População relaxa nos cuidados
Publicação: 22 de Novembro de 2009 às 00:00
A tão temida e preocupante "gripe suína" parece ter sido esquecida pela população do Rio Grande do Norte. Nas ruas, nas escolas e no aeroporto, não se enxerga mais a preocupação com a prevenção da doença que tanto assustou os potiguares em junho deste ano, quando foi confirmado o primeiro caso no Estado. A higienização com álcool gel, o uso de máscaras e luvas foram deixados para trás. Descuido que, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (Sesap), pode ser a causa do aumento no número de casos registrado em outubro.
Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, a Sesap atribuiu os novos casos ao comportamento da população. No entanto, as ações do próprio Governo demonstram que o relaxamento não aconteceu só fora dele. Em algumas escolas estaduais e no Aeroporto Augusto Severo quase não se vê algum tipo de alerta à população. Cartazes e panfletos que serviam como motivação para a prevenção mal estão sendo usados.
Na Escola Estadual Lia Campos, as palestras cessaram e o álcool gel foi retirado dos corredores. "Nós tínhamos o álcool gel aqui para os alunos e os professores de biologia falavam sobre as formas de prevenção nas salas de aulas, mas realmente acabamos tirando isso porque achamos que não tínhamos mais riscos", disse a diretora da escola, Silvana Maria Gurgel.
O mesmo se repete na Escola Estadual Floriano Cavalcanti, um dos maiores colégios do Estado, que não segue os padrões recomendados. Nos banheiros, o sabonete disponibilizado para os alunos não é líquido, mas aqueles em barra, o que facilita a contaminação.
Nas escolas privadas, a preocupação pode até continuar, mas o interesse dos alunos também não é mais o mesmo. No Colégio Contemporâneo, os cartazes informativos e o álcool gel ainda estão presentes, mas pouco são procurados pelos alunos.
O "relaxamento" também foi sentido nas farmácias, onde a procura pelos produtos citados caiu quase que 100%. Em uma das lojas de uma grande rede de drogarias em Natal, o vendedor informou que não lembra a última vez que vendeu um álcool gel.
Segundo a subcoordenadora de vigilância epidemiológica da Sesap, Juliana Araújo, o número de casos confirmados permanece nos 70 e o número de óbitos também permanece igual, oito. No entanto, a Sesap espera o resultado de cerca de 150 amostras enviadas ao Instituto Evandro Chagas, em Belém. Na quarta-feira, 18, uma equipe do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS, do Ministério da Saúde, esteve no RN com o objetivo de auxiliar o trabalho da Sesap, já que foi registrado um aumento no número de casos no mês de outubro.
Aeroporto
No Aeroporto Augusto Severo, em Parnamirim, os cuidados também diminuíram, pelo menos aparentemente. Nos primeiro e segundo andares, não se vê nenhum cartaz informativo sobre a Influenza A nem qualquer tipo de prevenção dos funcionários com uso de máscaras. No balcão de informações da Infraero, alguns panfletos sobre o H1N1 esperam o interesse dos passageiros para serem lidos.
Mas o coordenador da Agência Nacional de Vigilância Sanitária no RN (Anvisa), Paulo César Carvalho, afirma que não houve mudanças nos cuidados de prevenção contra a gripe suína. "Os banners e cartazes estão nas áreas de embarque e desembarque nacional e internacional, não dá para colocar banner no aeroporto inteiro. Mas a tripulação ainda é obrigada a comunicar à Anvisa quando existe algum passageiro com a suspeita da doenças para que nós tomemos os cuidados necessários".