Quinze. O número não é oficial, mas é a quantidade de mortes estimada pelos moradores de Nova Parnamirim em decorrência de acidentes no cruzamento da avenida Maria Lacerda Montenegro com a rua Carmindo Quadros. O trecho já é famoso pelas colisões e atropelamentos e foi interditado em um protesto da população, na manhã de ontem, após mais um acidente ocorrido na noite de domingo. Um caminhão atingiu um veículo Astra, causando a morte do militar Maxwell Aquino Kitzinger, de 20 anos, e deixando os outros quatro ocupantes do carro feridos.
Júnior Santos
Moradores da avenida Maria Lacerda Montenegro e imediações atearam fogo em pneus como protesto pelo acidente que matou uma pessoa e feriu outras quatro, entre elas uma criança de 5 anos,
Populares montaram uma barricada de pneus e atearam fogo ao material, por volta das 9h, obstruindo o trânsito em parte da pista da Maria Lacerda, no sentido Ayrton Senna à BR-101. Os moradores da região exigem a colocação de um semáforo, ou mesmo o fechamento do cruzamento. "Ou se põe um semáforo de quatro tempos, ou aquelas lombadas extensas e altas, ou então se fecha a passagem e se criam outros retornos", defende o militar da reserva Joaquim Andrade, se dizendo cansado de presenciar tragédias no local.
Moradora das proximidades, a assessora de serviços gerais Ana Karla Soares revela já ter perdido conhecidos em acidentes no cruzamento. "Duas crianças de meu condomínio morreram aqui", diz. Dentre os populares, um dos mais revoltados era o borracheiro Francisco Barbosa. Ele lembrou que em todas as eleições candidatos vão até a avenida prometer melhorias no tráfego. "Eles não fazem nada porque é só pobre que morre, queria ver se fosse um político para ver se não resolviam na hora", criticou.
Um outro popular, Joaquim Andrade, revela que diversas medições foram feitas por equipes do Detran, órgão responsável pelo trânsito na Maria Lacerda, mas não resultaram em nenhuma medida além da colocação de "gelo baiano", barreira que é comumente ignorada por veículos maiores, como ônibus e caminhões. Alguns populares deixaram claro que se nenhuma medida for tomada, novos protestos ocorrerão. "E não vai ser com pneu queimado, vou abrir essa pista de picareta", prometeu um dos cidadãos presentes.
O diretor geral do Detran, Carlos Theodorico, explicou que o departamento já havia tentado controlar o tráfego no local com a colocação dos redutores de velocidade (gelo baiano), mas, diante das ocorrências, técnicos do órgão deverão ir novamente até o trecho, estudar a possibilidade de instalação de um semáforo. Além do cruzamento com a Carmindo Quadros, a Maria Lacerda possui pelo menos outros dois pontos nos quais os acidentes são comuns e muitas vezes graves.
Um deles é a entrada pela BR-101, na qual veículos que vêm da rodovia cruzam com os carros que saem da avenida em direção a Parnamirim, sem qualquer disciplinamento. O outro está localizado na esquina da casa de shows Boulevard, onde diversos acidentes graves também já foram registrados.
Júnior Santos
Moradores da avenida Maria Lacerda Montenegro e imediações atearam fogo em pneus como protesto pelo acidente que matou uma pessoa e feriu outras quatro, entre elas uma criança de 5 anos,
Motorista deve ser solto hoje após pagar fiançaO acidente que resultou na morte de Maxwell Aquino, de 20 anos, ocorreu por volta das 18h10 do domingo. O veículo no qual o jovem se encontrava, um Astra de cor preta, cruzava a avenida Maria Lacerda quando foi atingido por um caminhão que transitava no sentido BR-Ayrton Senna. O motorista do caminhão, Vanílson Constantino da Silva, aparentemente alcoolizado, tentou fugir do local, mas foi preso por populares e levado pela Polícia Militar.
Acusado de homicídio culposo (causado por negligência, imperícia ou imprudência), Constantino poderá ganhar a liberdade hoje com o pagamento de uma fiança de R$ 990.
Os outros ocupantes do carro, Sayonara Pereira, Toni Augusto Camilo, Francisca Santana e Joyce Pereira (essa última uma criança de cinco anos), teriam sido levados para o Hospital Walfredo Gurgel. A transferência foi demorada, pois as vítimas ficaram presas às ferragens do veículo, jogado para cima do canteiro devido à força da colisão. Na unidade de saúde, a informação era de que Francisca e Joyce foram transferidos para hospitais particulares. O corpo do militar foi velado no centro de velório da rua São José e o enterro aconteceu ontem, no Cemitério do Alecrim.