Presidente da Urbana alega que não tem como fiscalizar
Publicação: 10 de Março de 2010 às 00:00
O presidente da Urbana, Bosco Afonso, afirmou que é impossível fiscalizar a formação de lixões clandestinos em toda a cidade. De acordo com Bosco, os depósitos de lixo estão localizados principalmente às margens de Natal, o que dificulta a fiscalização. “Depositam lixo por toda a cidade, inclusive nas margens, de noite, de madrugada, em todos os horários. Fica impossível dar conta da cidade inteira”, diz, ressaltando que os maiores depredadores são os carroceiros. O efetivo de fiscais da Urbana tem, segundo Bosco, cerca de 40 profissionais.
Quanto ao atraso no pagamento da Braseco, o presidente da Urbana admitiu a dívida, mas falou que desde o ano passado a Companhia negocia com todos os prestadores de serviço um cronograma de pagamento. A Braseco não quis negociar. “Se eles se recusaram a negociar, imagina-se que é porque têm lastro. Assumimos com dificuldades e fizemos um cronograma que está sendo seguido religiosamente”, diz.
Para tentar conscientizar os carroceiros a Urbana mantém “pontos verdes”, locais para recolhimento do lixo. São três pontos até então: Ponta Negra, Parque dos Coqueiros e no Baldo. A meta é ampliar para 20 pontos até o fim do ano.
Quanto à denúncia de que caminhões terceirizados pela Urbana estariam jogando lixo nos lixões, a companhia negou a informação veementemente através da assessoria de imprensa. E alegou que na verdade, acabar com os lixões tem sido uma verdadeira batalha encampada diariamente pela Urbana.
Alheios a toda a discussão sobre quem tem culpa pela proliferação dos lixões, os catadores continuam lá. Gente humilde que por falta de trabalho e por se recusar a entrar na vida do crime encontra entre os detritos o meio de sobrevivência. Rivelino de Araújo, de 34 anos, passa o dia recolhendo o lixo de restaurantes e separa no lixão do Salgado.
“Até a hora em que Deus ajudar e eu sair daqui. É daqui que sustento toda a minha família”, disse o catador, que informou trabalhar no local há seis anos. Uma questão interessante é que há oito meses foram instaladas três caçambas da “Marquise”, empresa terceirizada pela Urbana, o que acaba institucionalizando o lixão.
Já no lixão da Chesf, Tiago Pereira, 19, encontra motivos para trabalhar com bom humor. Conta que às vezes passa a noite no lixão, esperando caminhões de empresas.