Produtores de castanha do RN reclamam do preço

Publicação: 2008-12-31 00:00:00 | Comentários: 2
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QUEDA - Castanha que chegou a ser comercializada a R$ 1,20 o quilo em 2006, hoje vale R$ 0,90

Os produtores de castanha do da região Agreste do Rio Grande do Norte estão reclamando dos baixos preços do segundo maior item da pauta de exportação do estado. A maior parte da produção é vendida para indústrias do Ceará que beneficiam em vendem a castanha processada para o exterior. No entanto, a redução do valor de venda já chegou a mais de 33% nos últimos três anos.

De acordo com o produtor Miguel Arcanjo de Noronha, em 2006, o preço do quilo da castanha estava em R$ 1,20. No ano passado, houve uma queda e o produto passou para R$ 1,05. Neste ano, os agricultores sofreram um novo golpe com o anúncio de que o quilo do produto ficaria entre R$ 0,85 e R$  0,90.

Noronha explica que a principal compradora é uma grande indústria cearense, mas que o restante da produção também é destinada para o estado vizinho. Apenas um pequeno volume é vendido para indústrias instaladas no RN. “Até o ano passado, a explicação para o preço baixo era o dólar que estava em queda. Como preço da castanha estava atrelado a ele, a tendência era diminuir”

O produtor lembra que no ano passado, a moeda americana estava cotada a R$ 1,67. Contudo, os efeitos do câmbio alto registrado nos últimos meses não ajudaram na recuperação do preço do produto. “O dólar está disparado, mas o preço da castanha continua caindo. Isso mostra que a alegação do dólar era balela. Enquanto isso, o quilo da castanha de caju processada para o consumidor dispara nesta época do ano com as festas de Natal”, reclama.

A falta de uma associação ou cooperativa que organize os produtores do Agreste – como o trabalho existente no município de Serra do Mel - é uma das principais dificuldades apontadas por Miguel Noronha que produz castanha há 25 anos e tem propriedades agrícolas em municípios como São Gonçalo do Amarante, Extremoz e Pedra Preta. Ele argumenta que, unidos, os agricultores poderiam lutar até para estabelecer um preço mínimo de venda. Outro entrave é a venda feita a atravessadores, já que a comercialização do safra não é feita diretamente às indústrias beneficiadoras. A estimativa é que uma média de 400 mil quilos de castanha tenham sido vendidas no ano passado para o Ceará.

Como se a queda no preço não fosse suficiente, o produtor estima que em sua propriedade a safra deste ano – colhida entre outubro e janeiro – seja 50% menor que a do ano passado que ficou em torno de 9 mil quilos. Os dados mais recentes da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (Sedec), mostram que de janeiro a novembro deste ano, a castanha de caju ocupava o segundo lugar na pauta de exportações do RN. No período, o item rendeu US$ 41.568.180. O crescimento foi de 12,5% em relação a 2007 quando o volume de vendas chegou a US$ 36.935.168.



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Comentários

  • gusmaorn

    Realmente enquanto os produtores de castanha estiverem negociando com os atravessadores ao invés de comercializar diretamente com a indústria de beneficiamento, não terão poder de barganha algum. È presico que eles se organizem através de associações ou cooperativas planejando ações que resultem em melhores preços para o setor. Uma política de governo para a atividade seria preços mínimos que garantiria ao produtor uma remuneração justa para o produto em períodos de baixa. Assim, não desestimulando a produção e os níveis de emprego e renda no campo.

  • barros

    O atravessador faz aquilo que o produtor da agricultuta familiar ainda não aprendeu a fazer, inclusive pela ausência de ações governamentais voltadas para o setor. Há uma brutal carencia no referido setor de conhecimento e técnicas mercadológicas, que somente a conscientização, a vontade e o assessoramento técnico poderão resolver o problema.