Policiais são assassinados na BR-101

Publicação: 05 de Setembro de 2012 às 00:00 | Comentários: 6
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Valdir Julião - Repórter

Os assassinatos dos dois agentes da Polícia Civil lotados na Delegacia de Propriedade de Veículos e Cargas (Deprov) durante abordagem na noite de segunda-feira, dia 3, no km 114 da BR-101, na comunidade de Taborda, em Parnamirim, elevaram para quatro o número de policiais mortos no cumprimento do dever desde abril de 2010.
Emanuel AmaralBandidos tentaram fugir do local em caminhonete, após a troca de tiros com policiais civisBandidos tentaram fugir do local em caminhonete, após a troca de tiros com policiais civis

Jovanez de Oliveira Borges, 42 anos, e Antonio Pereira Pinto Neto, 48 anos, foram mortos ao  participarem de uma investigação sobre o roubo da caminhonete S-10 cinza, placa NNZ-2923, de Tangará, depois rastreada por sinais de GPS e localizada próximo a um galpão situado uns 500 metros após o posto de combustível São José, no sentido de quem segue de São José do Mipibu para Parnamirim.

Por coincidência, ao chegarem em frente a área rural da empresa Village Real Agrobusiness, os dois agentes da Deprov viram os ocupantes de uma camionete cabine dupla branca, L200, modelo Triton, placa NIX-08475 de Picos (PI) em atitude suspeita, que ao pressentirem a presença da policia, saíram da rodovia federal para a marginal de areia, onde se esconderam atrás de um poste  e de uma cerca, aproveitando a camuflagem do mato.

O delegado da Deprov, Frank Albuquerque, disse que pela cena do crime, os APCs Jovanez Borges e Antonio Pereira Neto foram alvejados a tiros de “armas longas” à queima-roupa e a uma distância de uns cinco metros: “Não deram chance de defesa”.

A viatura em que se encontrava os dois APCs foi alvejada com nove tiros, oito dos quais atingiram a lateral direita do Meriva branco, placa MZR-6449 (ano 2003/2004), enquanto uma bala entrou pelo parabrisa dianteiro, quase rente ao capô e do lado do banco do passageiro, onde estaria sentado o policial Antonio Neto. O motorista do veículo seria o policial Jovanez Borges.

Na sequência, dois policiais de uma viatura da Polícia Civil de Parnamirim, que vinham atrás do Meriva, reagiram aos tiros disparados pelas quatro pessoas que tinham saído da Hilux, das quais três fugiram pela margem direita da BR-101, no sentido de quem volta para São José do Mipibu, e outro evadiu-se pelo lado direito da BR-101, no sentido de quem vai para Parnamirim.

Na troca de tiros com os policiais civis de Parnamirim, um dos bandidos foi alvejado e, de madrugada, a Polícia Civil o identificou como sendo Marcos Aurélio Amador Alves, o “Marcos Caçador”, que fugiu dia 3 de agosto com mais oito presos da penitenciária estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta.

“Marcos Caçador” morreu depois de ser socorrido para um hospital, mas não se sabe se foi em decorrência de troca de tiros durante a caçada policial, ou se foi por causa de dois tiros disparados pelos dois policiais que vinham atrás da Meriva da Deprov e atingiram a parte inferior do parabrisa da Hilux pelo lado do passageiro.

Já no começo da tarde, o delegado geral da Polícia Civil, Fábio Rogério Silva, informava que tinha sido identificado um dos quatro membros da quadrilha: Clayton José Martins da Silva, natural de Caruaru (PE) e que há alguns anos tinha sido preso em Canguaretama com outros comparsas, portanto armas de grosso calibre e outros aparatos em atitude suspeita. Clayton Silva atua em assaltos a bancos e carros fortes nos estados da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe.

O secretário adjunto da Defesa Social e Segurança Pública,  Clidenor Cosme da Silva Júnior, informou que depois de identificado o morto “Marcos Caçador”, a Policia chegou ao nome do segundo membro da quadrilha - “por alguma coisa deixada” - pelos quatro ocupantes da L200, que teriam assaltado, na tarde de anteontem, duas agências dos Correios, em Bom Jesus e Lagoa de Pedras.

Silva Júnior disse que os integrantes dessas quadrilhas sempre estão mudando de bando, “mas a gente sabe sabe geralmente com quem andam”.

Sesed emite nota de pesar por morte de policiais civis

A Delegacia Especializada em Combate ao Crime Organizado (Deicor) vai investigar os homicídios dos policiais civis Jovanez de Oliveira Borges, morto na noite de anteontem e que era casado e deixou dois filhos (um menino de nove anos e uma menina de três), e de Antonio Pereira Pinto Neto, que morreu no começo da manhã de ontem depois de passar por cirurgia no Pronto-Socorro Clóvis Sarinho. Seded emitiu nota de pesar pelas mortes. Outro policial que morreu no cumprimento do  dever foi José Luciano de Oliveira, que era diretor do Sindicado da Polícia Civil do Rio Grande do Norte (Sinpol) e foi  morto a tiros na noite de 27 de abril de 2010, quando fazia uma “campana” pela Delegacia de Combate ao Narcotráfico (Denar) em Felipe Camarão. Em 11 de março do ano passado, o policial civil Sidney Alves Lucas morreu na porta de casa. O corpo de Jovanez Borges foi sepultado às 18 horas de ontem, no Cemitério Morada da Paz, em Emaús, Parnamirim, enquanto o corpo do policial Antonio Pereira Neto, que era irmão do coronel PM Wellington Alves, estava dando entrada na aposentadoria, será enterrado às 9 horas de hoje, no Cemitério Parque de Nova Descoberta. Os dois policiais mortos em serviço eram da 1ª classe dos quadros  da Sesed.

Foragido de Alcaçuz entre os assassinos

Marcos Aurélio Amador integrou a quadrilha chefiada pelo falecido Valdetário Carneiro, que 4 de junho de 2002 participou do assalto a três agências bancárias de Macau, que resultou na morte do delegado da Polícia Civil do Rio Grande do Norte, Robson Luís Medeiros Lira, então com 42 anos.

“Marcos Caçador” teria deixado cair uma metralhadora 9 mm, de fabricação alemã, depois de alvejado por policiais civis de Parnamirim, além de um revólver 38 deixado pelos integrantes da quadrilha durante a ação policial da noite de anteontem. Quando ele foi encontrado, na madrugada, ainda estava de posse de um revólver 38 e um pente de bala de fuzil 566.

Já na época que ele participou do assalto em Macau, a quadrilha era formada por uns 15 bandidos, que assaltaram três agências bancárias, uma da Caixa Econômica Federal, uma do Banco do Nordeste e uma do Banco do Brasil, além de estabelecimentos comerciais. Robson Lira foi morto com um tiro na cabeça, ainda dentro do carro da Polícia.

A Associação dos Delegados de Polícia Civil (Adepol) emitiu uma nota de solidariedade aos familiares e amigos dos agentes Jovanês Oliveira e Antônio Neto, mortos durante uma ação policial em São José do Mipibu.

No documento, assinado pela delegada-presidente Ana Cláudia Saraiva, a Associação coloca parte da culpa da morte dos policiais no Governo do Estado, pontualmente pela omissão nas lutas por melhores condições de trabalho e por mais segurança para a Polícia Civil.

A Adepol ainda aponta a negligência do Estado em manter presos as pessoas condenadas por crimes, pois Marcos Amador era fugitivo do presídio de Alcaçuz, que “há anos vive uma realidade de superlotação sem que o estado tome as providências necessárias para a abertura de novas vagas no sistema prisional”.

Em relação às críticas de que o helicóptero da segurança pública não participou das diligências para localizar os assaltantes, o secretário adjunto de Defesa Civil, Clidenor Silva Júnior, explicou que a aeronave estava em manutenção até o  domingo, dia 2, mas depois voou para participar de uma operação da Força Nacional em Alagoas.

Silva Júnior explicou que o comandante da aeronave é cedido pela Força Nacional, com quem o Estado tem um convênio, “como contrapartida para quando precisar”. Segundo ele, os dois pilotos do Rio Grande do  Norte ainda não estão habilitados para o comando da aeronave, na qual atuam como co-pilotos.



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Comentários

  • avcamara

    Minha solidariedade aos familiares dos 2 policiais. É nisso q dá tanta fuga em Alcaçuz, pois um dos bandidos era fugitivo dessa prisão. Falta dinheiro para construir prisão segura, só não falta para custear o salário do excessivo número de cargos comissionados do Estado. Absurdo !

  • injustica01

    não falta dinheiro não companheiro, falta comprometimento com o serviço público, boa vontade da parte do pessoal da administração, só esse ano foram devolvidos ao governo federal mais de R$ 4.000.000,00 (quatro milhões), que foram adquiridos através de convênios, "por inrresponsabilidade dos servidores" convênios de 2009 que tiveram 3 anos para serem concluidos, absurdo. "fica a dica" SEJUC.

  • brunolimasc

    Homenagem aos Heróis Pra Onde Vai? Gabriel O Pensador Mais uma vida jogada fora Um coração que já não bate mais, descanse em paz Sonhos que vão embora, antes da hora Sonhos que ficam pra trás Pra onde vai você? Pra onde vai? Pra onde vai o Sol quando a noite cai? E agora? A dor é do tamanho de um prédio A casa sem ele vai ser um tédio

  • mdoohan01

    ...e assim anda a Segurança Pública do Estado!!! Porque é que os Direitos Humanos não se manifestaram pela morte do bandido?

  • sanegreiros

    SIMPLESMENTE PÁGINA VIRADA... Na manhã do dia 03/09/2012, todos nós que fazemos parte da Polícia Civil do Rio Grande do Norte, amanhecemos tristes, fomos pegos de surpresa, com a triste notícia da morte de dois companheiros, os Agentes de Polícia JOVANÊS e NETO, que foram mortos quando estavam em Operação Policial combatendo a marginalidade, fato ocorrido na Cidade de São José do Mipibu/RN, e foram surpreendidos por quatro elementos nocivos e tiranos que usando da covardia e da malícia bandida atiram contra eles e tiraram suas vidas. Não é a primeira vez que os órgãos de imprensa trazem notícias como esta que estamos presenciando, a Segurança Pública, não só a do nosso Estado, mas em todo País esta há anos luz em atraso em relação ao avanço da criminalidade que a cada dia cresce de forma assustadora, apresentando-se cada vez mais ousada e sofisticada e procurando se instalarem nos grandes centros, principalmente os localizados na região nordeste, por encontrar uma polícia frágil, despreparada e muita das vezes nas mãos de quem não tem o menor compromisso com a Pasta da Segurança, nem com o cidadão que paga os seus impostos na esperança de que o Estado lhe proporcione uma segurança mais eficaz para o combate da criminalidade. Já não basta a crise do Sistema Penitenciário do Estado que parece não ter fim, com uma superpopulação carcerária, onde constantemente são registradas fugas, as delegacias sem as mínimas condições de funcionamento, policiais maus treinados e desarmados, viaturas sucateadas, e ainda o próprio Estado que obrigam os Agentes de Polícia a praticarem o Desvio de Função, isto, em relação a custodia de presos nas delegacias. A criminalidade aumenta, a injustiça impera e a polícia fica sem saber qual o destino que há de se dar aos presos flagranteados diariamente nas delegacias, isso faz com que os bandidos tenham a certeza da impunidade dos crimes cruéis por eles praticados e que o Direito Penal nunca irá atingi-los. No tocante ao assassinato dos Policiais JOVANÊS e NETO, o fato ocorreu, acredito eu, devido ao sucateamento da Segurança Pública, os nossos policiais na sua maioria trabalham desarmados e se armados tem pouca munição, não se tem coletes a prova de balas para todos, o Sistema de Comunicação é precário, quase não funciona, e existe um descompasso no tocante a investimentos entre a Polícia Civil e a Polícia Militar, para uma, os recursos são poucos, para a outra, não se dar nada. E diante de toda essa crise e desse jogo, onde se tenta acertar os ?modus operandi? da polícia por quem dirige a pasta da Segurança Pública, quem sofre são os pequenos funcionários, os que estão na linha de frente com o crime e a marginalidade, e morrem apenas se tornando ?páginas viradas? em um Diário Policial que relata o triste fim desses heróis anônimos que a cada dia vem a aumentar a estatística do crime no Estado, sem que nada, nada mesmo seja feito para mudar esse cenário. É pena que policiais, geralmente, façam parte de famílias simples e humildes, e não tem em seus nomes sobrenomes de pesos, nem façam parte de classes poderosas que controlam os destinos de uma Cidade ou até mesmo de um Estado, si o fizessem, com certeza havia mais investimentos na pasta da Segurança Pública, a coisa era bem mais diferente do cenário atual. E no momento de dor e lamento como esse em que estamos vivenciando, o que presenciamos são famílias enlutadas, mulheres que choram sua viúves, e filhos órfãos que irão carregar pelo resto de suas vidas o trauma de ter perdidos os seus pais quando estes em serviço do Estado tombaram mortos de forma triste combatendo o crime, e ainda observamos uma categoria de profissionais acuados e desarmados com a falta de condições de trabalho, e temem em serem as próximas vítimas dessa violência instalada no Estado. A Segurança Pública só será levada a sério pela classe política do País, quando o crime chegar às grandes mansões, apartamentos de luxo, e atingirem os grandes figurões da alta sociedade, que até então são intocáveis e inatingíveis pela violência, devido à blindagem que os cercam, ai sim, irão se preocupar e até pedir espaço na mídia para dizerem que é preciso maior investimento nessa área, um melhor preparo para os seus agentes, bem como equipá-los, de maneira que eles possam pelo ao menos competir em pé de igualdade com a marginalidade, que hoje assusta até a própria polícia. O crime é dinâmico e o criminoso esta sempre modificando os seus modus operandi, e assim, tentam sempre ludibriar a polícia e o próprio Estado, criando mecanismos para tentar surpreender os Agentes da Segurança com suas investidas maliciosas, onde, quase sempre um ou outro acaba perdendo a vida. Acompanhando esse raciocínio, é de se concluir que a polícia também precisa tem que se modernizar, buscando novas técnicas para acompanhar a modernidade e os avanços da sociedade, que fazem com que as organizações criminosas estejam se aperfeiçoando e tentando a todo custo aterrorizar a sociedade, desmoralizar o Estado e não mais temer as forças de segurança. A Carta Magna de 1988 trouxe em seu texto constitucional entre vários princípios, o princípio do respeito à dignidade da pessoa humana e o direito e garantis de cada cidadão, e, devido a esses princípios, constantemente policiais são intimados para prestarem esclarecimentos na Justiça e na Corregedoria de Polícia em razão de terem ?violados? essas garantias nas suas ações de enfrentamento ao Crime Organizado, mas o que me chama a atenção, não é isso, é que num momento como este em que foram mortos dois policiais em serviço, não se vê nenhum representante dos Direitos Humanos presente ao velório se solidarizando e dando um apoio moral e emocional aos familiares, e, cobrando justiça para os assassinos que estão soltos e que são uma afronta para a sociedade. Será que se ocorresse o inverso, em relação ao fato em tela, essas representantes estariam em silêncio, acredito que já estariam a bater a porta da Secretaria da Segurança, cobrando explicações pela ação da polícia, bem como, exigindo o afastamento dos policiais envolvidos na operação. É esse os Direitos Humanos que protege e estar a serviço do cidadão? Com relação às garantias constitucionais que frisei anteriormente, é preciso que se entenda o verdadeiro espírito do texto constitucional quando os nossos legisladores se referem a ?cidadão?, não se pode dar tratamento iguais a todos, principalmente quando vivemos dentro de uma sociedade totalmente desigual. Ser policial nos dias de hoje é muito difícil, principalmente com a crescente onda de violência em nosso País, e os nossos amigos policiais mortos JOVANÊS e o NETO, foram mais duas vítimas dessa Guerra Urbana e de um Sistema Complexo e Falho que chamamos de Segurança Pública. Os nossos amigos mortos carregavam em seus peitos e em seus corações, a coragem, a dedicação, habilidades e o compromisso em garantir a paz da sociedade e a tranqüilidade de cada cidadão, coisas assim, que só entende quem tem sangue de polícia correndo vinte e quatro horas em suas veias, mas que morreram de forma triste, deixando suas famílias e uma categoria de profissionais desarmados. As suas coragens, suas habilidades e dedicação, todas elas os traíram naquela triste Operação Policial realizada na noite do dia 03/09/2012 na Cidade de São José de Mipibu/RN, quando mais uma vez foram ao combate da marginalidade, mas em um dia que não deu certo, que não era o de vocês. Esses elementos não tiram apenas as suas vidas, tiraram também o brilho da nossa Polícia Civil, subtraindo do nosso meio o que nós mais tínhamos de melhor, mas acreditem logo nos ergueremos, e iremos dar continuidade as suas histórias, histórias de luta, trabalho, dedicação e combate ao Crime Organizado. Os heróis anônimos não morrem, apenas partem e vão agir em um outro mundo, em um mundo que não a lugar para dor, lágrimas e sofrimentos, passam a ser estrelas, estrelas que brilham, e ficam a piscar juntamente com tantas outros que também tombaram em serviço, assim como eles, quando combatiam a marginalidade, buscando resguarda a paz social. Finalizando, quero nesse momento me solidarizar com os familiares com os familiares dos amigos mortos apesar de não conhecê-los, bem como, com todos os irmãos Policiais Civis que veste a camisa da Instituição e apesar da falta de apoio por parte da Justiça e do Estado, estão sempre apostos para combater a violência e em garantir a tranqüilidade dos cidadãos rio-grandenses. Goianinha/RN, 04 de setembro de 2012. Por: José Adailton Gonzaga Farias Agente de Polícia Civil

  • josivansilvacabral

    morreu mais dois defensores da nossa integridade, e em jovanês morreu também uma familia inteira, inclusive eu que tive o previlégio de fazer parte dela, bom pai, bom amigo...bom policial e um homem acima de tudo temente a deus.....por amor de deus cuidem da nossa policia!!!!! tomem as providências com alcaçuz para que não aja tanta fuga como dadão e esses malditos miseráveís...e covardes que fizeram isso. deus abençoe as familias.