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Natal, 24 de Maio de 2012 | Atualizado às 08:25

Policial do RN tem prisão decretada por participar de greve na Bahia

Publicação: 07 de Fevereiro de 2012 às 00:00
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Andrey Ricardo - da Redação

O presidente da Associação de Cabos e Soldados (ACS) da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, cabo Jeoás Nascimento dos Santos, é um dos policiais que tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça da Bahia, no sábado passado, 4. A Polícia Militar baiana está em greve desde o dia 31 do mês passado e 11 policiais, apontados como líderes do movimento, tiveram a prisão decretada. Jeoás estava na Bahia, representando a Associação Nacional de Praças da PM, e por isso foi envolvido. Ontem o Comando da Polícia Militar no RN cumpriu o mandado de prisão contra o cabo.
Adriano AbreuMandado determina que Jeoás Nascimento seja transferidoMandado determina que Jeoás Nascimento seja transferido

Jeoás é o presidente da entidade que representa os cabos e soldados da PM no RN e ocupa ainda o cargo de vice-presidente da Associação Nacional dos Praças (Anaspra). Logo após a deflagração do movimento grevista, ele desembarcou na Bahia e esteve junto dos líderes locais. Segundo o governo baiano, Jeoás e mais 10 militares, a maior parte deles membros de entidades representativas da Polícia Militar no Estado, são acusados de formação de quadrilha. Jeoás voltou da Bahia no sábado passado, justamente quando o Governo anunciou que cumpriria as 11 ordens de prisão.

Por volta das 12h do domingo passado, 40 homens do Comando de Operações Táticas da Polícia Federal, equipe considerada elite da PF, desembarcaram em Salvador. Eles foram enviados pelo Ministério da Justiça especificamente para prender o presidente da Associação de Cabos e Soldados do RN e os outros líderes do movimento paredista. No entanto, apenas o dirigente da Associação dos Policiais e Bombeiros (ASPRA) da Bahia, Alvir dos Santos Silva, estava preso até ontem. Além de formação de quadrilha, é acusado de furtar uma viatura e está na sede do Exército, na capital.

Segundo as leis brasileiras, Jeoás só pode ser preso no Rio Grande do Norte após o encaminhamento de um documento feito pela Justiça da Bahia à Justiça do RN. É preciso comunicar oficialmente que ele é considerado foragido da Justiça baiana para que a ordem seja cumprida pelas forças policiais potiguares. Se a prisão fosse determinada pela Justiça Federal, não haveria necessidade de realizar tais trâmites. Até ontem à tarde, Jeoás ainda aguardava uma resposta da assessoria jurídica da Associação Nacional de Praças para definir o que fazer. Ele afirma que continua trabalhando no RN. Jeoás adiantou que a associação vai tentar reverter a decisão judicial e que não sabe o motivo de estar sendo considerado foragido da Justiça baiana. Jeoás ficou na Bahia até sábado, quando voltou ao RN. Ele alega motivos familiares para o seu retorno e que soube da ordem de prisão só ontem à tarde, negando que tenha saído da Bahia para fugir da prisão. "Estou à disposição da Justiça para qualquer esclarecimento e vou entrar com uma ação para tentar desfazer esse mandado de prisão. Ele não faz sentido", disse.

Sindicalista do RN propõe greve nacional

O presidente da associação local e vice-presidente da entidade nacional, Jeoás Nascimento, atuou diretamente no comando de greve da Bahia e defendeu durante os últimos dias a bandeira de uma greve nacional, envolvendo a Polícia Militar de todos os estados brasileiros.

Através de sua conta no Twitter, rede social de relacionamento pela internet, o militar destacou ao longo dos últimos dias a importância de haver uma mobilização nacional.

Em uma das postagens, Jeoás afirma que a Associação Nacional dos Praças, entidade que ele ocupa o cargo de vice-presidente, convoca todas as associações que representam a PM, no Brasil, para irem a Salvador e ajudar na negociação. "Estamos convocando todas as Associações do Brasil a se deslocarem a Salvador. Pode virar greve geral no Brasil", disse o militar através da rede, propondo que seus aproximadamente 1000 seguidores (pessoas que participam do seu perfil na internet) divulguem a ideia de uma greve nacional.

Ontem ele anunciou que voltaria à Bahia, provavelmente antes de saber da ordem de prisão expedida contra ele. "Vamos organizar um dia de luta nacional. Policiais Militares clamam por dignidade, valorização e respeito. Amanhã (07) reunião em salvador", disse.

"Negociação no RN foi mais fácil"

Jeoás Nascimento foi um dos negociadores da Polícia Militar durante a última greve da categoria que conseguiu o aumento salarial, previsto para julho deste ano. A greve foi feita no fim do ano passado. Experiente em negociações entre policiais militares e representantes de governos estaduais, Jeoás avalia que a negociação no RN foi mais fácil do que essa que ocorre na Bahia.

Na Bahia, o Governo do Estado ofereceu um aumento de 6% aos policiais, mas disse que só iniciaria a negociação com o fim da paralisação, que atinge praticamente todo o Estado. A categoria tem criticado bastante o posicionamento do Governo regido pelo Partido dos Trabalhadores (PT), julgando ser uma medida rígida.

Jeoás compara com o Governo do RN, cujo partido é o Democratas (DEM). "No ano passado, foi feito um movimento de três dias, segurança com segurança, e o Governo do RN adotou uma postura que abriu canal de negociação, chegando a um termo", compara Jeoás. "O Governo do RN foi, com certeza, bem mais maleável. Isso é o que nós esperávamos na Bahia, que tivesse essa postura de dialogar, negociar, para que nós pudéssemos valorizar esses homens e mulheres que arriscam suas vidas para defender a vida e a liberdade da população", complementa.

O presidente da ACS no RN disse que foi pego de surpresa com a ordem de prisão e, principalmente, com o comportamento adotado pelo Governo do PT na Bahia. "No Pará, passamos 18 horas na mesa de negociação e em menos de um dia a greve foi encerrada, chegando a um consenso entre os policiais e representantes do Governo", cita.

"Sempre votei no PT, em toda minha vida, mas eles adotaram uma postura atípica na Bahia", finaliza o sindicalista.

Confrontos deixam seis feridos

Salvador (AE) - Os cerca de 300 policiais militares que acampam na Assembleia Legislativa com os familiares desde a terça-feira (31), quando teve início a paralisação parcial da PM na Bahia, estão cercados, por cordões de isolamento formados por militares do Exército ao redor do prédio. Até agora, foram registrados três pequenos confrontos entre as partes, quando foram lançadas bombas de efeito moral e disparados tiros com balas de borracha. Seis pessoas ficaram feridas, mas sem gravidade. Entre elas, está um cinegrafista da Rede Bandeirantes, que sofreu sangramento nasal depois de uma bomba de efeito moral explodir a menos de dois metros dele, e um fotógrafo da Secretaria de Comunicação do Governo, atingido com uma bala de borracha no braço. Uma mulher grávida de 4 meses passou mal.
Ernesto Rodrigues/AEPoliciais grevistas e a força de segurança entraram em confronto, em frente à Assembleia LegislativaPoliciais grevistas e a força de segurança entraram em confronto, em frente à Assembleia Legislativa

O cerco teve início na madrugada de ontem, com os cortes no fornecimento de energia elétrica e de água para o prédio. Equipes do Exército, em carros e helicópteros, monitoravam a área. Os policiais grevistas, armados, foram divididos em equipes para vigiar a movimentação nos arredores e ficaram de prontidão durante toda a madrugada para uma eventual invasão do Exército no local. Por volta das 5 horas, os grevistas afastaram os profissionais de imprensa que estavam no local e iniciaram a movimentação para tentar bloquear o acesso principal ao Centro Administrativo da Bahia (CAB), onde está a Assembleia. A movimentação foi a justificativa para a entrada de 600 integrantes das tropas do Exército no local, por volta das 6 horas. O primeiro conflito ocorreu às 7h30, quando um grupo, que tentava levar mantimentos aos amotinados, foi impedido pelas forças federais. Houve revolta por parte do grupo, que dizia ser de familiares dos grevistas. Balas de borracha foram disparados contra o chão - uma delas atingiu o pé de um integrante do grupo

Ao longo da manhã, mais militares chegaram ao local - ao fim, havia 1.050 homens do Exército nos arredores da Assembleia. Um grupo de 20 homens do Comando de Operações Táticas da Polícia Federal (PF) também foi ao local, na tentativa de cumprir os 11 mandados de prisão expedidos pela Justiça baiana contra os líderes grevistas que continuam em aberto. Segundo o comando da greve, porém, nove dos foragidos deixaram a Assembleia ainda na noite de ontem. Eles teriam viajado para o interior durante a madrugada. Cerca de 500 policiais simpatizantes do movimento grevista também chegaram ao local e foram impedidos de entrar na Assembleia.


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comentários

mi.margareth@...07/02/2012 @ 00h03
Agora mais do que nunca penso que é urgente o fim do militarismo das PMs porque um policial que vai às ruas proteger o cidadão e a cidadã não pode ter uma formação igual a das Forças Armadas cujo objetivo é a guerra. Precisamos mudar o regimento disciplinar que apenas serve para oprimir os trabalhadores e as trabalhadoras que merecem ter seus diretos humanos respeitados. Todo apoio à luta de nossos companheiros da PM. Força Sempre ACS! Margareth Vieira - Presidenta do SINDGUARDAS/RN
carlos.andre1@...06/02/2012 @ 23h39
No século 21 homens de bens honestos sendo presos como se fossem bandidos. Só porque busca melhores condições de trabalhos. Tenho plena certeza que o militarismo nas policias não preenche mais aos anseios da sociedade.
gibfc@...07/02/2012 @ 04h09
Será o cabo Anselmo?
black_showman@...07/02/2012 @ 07h38
ASSALTO EM LOTÉRICA; ASSALTO A BANCO; ASSALTO EM PADARIA COM TRÊS FERIDOS; HOMICÍDIOS; ISSO TUDO EM PLENA LUZ DO DIA E TODO SANTO DIA: A tendência é piorar, pois onde já se viu policial sendo tratado como bandido por querer que seus direitos sejam respeitados e por brigar por melhores condições de vida... PALHAÇADA! OBRIGADO DILMA ROUSSEF!
nogueira.menezes@...07/02/2012 @ 09h22
Bom dia Srs, Quando se luta por melhores condições de trabalho/salário no Serviço Público é porque a coisa esta ruim mesmo, portanto, o direito e a dignidade dos Grevistas merece todo respeito, de preferência de ambas as partes. Mas quando os Trabalhadores Públicos fazem greve por esse mesmo motivo, os Policiais Militares não respeitam nossos Direitos nem tão pouco a nossa Dignidade e nossa luta por dias melhores, desce o cacete e prende os indefesos Servidores Públicos ou Trabalhadores no moda geral. Hoje eles estão sentindo na pelo o que todos os Trabalhadores Civis do País sentem quando fazem greve. Que a greve dos Militares da PM sirva de lição e que todos tomem conciência que a opressão é bastante maléfica e fere os direitos primordias dos Trabalhadores indefesos e porque não dizer, de toda a Sociedade.
joaquimrbneto@...07/02/2012 @ 09h03
black_showman faço das suas palavras as minhas!
moreiralimag@...07/02/2012 @ 09h22
Acho justo que trabalhadores reinvidiquem melhores condição salariais. Discordo quando esses trabalhadores são militares, porque para esses existem leis militares que devem ser respeitadas. Já pensaram se a Marinha , o Exercito e Aeronáutica resolverem fazer greve? Os movimentos paredistas de militares policiais são frontalmente contra os principios inalienáveis da hierarquia e da disciplina, básicos para manutenção da estrutura militar. Transformem as PMs em CLT, estatutárias, ou seja lá o que for, mas não deixem que mais leis sejam desrespeitadas sob a conivência politica e judiciária.
kariellealves@...07/02/2012 @ 08h43
Caros eleitores, isso é uma palhaçada desse governo ditador ,que ao inves de negociar com essa classe de trabalhadores que arriscam a propria vida, para no final serem tratados como marginais, isso é uma verdadeira vergonha, esse governo do PT, que se dizia aberto ao dialogo estar voltando na prática aos tempos da ditadura, pois bem esse é o governo do PT, esse Brasil é mesmo uma vergonha, esse trabalhadores merecem respeito e apoio de toda a sociedade brasileira!
jose.reboucas.costa@...07/02/2012 @ 10h30
A brutal repressão do governo do PT da Bahia contra os policiais em greve por questões salariais, é parte da política de criminalização do governo federal e dos governos estaduais e municipais, contra os movimentos sociais, tendo a luta pela moradia e pela terra como os principais vilões. Todas as lutas dos trabalhadores brasileiros, são consideradas por esses governos de plantão, como: "invasões", "badernas" e "crimes", com o objetivo claro de mascarar as questões de fundo que a sociedade levanta contra a corrupção em todas esferas desses governos. O PT tem a "cara de pau" em dizer que defende a ordem pública, onde é o líder em corrupção desde 2011, com a queda de 7 ministros acusados desse crime.
anadunas@...07/02/2012 @ 09h46
EM RESPOSTA, EXERCITO, MARINHA E AERONÁUTICA NÃO VAI PARA AS RUAS PRENDER BANDIDO, TRABALHAR 24 HORAS PARA PROTEGER A POPULAÇÃO.. COM ARMAS E VIATURAS SUCATEADAS E SALÁRIOS DE FOME. O EXERCITO ESTÁ SERVINDO APENAS PARA PERSEGUIR OS PAIS DE FAMÍLIAS QUE RECEBEM UM SALÁRIO DE FOME., E PARA OS DESMANDOS DO GOVERNADOR DO PT QUE RESOLVEU SER UM DITADOR JUNTAMENTE COM ESSE MINISTRO DA JUSTIÇA, DEU CERTO OS DOIS DITADORES QUE QUEREM APARECER.. É ISSO AÍ VAMOS PARA AS RUAS CONTRA ESSES DESMANDOS. VIVA A DEMOCRACIA!
justiceiro.40@...07/02/2012 @ 09h41
a senhora Dilma parece ter esquecido os negros anos de ditadura nesse país onde ela msm foi torturada por esse msm exército que hj ela manda para massacrar os PM"s, pelo jeito aprendeu direitinho como se faz, passou de REPRIMIDA A REPRESSORA, VERGONHA de um governo que se diz democrático, revolta com o exército brasileiro, Qatira em homens desarmados sem camisa e de braços abertos,REVOLTA,VERGONHA !!!
www.van.com.br@...07/02/2012 @ 11h09
ainda bem que existe as forças armadas para conter esses vandalos...
rafaelsoa@...07/02/2012 @ 12h43
Ps. no RN não teve greve, teve divulgação em massa de um movimento que não existiu, pois, não precisou existir. Foi negociado e acordado, agora é esperar até julho...contudo depois de julho ninguém saberá de nada!
rodrigopompilo@...07/02/2012 @ 16h38
Vândalos? como assim caro leitor, na verdade são servidores públicos estaduais pais e mães de famílias que arriscam suas vidas pra garantir a ordem pública e aquilo que chamamos de paz. Já pensaste leitor o que seria do trânsito, do futebol, das cadeias, do comércio, enfim, da sociedade sem a policia militar. OS POLICIAIS MILITARES TAMBEM SÃO CIDADÃOS, PAGAM IMPOSTOS E MERECEM DIGNIDADE. Vândalo é quem sugere conter uma manifestação trabalhista com violencia. Vamos usar mais a consciencia na hora de postar comentarios inconsequentes sobre o sofrimento de famílias trabalhadoras brasileiras.
afcrbarbosa93@...07/02/2012 @ 18h27
A sociedade brasileira tem que acordar para esta situação,pois os governos não estão preoculpado com segurança publica.Prender os que tem coragem e conhecimento para liderar esses movimentos é causa revolta na maioria dos militares .O PAÍS UM DIA JÁ FOI COMANDADO POR MILITARES E vcs ESTÃO QUERENDO DEVOLVER ESSE COMANDO COM UMA ASSISTÊNCIA INEFICIENTE E DESRRESPEITOSA COM ESSA CATEGORIA...ABRAM BEM SUAS MENTES,VCS AUMENTAM OS SALÁRIOS DE VCS A HORA QUE QUEREM... CAROS COMPANHEIROS DA BAHIA NÃO ABANDONE A SOCIEDADE BAIANA.PM RBO.....DA PMMA
sandroplug@...08/02/2012 @ 11h05
Ahhh não te avisaram que PM ganha pouco e o trabalho é perigoso... sei... é que o setor foi criado a pouco tempo né? E professor do estado e municipio ganha pouco tambem né? Deve ser por que criaram essa categoria a poucos dias!!! Tenham dó... vocês fazem concurso para PM e quer ganhar salário de promotor, fazem concurso para professor e querem ganhar salário de engenheiro... Se vocês acham que ganham pouco, peçam para sair, vocês não são obrigados a trabalhar nessas condições e receberem esse salário, mas a única parte prejudicada nessa questão é o POVO, que de fato pagam seus salários...
nestor.souza1@...08/02/2012 @ 13h17
O Sr. sandroplug@... falou tudo e algo mais. Quando é um trabalhador civil que está reenvidicando seus direitos, todos nós sabemos como a policia trata esses trabalhadores, na base da cacetada, agora querem se passar por vítimas. Para com isso.
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