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Natal, 24 de Maio de 2012 | Atualizado às 08:34

Preso custa 15 vezes mais que aluno ao cofres do RN

Publicação: 06 de Novembro de 2011 às 00:00
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Roberto Lucena - repórter

O contribuinte potiguar paga, por mês, R$ 3,5 mil para manter atrás das grades cada preso do sistema carcerário do Rio Grande do Norte. O valor é alto quando comparado com o que é gasto para manter, por igual período, um aluno dentro da sala de aula. Mensalmente, a Secretaria Estadual de Educação e da Cultura (Seec) gasta quinze vezes menos do que custa um detento. São apenas R$ 233,88 por aluno. A disparidade entre os valores gera revolta especialmente entre os educadores, que questionam a importância dada à pasta.

Emanuel AmaralGenilson Vicente da Silva está preso em Alcaçuz, mas não tem ideia de quanto custa ao Estado. Mas não deve ser muito barato, dizGenilson Vicente da Silva está preso em Alcaçuz, mas não tem ideia de quanto custa ao Estado. Mas não deve ser muito barato, diz
A Seec não faz um acompanhamento mais aprofundado sobre quais os custos gerados por cada um dos 310 mil alunos. As informações estão disponíveis no Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação (Siope) e não descrevem, por exemplo, o custo per capita da merenda escolar. "Colocamos no sistema apenas o total das nossas receitas e despesas. O cálculo é gerado automaticamente, mas não sei como é feito", disse uma funcionária da secretaria que preferiu não revelar a identidade.

Por outro lado, a Coordenadoria de Administração Penitenciária (Coape), subordinada à Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania (Sejuc), conhece quais as despesas que fazem o custo com cada um dos 5.765 detentos ser tão elevado. O coordenador da Coape, José Olímpio da Silva, cita quais são os principais gastos. "A alimentação é o que custa mais caro. Fornecemos a alimentação completa todos os dias. Além disso, somos responsáveis por tudo que se possa imaginar com relação aos presos. Desde um remédio para dor de cabeça até os cuidados antes e após uma cirurgia", diz.

Alimentação, salário dos funcionários, água, energia, manutenção dos prédios, viaturas e locação de veículos. Tudo isso entra na conta da Coape. O coordenador ironiza quando questionado sobre a desigualdade entre os valores gastos com presos e alunos. "A penitenciária é uma escola em tempo integral. Damos café, almoço e jantar".

Os presídios deveriam funcionar como instrumentos de ressocialização dos apenados. Após cumprir a pena imposta pela Justiça, os presos estariam aptos a voltar à sociedade. Mas, do valor usado para custear a detenção de um preso, pouco sobra para investir em atividades que ocupem o tempo e a mente daqueles que estão privados da liberdade. Há alguns poucos bons exemplos. Na penitenciária estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, existe uma fábrica de cartuchos de impressora onde alguns apenados trabalham.

Há também uma fábrica de bolas e quatro vezes por semana uma pequena sala é ocupada por poucos alunos que assistem aulas de português e matemática. É lá que, até setembro passado, o apenado Genilson Vicente da Silva participava das aulas. "As aulas encerraram em setembro e agora voltam próximo ano. Nunca tinha estudado antes. Aprendi a ler e escrever aqui dentro", diz.

Apesar de terem o mesmo sobrenome, o estudante do ensino médio da escola estadual Desembargador Felipe Guerra, Arisson Augusto Silva, não conhece o apenado Genilson. Além do sobrenome, os dois têm em comum o fato de desconhecerem quanto o Governo do Estado gasta, mensalmente, com eles. "Não sei quanto é, mas acho que não deve ser muito barato porque aqui a gente tem a alimentação todo dia, né?", afirma Genilson.

Professores, gestores públicos e profissionais ligados ao Poder Judiciário concordam que para manter a estrutura de 11 unidades prisionais, além dos 28 Centros de Detenção Provisária (CDPs) espalhados por todo o Rio Grande do Norte não é fácil, nem barato. Outro ponto onde há concordância de ideias é com relação à qualidade do serviço oferecido. Se de um lado a escola pública não forma alunos preparados para a vida,  do outro, o sistema carcerário falha na tarefa de ressocialização e acaba contribuindo no processo de marginalização do criminoso. "As cadeias não cumprem com seu papel. O preso acaba fazendo uma pós-graduação no crime. É um contrassenso termos um investimento tão baixo na educação e gastarmos tanto com os presos", afirma o vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Estado, Aldo Medeiros Filho.

Bate-papo

Aldo Medeiros Filho » vice-presidente da OAB/RN

"O gasto com educação deveria ser prioritário"

O sistema carcerário do Rio Grande do Norte sempre despertou preocupação. São inúmeras fugas e o deficit de vagas é muito alto. Como a OAB/RN analisa e vigia essa questão?

A Comissão de Direitos Humanos da OAB/RN está atenta a esse problema. Sempre estamos conversando com o Poder Judiciário para que visitas sejam feitas e observe-se como estão as condições dos presos e acompanhamos as medidas que estão sendo tomadas para melhorar a situação.
E como estão essas condições atualmente?

Infelizmente o que vemos hoje é que os presídios do Estado viraram verdadeiros depósitos de indigentes.

É impossível conseguir ressocializar um preso em um ambiente assim....

O que vemos hoje é que as cadeias se transformaram na pós-graduação do crime. É muito difícil que um detento, ao sair do presídio, não recaia no mundo da criminalidade. As pessoas estão isoladas e aqueles que tem não um acompanhamento adequado acabam recaindo nos erros e voltando à prisão.

A privatização do sistema carcerário do país é uma solução viável?

As experiências com cadeias privatizadas ainda são escassas. E exatamente por isso, não se pode simplesmente trocar um sistema pelo outro. É preciso antes estudar muito detalhadamente todas as implicações que a mudança geraria e os custos disso para o Estado também. Eu pessoalmente acho que a privatização é válida, mas não pode ser aplicada em 100% do sistema.

A Comissão da OAB já conseguiu algum avanço junto ao novo Governo?

Temos um bom relacionamento com o atual secretário de Justiça e Cidadania, Thiago Cortez, e conseguimos alguns avanços. Entre eles, a desativação do Centro de Detenção Provisória das Quintas e a liberação do novo pavilhão de Alcaçuz.

Como o senhor analisa essa diferença entre os custos de presos e apenados?

Acho que é um contrassenso. O gasto com a educação deveria ser prioritário em qualquer governo. Só ele poderia dominuir os custos do sistema prisional.


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comentários

xicomacaiba@...06/11/2011 @ 23h32
Há uma enorme diferença, que não pode deixar de ser levada em conta. Primeiro, no caso do preso é, de fato, um GASTO, pois o retorno para a sociedade é praticamente nulo, ou seja, efetivamente é RETORNO ZERO. Na outra ponta, no caso das despesas com a garotada na Escola, é um INVESTIMENTO de ESTADO. Claro, pode dar errado vez por outra, mas faz parte de todo investimento ter uma margem de risco.
pereirap2005@...06/11/2011 @ 21h36
VERDADEIRA INVERSÃO DE VALORES E AINDA TER DE VER ALGUEM COMPARAR OS CUSTOS COM UMA ESCOLA DE TEMPO INTEGRAL É UM VERDADEIRO ABSURDO. JA IMAGINARAM SE ESSE MESMO MONTANTE FOSSE USADO NA EDUCAÇÃO PUBLICA, NA SAUDE E LÓGICO SEM A FAMOSA ROUBALHEIRA? SERIAMOS O MELHOR PAIS DO MUNDO
jacomegama@...06/11/2011 @ 15h56
Num pais onde so se ve corrupcao, seja no legislativo, no executivo e no judiciario, so podemos espera noticias desta natureza. Investe-se mais no bandido do que na educacao. Muitos alunos encontram bastante dificuldade para frequentar uma sala de aula, enquanto os presidiarios tem um tratamento todo especial, assistencia medica-odontologica e outras regalias que nem mesmo eles dao valor. A meu ver, os presidios deveriam funcionar como local indesejavel e nao como um hotel 5 estrelas como querem os defensores dos "direitos humanos", que nao se importam com os direitos de quem quer estudar!
fha.freitas@...06/11/2011 @ 14h52
é bom que Geraldo,Agripino,Garibalde e wilma tenha lido esta reportagens. pois como ex-governadores poderiam ter envestido mais da educação e com certeza o estado não estaria gastando tanto com presos. que isto sirva de exemplo para nossa governadora. quero agradecer ao ex-governador GGGGGGGGGGERALDO POIS NOS ANOS 80 MANDOU A POLICIA BAIXAR A PORADA NOS PROFESSORES, TÁ VENDO GGGGGGGGGGERALDO O QUE ESTAR ACONTECENDO ?
e-veraldo-o@...06/11/2011 @ 11h19
ENQUANTO ISSO A POPULAÇÃO PADECE, SEM SAÚDE, EDUCAÇÃO E SEGURANÇA...MAS É DISSO QUE OS POLÍTICOS GOSTAM, SÓ ASSIM TEM MAIS OPORTUNIDADES DE ROUBAREM CADA VEZ MAIS. E A BOS.. DO DIREITOS HUMANOS ( QUE DE HUMANOS NÃO TEM NADA), QUE SÓ DÁ DIREITO A QUEM NÃO TEM DIREITO A POR.. NENHUMA. TODA ÁRVORE QUE NÃO DÁ BONS FRUTOS, DEVE SER CORTADA E LANÇADA AO FOGO.
alcidest@...06/11/2011 @ 10h37
Todos nos sabemos que somente com investimento pesado em educação; com profissionais realmente comprometidos; (sera´ que os seus filhos estudam la´?); com governantes sérios e a participação da COMUNIDADE/SOCIEDADE fiscalizando, e´ que teremos uma Escola de verdade, fazendo o seu verdadeiro papel.
alcidest@...06/11/2011 @ 10h36
Todos nos sabemos que somente com investimento pesado em educação; com profissionais realmente comprometidos; (sera´ que os seus filhos estudam la´?); com governantes sérios e a participação da COMUNIDADE/SOCIEDADE fiscalizando, e´ que teremos uma Escola de verdade, fazendo o seu verdadeiro papel.
paulopeada@...06/11/2011 @ 13h32
É uma matéria muito esclarecedora, e que nos faz ver o quanto é importante a educação para o nosso país. Eu sou pai e pago colégio particular para minha filha porque infelizmente nao posso confiar na educação pública, dona Rolsalba e Micarla serão mais 2 que vem e vão e não farão nada para mudar essa realidade, isso me revolta, mas eu sozinho sou como uma gota d'agua limpa no oceano todo manchado de óleo, nunca mudarei essa realidade também. Ótima matéria, meus parabéns ao repórter Roberto Lucena.
ednardoefs@...07/11/2011 @ 07h34
Até quem nunca estudou sabe diferenciar uma coisa da outra, ou seja, o bandido vale mais que o estudante...
pduardo@...07/11/2011 @ 13h12
Aqui é o unico país que vagabundo vale mais que estudantes e trabalhadores, ainda queremos ser primeiro mundo, chega de hipocrisia. Temos uma educação falida seja municipal, estadual ou federal, professores são mau remunerados enquanto o vagabundo recebe auxilio reclusão enquanto a familia que perdeu um enter querido passa privações.
rogerioapbt@...07/11/2011 @ 14h44
Não entendo como o RN quer se tornar um estado com oportunidades e qualidade de vida. Nosso estado, tem que investir na educação do jovem. Dizer que ,no RN, um criminoso, custa 15 vezes mais que um aluno, além de ser atrasado é ,também, muito vergonhoso vergonhoso.
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