Policiais da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (DEAM) prenderam no final da manhã de ontem, na Favela Guanabara, em Lagoa Nova, o servente de pedreiro Canindé Rodrigues de Medeiros, 27 anos, acusado de ter estuprado quatro mulheres e tentado violentar uma jovem de 21 anos. O preso foi reconhecido pelas cinco vítimas.
O modus operandi, segundo a polícia, era sempre o mesmo: Canindé abordava as vítimas em paradas de ônibus ou dentro de transporte coletivo.
Na noite de quarta-feira passada, por volta das 18 horas, o acusado abordou uma secretária em uma das paradas de ônibus, na avenida Capitão Mor Gouveia, em Lagoa Nova. Com um revólver na mão, obrigou a mulher a cruzar a avenida. Aproveitando a pouca iluminação na região e um matagal, Canindé mandou que a vítima tirasse a roupa e estuprou a secretária. Segundo o Boletim de Ocorrência número 1470/2009 registrado na Delegacia de Plantão da zona Sul, a mulher foi ameaçada de morte diversas vezes.
Roberta Trindade
Canindé Rodrigues diz que não estuprou ninguém
Conforme consta no BO, a vítima ficou durante quase três horas na mira do revólver de cor prateada. Canindé, após consumar o ato deixou a vítima no local. Ao ser socorrida foi encaminhada para a Maternidade Escola Januário Cicco e, posteriormente, para o Itep, onde foi realizado o exame de corpo delito.
A tia da secretária preferiu não ser identificada, mas contou que a vítima tomou um coquetel de medicamentos para evitar doenças e gravidez.
Na Delegacia, o agente de Polícia André Cassiano Ferreira de Queiroz disse que Canindé é um homem frio e calculista. "Um detalhe chamou a atenção de todas as vítimas. O preso tem uma falha em um dos dedos da mão direita. Também falaram dos poucos dentes que ele possui na boca".
Há quatro meses, a polícia registrou um estupro nas proximidades do Cemitério do Alecrim. "Já estávamos investigando ele. Canindé tem passagem pela polícia por roubo e furto, agora vai responder na justiça por estupro e ameaça de morte", frisa André.
Uma das vítimas é universitária. A jovem esteve na Delegacia para reconhecer o acusado. "Ele me abordou dentro do ônibus que faz a linha 21 (Felipe Camarão até a Via Costeira). Sentou do meu lado, anunciou o assalto e me obrigou a sentar no banco de trás. Era 10h30 da manhã do dia 23 de agosto deste ano", lembra.
Aliviada com a prisão do estuprador, a universitária diz que não viu Canindé com uma arma, mas que ele mostrou um pacote volumoso. "Poderia ser um revólver. Fiquei muito assustada. O homem me obrigou a descer do transporte quando o ônibus passou próximo à Maternidade Januário Cicco. De lá, seguimos a pé até o bairro da Ribeira, local onde Canindé me obrigou a entrar em um matagal próximo à agência da Caixa Econômica Federal. Ao perceber que ele iria me violentar, aproveitei um descuido e corri. Pedi socorro para um segurança da CEF. Nem sei como me livrei dele. Quero enfatizar o trabalho dos policiais aqui da DEAM. Estou feliz por Canindé estar preso", frisa.
Em entrevista, o preso afirmou que tem trabalho fixo e exerce a função de servente de pedreiro em uma firma. Questionado sobre as acusações que lhe foram impostas, Canindé garante ser inocente. "Eu não estuprei ninguém. Se elas dizem que sou eu vão ter que provar. Também não estava com revólver nenhum. Cadê o revólver?".
Canindé vai ficar preso na 15º Delegacia de Polícia, no bairro de Ponta Negra, zona Sul da capital.