Presos aguardam em corredores
Publicação: 11 de Dezembro de 2009 às 00:00
Pouco mais de uma semana após acordo com o Sindicato dos Policiais Civis e Servidores da Segurança Pública (Sinpol), presos continuam em delegacias da capital. Na manhã de ontem a equipe de reportagem da TRIBUNA DO NORTE constatou que o acordo não está sendo plenamente cumprido. Na plantão Zona Sul, presos aguardavam nos corredores a transferência para cadeias públicas.
De acordo com os agentes de polícia civil que prestam serviços nas Delegacias de plantão da capital, a permanência de presos nas delegacias ainda é comum. Eles contam que a Secretaria de Justiça e Cidadania (SEJUC) não está cumprindo totalmente o que ficou acertado com o Governo do Estado. As ocorrências são registradas, porém há demora para a transferência dos detidos para o sistema prisional.
A Plantão da Zona Sul é um exemplo. Desde às 20h da terça-feira (9) dois presos por furto esperavam a liberação para o sistema prisional. Já passava das 8h do dia seguinte e nenhuma providência havia sido tomada pelas autoridades. O agente que estava no local, e não quis ser identificado, conta que fez várias ligações informando a presença de pessoas presas em flagrante, mas não obteve nenhuma resposta. Ele disse que, além de comunicar a Sejuc, ligou também para a Delegacia Geral de Polícia registrando a situação.
Por dia, a delegacia registra, durante o plantão, quatro ocorrências. Foi o caso de Adriano Clésio Silva de Lima, 22, e Nerivaldo Ferreira do Nascimento, 27, presos por furtos no Bom Pastor. Como unidade policial não possui celas, eles tiveram que esperar nos corredores.
A demora na liberação dessas pessoas atrapalha o trabalho dos agentes, pois os mesmos assumem a custódia até que a coordenação do sistema prisional do estado consiga vagas. "Isso atrasa muito o despacho de flagrantes de outras 15 delegacias por termos que esperar muito tempo. Teve um dia que só vieram buscar os presos as 14h", contou um agente penitenciário.
De acordo com a secretária geral do Sinpol, Elza Maria Alves, a morosidade para que os detidos sejam entregues à Sejuc se tornou um problema frequente, mesmo com o acordo firmado entre a secretaria e a categoria. "Várias reuniões já foram realizadas, mas a situação continua a mesma. Deveremos nos reunir mais um vez com a Sejuc para que tenhamos a garantia de que os presos sejam transferidos com mais agilidade", disse Elza.
Elza conta ainda que na Delegacia de Parnamirim sete pessoas ficaram detidas por dois dias sem que fossem encaminhadas para o centros de detenção. A secretária geral do sindicato acredita em uma resistência por parte da secretaria.
O coordenador do sistema prisional do estado, capitão José Deques, rebate as acusações da Polícia Civil dizendo que não faltam vagas nos centros e que estão atendendo a todos. José Deques explica que para que a Sejuc receba os flagrantes é preciso seguir os trâmites legais. "Temos que seguir a lei. Só podemos receber a custódia dessas pessoas se elas tiverem passado por todos os procedimentos cabíveis", explicou o capitão.