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Jornal de WM

Natal, 24 de Maio de 2012 | Atualizado às 08:34

Quando fevereiro começa

Publicação: 01 de Fevereiro de 2012 às 00:00
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Lá se foram as férias do colunista. Saudades. A coisa boa do fevereiro é que já se foi um mês do ano. Por exemplo: falta apenas 11 meses para terminar o tempo da alcaidessa de Natal, final para o castigo ao qual a cidade foi condenada. E como sofre. Contando direitinho falta muito menos até porque nessa reta tabajara, tempos de eleição em outubro e campanha eleitoral que a antecede, o tempo anda mais rápido. Olhando bem, dezembro está ali. Tanto assim que os enfeites natalinos permanecem nas ruas emendando com a desanimação do Carnaval.

Janeiro nos deu a alegria das primeiras chuvas pelos sertões do Piauí, da Bahia, do Ceará, nos piancós da Paraíba encostados aos cariris cearenses. Também em nossas serras da Chapada do Apodi. As barras animadoras conferindo com as ciências dos meteorologistas. Até mesmo em Queimadas passaram algumas leblinas apontando babugens e renovando o verde das catingueiras, dos pereiros (que se cobrem de neve), das juremas. Já tem quixaba caindo no chão para a alegria das miunças. Aqui e acolá o pessoal vê o riscado no céu dos relâmpagos por cima da Serra de Santana. Há muita esperança de ano bom de inverno.

Peguei janeiro, agora sem a o-brigação de descer à Ribeira, para algumas leituras. Ganhei de Ivoncísio Meira de Medeiros o Dicionário de Luís de Camões, organizado por Víctor Aguiar e Silva, português, que foi professor de Coimbra e da Universidade do Minho, peagadê camoniano. Uma obra monumental na altura do poeta maior. Reúne ensaios (em torno de 200) de 68 especialistas sobre a  vida e a obra de Luís Vaz de Camões, portugueses e estrangeiros, entre eles alguns brasileiros. São  1005 páginas. Cada manhã dou uma bicada. Deliciosa degustação. A obra foi lançada em novembro e me lembro que fiz um registro neste canto de página, a partir de uma nota que li no blogue de Isabel Coutinho, do jornal o Público, de Lisboa.

Ivoncísio andou pela Europa, passou o Natal e o Ano Novo entre Londres, Paris e Lisboa. Imagino-o chegando no Chiado, descendo pela rua Garret, cumprimentando Fernando Pessoa no calçadão de A Brasileira e, mais adiante entrando na Livraria Bertrand para ver os novos lançamentos da editora Caminho. O Dicionário é um deles. Me deu uma inveja danada dessa "flânerie" do Ivoncísio, que está agora nos arremates de um novo livro de pesquisas que passeia pela história política e cultural do Rio Grande do Norte e que vai de Frans Post a Jaime Adour da Câmara, passando pelo Partido Comunista e as eleições de 1945, por aí.

Bom, fevereiro começa com a presidenta Dilma Rousseff visitando Cuba e o Thaiti, duas prósperas ilhas do Caribe.

Do Evangelho

 No finalzinho de janeiro me delicio no saite de Marcelo Dieb, "Meu bem comer", com o soneto de Alex Nascimento, "Evangelho Segundo os Lobos". O poeta, seguidor juramentado de Camões e Shakespeare (há, o soneto inglês!), joga também no time do nosso bom baiano Gregório de Mattos. Confira:

"Comer algas e algos deputados

Ter um carro que dorme com quem sonha

Urubu come o feto da cegonha

Zé Limeira chamava de togados

Com motivos por Deus predestinados

A mulher noutro leito é mais risonha

Ó paixão treinamento da peçonha

Pobre lei que a que prende só culpados

Não se deve punir quem num chiqueiro

Planta flores na lama dos barrões

Busque amor foi bondade de Camões

Ancestral desse povo labrogeiro

Que faz pose e trejeitos de cordeiro

No riacho ipiranga  dos leões"

Livro

Falando em Alex Nascimento, estou sabendo que vai sair a segunda edição de seu livro de estreia, Recomendações a todos, publicado em 1982 com o selo da Coojornat. Esgotadíssimo. Nem Volontê, que sabe de todos os sebos da região, consegue encontrar um exemplar. Esta segunda edição será lançado em abril, puxada pela Caravela Selo Cultural.

Cachaça

A presidenta Dilma Rouseff na sua viagem a Cuba levou na bagagem chocolate e cachaça. Várias garrafas de cachaça. A notícia foi dada por Ancelmo Gois em sua coluna de o Globo. O chocolate é para Fidel Castro. O ex-ditador  adora. Já a cachaça é para o presidente Raul Castro, degustador da branquinha. Dilma levou algumas garrafas de Havana, a grande cachaça destilada em Salinas, Minas Gerais. Muito bom gosto.

Uma garrafa de Havana está va-lendo coisa de 300 a 400 reais. Vale quatro litros de Old Parr, 12 anos.

Assembleia

A Assembleia Legislativa do Estado encerra suas férias e reinicia dia 15 seus trabalhos. Sessão solene com a presença da governadora Rosalba Ciarlini que lerá a sua Mensagem Anual, a segunda do seu  governo. Muita expectativa em torno da palavra da governadora.

Chuva

As chuvas diminuíram de intensidade no Ceará, mas continua caindo por lá. Ontem choveu em alguns municípios do Cariri. Teve chuva de 30 milímetros. O CEPTEC está prevendo chuvas, para amanhã, em várias partes do sertão nordestino.

Nelson Rodrigues

2012 é ano do centenário de nascimento de Nelson Rodrigues um dos gênios da literatura brasileira, nosso maior dramaturgo, fera da crônica. A revista Bravo, de janeiro, traz Nelson na capa, abrindo "O ano Nelson Rodrigues". Os textos são assinados por Marcella Franco, Valmir Santos e Paulo Nogueira


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