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Economia

Natal, 12 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 01:56

Projeto para retomar a Alcanorte divide opiniões

Publicação: 23 de Maro de 2010 às 00:00
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Renata Moura - Repórter de Economia

O projeto de implantar um complexo industrial para produzir energia, tinta, cimento, cloro e barrilha em Macau, detalhado pelo empresário Tersandro Milagres, em entrevista no domingo passado à TRIBUNA DO NORTE, divide opiniões no estado. De um lado, é visto de maneira positiva, por abrir perspectivas de gerar novos empregos e uma possível retomada para a Alcanorte, fábrica projetada há mais de 30 anos no RN para produzir barrilha - matéria-prima para produção de itens como vidros e detergentes - mas até hoje inativa. De outro, é considerado "inviável", por ter como espinha dorsal uma termoelétrica a gás, num momento em que o governo federal prioriza a geração de energia a partir de fontes renováveis.

Luciana BrasilFábrica da Alcanorte foi projetada nos anos 30 para produzir barrilha, mas até hoje está inativaFábrica da Alcanorte foi projetada nos anos 30 para produzir barrilha, mas até hoje está inativa
O ex-presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte, Bira Rocha, lembra que o projeto é semelhante ao do Pólo Gás-Sal, esboçado quando esteve à frente da Fiern. No caso do Polo, a expectativa era produzir barrilha como insumo prioritário, mas também outros produtos como tintas e vernizes. O novo projeto nasceria para produzir os outros produtos primeiro e, numa terceira etapa, chegaria à barrilha. "Mas está ótimo o projeto. Merece aplauso. Só que é preciso atentar para o fato de que precisa de uma coisa básica para funcionar: o gás, para gerar vapor e energia. A Petrobras diz que não tem. Mas é preciso resolver isso. Porque, enquanto não tiver gás, não tem complexo industrial, não tem indústria".

É preciso ter um governo forte, que intervenha nisso, opina Rocha. "O governo tem que mostrar à Petrobras que a estatal também tem que atender os interesses do estado e  não só o interesse dela própria", continua, se referindo ao fato de a Petrobras ter uma termoelétrica no estado e não ter o combustível necessário para abastecer o outro projeto. "A pergunta a se fazer é: o que é melhor para o estado, a Termoaçu (termoelétrica da Petrobras), ou o Complexo? Diria que é o complexo, que geraria uma série de outras indústrias no entorno, que é um projeto estruturante".

Para o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Francisco de Paula Segundo, a quem o projeto foi apresentado pelo investidor no ano passado, o empreendimento seria positivo para o RN, mas é preciso que disputas jurídicas pelo controle da Alcanorte sejam resolvidas. "Fiquei encantado com o projeto porque abre a expectativa de fazer algo que tem mais de 30 anos (Alcanorte) funcionar, de gerar emprego e renda. Os olhos de que gestor não brilhariam diante disso? Mas a pendenga jurídica precisa ser resolvida. Nossa posição é que o grupo que vencê-la, que tiver um projeto sustentável, que vá trazer divisas para o estado, será apoiado. O governo está ansioso para ver aquilo funcionar". 

O secretário de Energia e Assuntos Internacionais, Jean-Paul Prates, diz que, diante das disputas judiciais envolvendo a Alcanorte, a orientação da governadora Wilma de Faria é de que o caso seja estudado, que sejam compilados dados contendo o levantamento dos ativos físicos, financeiros e societários da empresa e que ao final disso tudo se obtenha o compromisso dos legítimos administradores de que irão fazer estudos de viabilidade e apresentar projetos viáveis para a revitalização da Alcanorte. "Queremos saber de fato quem fala pela empresa, quem administra, em que nós podemos ajudar e o que podemos buscar junto ao governo federal ou à Petrobras, por exemplo", explica.

O secretário avalia ainda o projeto apresentado por Tersandro Milagres como sendo "sem pé nem cabeça" e "defasado" por ser focado em uma térmica. "O projeto foi criado num momento em que o governo estava comprando energia produzida a gás, mas o próprio governo federal já tem anunciado que não incentivará mais  térmicas a gás ou a qualquer combustível fóssil".

Questionamento

O presidente da Alcanorte, Thiago de Souza Brasil Pinheiro, enviou e-mail à TRIBUNA DO NORTE questionando a legitimidade do contrato de arrendamento e os fatos detalhados pelo empresário Tersandro Milagres e por Herculano Caiado, diretor afastado da Alcanorte, que também foi ouvido para a reportagem de domingo. Segundo Thiago de Souza, Caiado não pode falar pela empresa, apresentar planos de investimento ou apoiar grupos empreendedores. Thiago de Souza  reforça que a diretoria da qual faz parte foi legitimada pela justiça e que há uma decisão judicial afastando Aloísio Ramos Caiado e Herculano Ramos Caiado da administração da Alcanorte por problemas de gestão, de acordo com os agravos de instrumento de números 2009.0135508-7 e 2009.0135518-8. A reportagem tentou aprofundar a apuração sobre o aspecto judicial que envolve a Alcanorte, mas não obteve todos os dados necessários no site do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte até o fechamento desta edição.

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comentários

kayo.d.andrade@...23/03/2010 @ 00h00
Ano de eleição, eles voltam a tocar no assunto. Ironico, nao?
hpmfilho@...23/03/2010 @ 11h03
Isto é o que podemos chamar de puro desperdio do dinheiro publico. Um projeto, "APENAS UM PROJETO", inviavelmente planejado, cuja execução ja dura 30 anos, sem que esta empresa, com sede propria estabelecida, "UM ELEFANTE BRANCO/CARTÃO POSTAL DE MACAU", tenha gerado ao menos "UM KILO DE QUALQUER COISA", mas que certamente serviu para desvios improprios a sua finalidade. O RIO GRANDE DO NORTE inteiro, conhece bem este desmando, que muito serviu e provavelmente serviu muito bem a interesses de politicos que a criara e já se foram, cujo legado continua sendo o desperdicio pago pela sociedade, ainda não percebida pelo ministerio publico.
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