A aliança em torno da candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, daria mais um passo ontem com o jantar para selar o pré-compromisso entre o PT e o PMDB. Sob o comando do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os pontos do acordo foram acertados anteriormente. O PMDB terá lugar na vice-presidência da chapa de Dilma, participará efetivamente da campanha eleitoral e também da elaboração do programa de governo. O nome para ocupar a vice não seria definido ontem. No entanto, o nome mais cotado é o do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP).
Dida Sampaio/AE
Presidente Lula e Michel Temer formalizam o acordo para manter a unidade da base do governo
O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), afirmou que a partir do pré-acordo, a ideia é acertar com outros partidos que apoiam o governo e formar um grande bloco para gerenciar a campanha eleitoral e elaborar o programa de governo.
Lula reuniria no jantar, além de Dilma, os presidentes e os líderes do PT e do PMDB na Câmara e no Senado, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), Temer, os ministros da coordenação política do governo e os ministros do PMDB. Hoje, deverá ser divulgada uma nota conjunta dos petistas e peemedebistas à imprensa.
Ao comentar sobre a definição do pré-acordo, o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), garantiu que os possíveis problemas regionais entre os dois partidos para a formação de palanques não impedirão a coligação nacional. "Há Estados onde o PT e o PMDB não se bicam, mas isso não atrapalha a aliança com Dilma", argumentou Berzoini. "Já dissemos várias vezes ao PMDB que estamos dispostos a estabelecer uma parceria estratégica para governar o Brasil". Diplomático, o petista faz questão de elogiar o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), que também está de olho na cadeira de Lula. "Ciro é nosso amigo e não vamos brigar. Se ele sair candidato, a disputa será feita nos marcos da cordialidade", observou Berzoini.
Nos últimos dias, o Palácio do Planalto intensificou as negociações para fechar as alianças com os partidos que formam a base aliada do governo. A ideia é criar um fato consumado para neutralizar o assédio do governador José Serra, pré-candidato do PSDB à Presidência, sobre os integrantes da coalizão federal, como é o caso do PMDB, que hoje ocupa seis Ministérios na Esplanada e dirige diversas estatais importantes.
"Existe um movimento dos serristas para tentar impedir nossa aliança com o PMDB, mas quero dizer que estamos muito bem", reforçou Berzoini.
Orientada por Lula, a própria Dilma tem se reunido com as bancadas parlamentares. Nas palavras de deputados que já participaram desses encontros, a chefe da Casa Civil faz questão de mostrar que não é apenas "técnica".