teria saído da SME. Otávio Tavares explica que na  terça-feira (23) recebeu ligação do vice-governador Iberê de Sousa de que por orientação da governadora, seria publicado uma portaria causando sem efeito a publicada no dia 13. "O assessor do  vice-governador informou ao chefe de gabinete da secretaria que a revogação se daria porque, à época, dois dias após a morte de Rui Pereira, eu não era nomeado", disse.

A suposta autoria causou mal-estar ao secretário que  mantém o posicionamento a favor da retomada do processo eleitoral. Para esclarecer o ocorrido, Tavares irá divulgar carta aberta à sociedade, que será enviada a governadora, onde descreve todo o processo e sugere ainda a revisão da última decisão da governadora. "Ocorreu um lapso. O nome que deveria ser publicado é o de quem tem o poder de revogar. Lamento a situação. Principalmente por ver o governo que pos fim ao procedimento de indicação, ser o mesmo governo a retomá-lo. É como se rasgasse a lei que ela escreveu". As 27 escolas estão desde janeiro sendo geridas pelos antigos diretores, que após exoneração em 30 de dezembro, com o fim do segundo mandato, foram reconduzidos para "responder internamente" graças a um ato governamental publicado em 9 de fevereiro. O ato nomeia até posterior decisão da governadoria para realização de eleições, os diretores e vice-diretores destas unidades.

Com prazo  para finalizar até dezembro passado as eleições,  o processo sequer foi deflagrado devido  nestas instituições. Isto porque, aproveitando uma brecha na legislação, no prazo legal não houve inscrição de candidatos às vagas. De acordo com a lei número 290/95, em caso de vacância (quando não ocorre inscrições) cabe ao executivo indicar os gestores.

Bate-papo

Elias Nunes - Secretário

A reforma administrativa, lei 109 de 24 de junho de 2009, artigo 10, inciso 41, determina que os cargos de diretor e vice-diretor das escolas municipais passem a ser indicados pelo Executivo. A secretaria entende que a indicação política dos cargos é a melhor forma para escolha da direção?

 Não há revogação e tampouco a cassação dos direitos É preciso que fique claro que a lei complementar 109, da reforma administrativa, trata de um procedimento administrativo, a indicação do secretário para que os eleitos no processo democrático sejam nomeados pelo executivo. É uma questão meramente administrativa. O processo continua regido pelo art. 59, da lei orgânica do município de 1990, que garante o processo de eleição nas escolas. A lei complementar  não altera o que está na lei maior.

A indicação seria um retrocesso na forma de gerir as instituições?
Não há indicação, nem revogação de lei, nem retomada de modelo. Esta polêmica é questão de interpretação da lei para encher página de jornal. A lei complementar não tem poder  de invalidar a lei maior.

Então, o inciso 41, mantém as eleições diretas para a direção como vem sendo anunciado pela prefeitura?
Isso. Para mim está muito claro.

Desde a sanção pela prefeita,  os professores  a criação de emenda complementar para que caiba ao Executivo a função de nomear, como previa a lei número 087/2006. Há possibilidade ?
Não, porque a lei orgânica do município é maior.

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comentários

educadora@...28/02/2010 @ 22h43
Assinante há muitos anos da Tribuna do Norte, também não deixo de passar por esse espaço virtual. Hoje, desejo parabenizar a competência e o bom texto da repórter Sara Vasconcelos. Sou grata pela fidelidade às minhas palavras. Sim, não tem como compararmos eleições para diretores de escola com a prática ultrapassada da indicação política. Porém, não são as eleições que garantem a gestão democrática. Gestão democrática é uma decisão de Estado - política pública - e, sobretudo, uma escolha político-pedagógica da comunidade escolar, que requer competência para ser implementada. Implica em alterar a forma das pessoas se relacionarem, decidirem, executarem um plano pedagógico compartilhado. Urge, pois, que a gestão democrática ajude a promover a qualidade da escola pública e passa, decididamente, acredito eu, pela implantação de processos que profissionalizem a gestão da escola pública. Defendo o concurso público para diretor e vice-diretor das escolas estaduais e municipais. Atenção: somente o concurso também não resolve. É necessário um consistente programa de formação continuada, combinado com a avaliação de desempenho e, consequentemente, medidas administrativas para aqueles que não corresponderem. Configura-se num flagrante desperdício de recursos públicos, a formação de gestores para atividades durante 2 ou 4 anos, sem falar que essas formações quando acontecem não atendem a todos e a qualidade é por vezes questionável. Quando questiono a prática das eleições o faço, também, por constatar a instalação de práticas e disputas internas que fragmentam e destinam energias dos que estão nas escolas para uma finalidade que não agrega aos processos de ensino e aprendizagem. Por outro lado, tem sido comum escutar e saber que gestores termimam os seus mandatos e deixam as escolas inadimplentes, desorganizadas... Sem gestão eficiente continuaremos patinando nos indicadores educacionais que tanto desejamos elevar.
aopc3@...01/03/2010 @ 16h21
Denúncia: Mesmo diante da não realização da eleição para diretor das escolas do município a diretora da E. M. Arnaldo Monteiro (Conj. Pirangi) está perseguindo os funcionários chegando a ?devolver? nas férias para Secretaria Municipal de Educação três funcionários (professor, serviço gerais e assistente administrativo) que não apóiam sua reeleição, deixando a escola com só uma pessoa para limpeza e acabando com projetos de dança, aikido e artes dos professores da escola, deixando os alunos triste e chateados. Ela tentou devolver mais professores, mas não conseguiu. Uma de suas estratégias está sendo cruel e covarde com a comunidade (pais e alunos) e professores, pois NÃO FEZ matrículas para três turmas da manhã, transferindo os alunos para tarde a contra gosto dos pais e alunos, enchendo as turmas da tarde e indicando os pais, que não podia matricular à tarde, irem para outra escola, ENQUANTO TODOS OS DIRETORES PROCURAM FORMAR TURMAS ELA ENTREGA OS ALUNOS DA ESCOLA DE ?BANDEJA?. Os professores, que estavam de férias e sabia que não havia problema por falta de alunos, foram pegos de surpresa com a atitude da diretora e fizeram pressão para reativar as turmas, sendo que conseguiu abrir uma turma e com a LISTA DOS ALUNOS QUE ELA NÃO FEZ A MATRÍCULA, lista essa que ela esconde, vai abrir ter as outras duas, mesmo assim ela resiste e coloca a CULPA NA SECRETARIA, DIZ QUE A SECRETARIA É QUE NÃO QUER. Fica a reflexão: em um município AONDE FALTAM VAGAS, tendo que buscar vagas na rede particular, qual o interesse em deixar TRÊS SALAS DE AULAS PELA MANHÃ VAZIAS, TENDO ALUNOS, EM QUANTIDADE SUFICIENTE para forma as turmas, PRECISANDO DE MATRÍCULA. Obs.: 1) Os professores da manhã votaram pela adesão à greve, mas os da tarde não, então os da manhã fizeram uma reunião com os pais, que também apoiaram a greve, mas os da tarde não fizeram reunião com os pais, mesmo assim alguns da tarde aderiram, o que despertou a ira da diretora, que parece que tem um telefone direto com a Secretaria Municipal de Educação; 2) Alguns professores que receberam o valor das férias, TIVERAM DESCONTADOS OS VALORES LOGO EM SEGUIDA, coincidentemente professores que aderiram a greve.
aoempreendedor@...02/03/2010 @ 06h28
SE NA EDUCAÇÃO,ONDE A MAIORIA DOS ENVOLVIDOS SÃO FORMADORES DE OPINIÃO E PESSOAS ESCLARECIDAS EM RELAÇÃO Á MAIORIA DOS ASSUNTOS PERTINENTES Á SOBREVIVÊNCIA HUMANA ...OS TRÊS NÍVEIS DE "GOVERNO" AGEM DE FORMA IMPOSITIVA, E TOTALMENTE ANTI-DEMOCRÁTICA. É POR QUE ASSIM É O MODUS-OPERANDI DA GESTÃO POLÍTICA NESSE "BRAZILZINHO"...SEM OS TERREMOTOS DO HAITI E CHILE, SEM GELEIRAS SE DESPRENDEDDO OU ALERTAS DE TSUNAMIS FREQUENTES E POR VEZES FALSOS."ELES ESTÃO ACOSTUMADOS À AGIR ASSIM POR QUE PENSAM QUE O DINHEIRO QUE FINANCIA TODO ESTE FURDUNÇO, É DELES... E QUE FORAM LEGITIMADOS E PERPETUADOS EM SEUS TRONOS PELA MASSA IMPOTENTE DE ELEITORES (DEVE SER MARAVILHOSO TER O PODER SUPREMO NAS MÃO DURANTE 4 ANOS "OU MAIS", "PODER BRINCAR DE DEUS" OU SE ACHAR UM SEMI-DEUS OU "DEUSA"... PRÓXIMO Á NÓS, EXISTEM EXEMPLOS DE TIRANIA E DESCOMPROMISSO COM OS CONTRIBUINTES ,"TROUXAS", A POPULAÇÃO DESSES LUGARES "COME BEBE VESTE E MANIPULA, O QUE É DETERMINADO PELOS "DITADORES" E SEMPRE POSSUEM MAIS DEVERES DO QUE DIREITOS ...DE VEZ EM QUANDO SAEM ÁS RUAS COM PANELA NAS MÃOS ,FAZENDO BARULHO E ENFRENTANDO O PODERIO BÉLICO DO LADO OPOSTO APONTADOS VIGOROSAMENTE EM SUAS DIREÇÕES...PODERIO BÉLICO ACUMULADOS EM ANOS E ANOS DE UMA GUERRA QUE SÓ EXISTE NA CABEÇA DE GENERAIS CADUCOS E PREPOTENTES E ANGARIADOS COM A FOME A ESTAGNAÇÃO E A DESESPERANÇA DO POVO... É HORA DE PANELAS" DE PRESSÃO" POR AQUI TAMBÉM ( DE PREFERÊNCIA NO FOGO, E PRÓXIMAS DE EXPLODIR...(...)"NÃO USAR SANTO NOME EM VÃO" ,,,(MIGUELCRUZP) ...AOABENÇOE E PROTEJA O CIDADÃO DA "CIDADE DA GENTE" E DO "TRABALHO"..."SIC"
vguedes26@...02/03/2010 @ 16h55
É professor, estamos em mais uma greve no inicio do ano letivo. Os motivos são mais do que justos, porém, não acredito que a categoria consiga sustentar a greve até as últimas consequencias, o tempo dirá onde iremos chegar, mas, é importante saber de mais uma "boa" da borboleta...(ver email)
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