Roberta Trindade - repórterEstá preso Fabiano Carneiro da Cunha, 25, conhecido como Pretinho - principal suspeito de ter matado um bebe de sete meses e de ter baleado outras cinco pessoas durante uma festinha, na Vila de Ponta Negra, na zona Sul da capital, no dia 26 de junho. Fabiano foi detido por policiais militares da 1ª Companhia do 4º Batalhão da PM, comandados pelo capitão Iveson Lima de Araújo. A prisão ocorreu no final da manhã de ontem, dentro de uma casa, em Nova República, zona Norte da capital, por força de um mandado de prisão expedido em 1º de julho pelo juiz Cleanto Alves Pantaleão responsável pela 3ª Vara criminal.
Emanuel Amaral
Fábio Carneiro da Cunha, irmão de Fabiano, também foi preso
Além da prisão de Fabiano foram detidos para averiguação Fábio Carneiro da Cunha (irmão), um menor de 16 anos (sobrinho), Adriano Carneiro da Cunha, conhecido como Fio (irmão) e Maria de Fátima Carneiro Cunha (mãe). Todos foram encaminhados para a 15ª Delegacia de Polícia do bairro de Ponta Negra.
Com Fábio e o menor a polícia apreendeu uma pequena quantidade de droga. Ambos foram conduzidos para a Delegacia de Atendimento ao Menor Infrator onde seria lavrado o flagrante.
Segundo os policiais que participaram da prisão de Fabiano, o acusado teria se mudado da Vila de Ponta Negra para Nova República devido o atentado que havia praticado contra os moradores da região. Ele é um velho conhecido da polícia. Já foi preso e condenado por homicídio e era considerado um dos principais traficantes de drogas da Vila. De acordo com o delegado Luiz Lucena que investiga o caso, além das denúncias contra Fabiano a respeito do atentado, no inquérito policial de número 055/2010 consta depoimento de vítimas que afirmam terem sido agredidas por ele (duas mulheres) com tapas no rosto. "Outra denúncia é de que ele cobrava pedágio na região", enfatiza o delegado.
A chegada e a saída de Fabiano na Delegacia foram marcadas por muito tumulto e revolta. Populares se aglomeraram em frente à unidade policial e, aos gritos pediam por justiça e chamavam o acusado de assassino. Para conter os moradores e familiares das vítimas a PM teve muito trabalho. Reforço policial e cordão de isolamento foram necessários para conter os mais exaltados.
A auxiliar de cozinha Alessandra do Nascimento, 21, mãe de Rafael Nascimento (vítima fatal) esteve durante todo o tempo em que Fabiano prestou depoimento em frente à Delegacia. Por vezes ela tentou invadir a Delegacia para agredir o acusado, mas foi contida por agentes da Polícia Civil e por militares. A principal avenida (Manoel Coringa Lemos) que dá acesso à Vila de Ponta Negra foi interditada pelas viaturas do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) para que o acusado pudesse ser retirado (após depoimento) com segurança da DP.
Na noite do dia 26 de junho, algumas pessoas estavam reunidas para comemorar o aniversário de um ano de uma criancinha quando, segundo a polícia, Fabiano e outros dois homens se aproximaram do local em um veículo e começaram a atirar. A ação teria sido provocada porque dias antes um homem identificado como "Gilberto" e outros dois amigos teriam ido até à casa de Fabiano e efetuado disparos contra ele. O preso foi atingido com um tiro na perna.
Mãe se desespera ao ficar de frente com o acusado Alessandra Nascimento, mãe da criança morta estava revoltada. Ela e outros familiares queriam linchar o acusado. A mãe de Rafael, uma moça com pouca estatura, mas com muita força, por várias vezes, se descontrolou. A mulher chorou muito. Dizia insistentemente que desejava que Fabiano mofasse na cadeia. "Ele matou meu filho, acabou com minha vida. Quero que ele fique o resto da vida na prisão. Mofa lá. Mesmo assim ainda não vai aliviar a minha dor".
Mãe de uma outra criança de cinco anos e com uma vida inteira pela frente, a auxiliar de cozinha precisou ser atendida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Ela passou mal a ver o homem que acredita ter matado Rafael e "quase desmaiou".
Além dos parentes que estiveram ao lado de Alessandra durante todo o tempo, a mulher também contou o apoio de boa parte dos moradores da Vila de Ponta Negra.
O homem que é apontado pela polícia como autor da tragédia que vitimou a família Nascimento, em entrevista, foi frio, debochou da imprensa, disse várias vezes que a polícia estava mentindo e negou que tivesse praticado o atentado. Mas não convenceu.
Segundo o delegado Luiz Lucena que foi aplaudido pela população após a prisão de Fabiano afirmou que não tem dúvidas que o rapaz foi mesmo o homem que atirou nos moradores da Vila. "Se eu solicitei o mandado de prisão é porque eu tenho a certeza que ele atirou nas pessoas. Não tenho dúvidas disso".
O capitão Iveson também é da mesma opinião que o delegado. "Este caso chamou a atenção de toda a população. Esse homem é frio e calculista, mas ele não nos engana".
Sobre a rixa que ele (Fabiano) teria com "Gilberto", o preso explicou que ambos eram amigos, mas que "de repente" se tornaram rivais. "Sei lá porque ele quis me matar. Naquele dia (24 de junho) eu estava em casa com minha família e chegaram atirando".
Ainda de acordo com Fabiano para se defender do inimigo ele teria pego uma arma. "Eu peguei meu 38 (revólver) e atirei contra ele, mas não pegou em ninguém".
No dia 26, segundo a polícia, Fabiano sabendo que "Gilberto" estava na festinha foi até lá para matá-lo, mas de acordo com depoimentos de testemunhas, "Gilberto" já havia saído do local".
O preso afirmou que no dia em que houve o atentado na Vila de Ponta Negra, ele estava em Nova República. "Estava na casa da minha família. Eu nem voltei mais para a Vila depois que fui baleado na perna".
Fabiano também foi questionado sobre um outro homicídio que ele teria praticado, mas sobre o assassinato, o rapaz moreno e franzino disse que se alguém (imprensa) quisesse qualquer informação deveria perguntar ao juiz. "Vão lá perguntar para ele. Eu não tenho nada a dizer sobre isso".