Cleonildo Mello - da Agência Sebrae RN
O município de Vera Cruz, distante 37 quilômetros da capital potiguar, tem a mandiocultura como uma das principais bases da economia local. A cidade possui uma alta concentração de casas de farinha. São mais de 40 unidades, sendo o distrito de Cobé o que abriga a maior quantidade desses estabelecimentos. A comunidade é pioneira na transição do modelo para o padrão industrial das casas de farinha. Por isso, o Sebrae no Rio Grande do Norte está promovendo a capacitação de empresários na localidade até o dia 12, com diversos cursos e palestras orientadas para o segmento. O intuito é estimular a competitividade dos negócios.
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Casas de farinha ganham padrão industrial depois de capacitação no Rio Grande do Norte
A capacitação começou na semana passada com o curso de formação em Técnicas de Vendas, que repassa noções de como comercializar o produto fabricado e estratégias para conquistar novos mercados, considerado o maior desafio dos empreendedores da cidade. "O nosso objetivo é dar ferramentas para melhorar as vendas e percebemos que estamos ganhando mercado cada vez mais", analisa o gestor do projeto da Mandiocultura do Sebrae-RN, Fernando José Medeiros.
Até a próxima semana, um grupo formado por cerca de 30 empresários da cidade, entre proprietários de casas de farinha, comerciantes e Empreendedores Individuais, também terão acesso a palestras motivacionais, sobre atendimento ao cliente e liderança em vendas. As palestras serão ministradas em Cobé e na sede do município. "Queremos que essas empresas sejam competitivas e melhorem a qualidade dos seus produtos. Só assim é possível conquistar novos mercados", disse o diretor Técnico do Sebrae-RN, João Hélio Cavalcanti, aos emprrendedores durante visita ao curso de Formação em Técnicas de Vendas.
Foi devido a capacitações como essa que a empresa de Josélia Alves Oliveira foi modernizada. Há 20 anos, a Farinha Cobé também intrava no rol das casas de farinha que produziam o produto artesanalmente. Mas, em 2009, o quadro mudou. A velha casa de farinha herdada do pai, Cícero Alves, foi ampliada e reformada conforme as exigências da Covisa e demais órgãos fiscalizadores. A mordenização veio depois da capacitação realizada pelo Sebrae na área.
"Agora, estamos trabalhando de forma organizada e conseguimos produzir uma farinha de mandioca conforme as exigências higiênicas e sanitárias, o que nos dá garante uma manipulação segura de alimento", diz Josélia Alves, que administra o empreendimento juntamente com familiares. A área construída aumentou para 240 metros quadrados e a quantidade de material processado também. Em ápice de produção, a Farinha Cobé chega a beneficiar mais de 50 mil quilos de mandioca.
A Farinha Cobé é apenas uma das unidades que seguiram o exemplo da Farinha dos Anjos, também instalada na localidade e considerada a unidade modelo para o setor no Brasil. O projeto de Mandiocultura do Sebrae-RN estimulou a modernização dessas empresas e, hoje, o Rio Grande do Norte já conta com 14 casas de farinhas funcionando como células industriais. Essas minifábricas estão espalhadas principalmente no Agreste Potiguar e na região do Seridó.