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Natal, 25 de Maio de 2012 | Atualizado às 10:48

Quem tem medo dos direitos gays?

Publicação: 08 de Maio de 2010 às 00:00
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Alípio de Sousa Filho - Professor da UFRN

Não é novidade e igualmente não é estranho que conservadores e reacionários se manifestem todas as vezes que transformações sociais e políticas, jamais pensadas por eles, alterem leis, instituições e convenções sociais e morais que acreditavam imutáveis. Atualmente, na sociedade brasileira, torna-se possível verificar a reação conservadora a propósito de importantes modificações em âmbitos diversos, mas talvez nenhuma outra mudança incomode tanto quanto a materializada pelo avanço dos direitos gays e por políticas públicas voltadas a lésbicas, gays e travestis e transexuais implementados pelas diversas esferas do poder público no país. 

A irritação conservadora leva a que os cães de guarda da moral rabugenta (fonte de opressões, discriminações e violências praticadas contra muitos) ataquem governantes, parlamentares, militantes, cientistas e intelectuais por suas decisões, iniciativas e posicionamentos críticos em defesa de grandes parcelas da sociedade que permanecem discriminadas e excluídas: entre outros, negros, homossexuais, travestis, transexuais, indígenas e mulheres.

No tocante especificamente à questão gay, temos uma verdadeira cruzada moral dos conservadores contra diversas iniciativas importantes do governo federal, em programas de ministérios, secretarias, contra iniciativas de governos estaduais, de deputados e senadores que, entre outros programas e projetos de lei, criaram o Brasil Sem Homofobia, medidas administrativas que reconhecem os direitos gays ou propõem, em projetos de legislação, o estatuto de casamento para as uniões homossexuais ou a tipificação do crime de homofobia. Visando instalar o pânico moral, os conservadores, em seu fundamentalismo, pretendendo subordinar o Estado, o Direito e a Lei a crenças religiosas e convicções morais particulares, atacam essas iniciativas, qualificando-as de "escândalo", "decadência", "tentativas de institucionalização de aberrações sexuais", "legitimação de condutas indecentes", entre outras pérolas do discurso ideológico-conservador, que, de tão atrasado, faz rir. Ora, se há que se falar de decadência, que esta seja entendida como a reação conservadora a transformações que colocarão o Brasil ao lado das nações civilizadas do mundo que já instituíram os direitos gays: Espanha, França, Alemanha, Suécia, Holanda, entre outros. A sociedade brasileira não pode, por decadência de seus conservadores rabugentos, ficar ao lado de nações como Malauí, Uganda e Irã que praticam atrocidades contra homossexuais, delas como prisão e pena de morte, por pretendida defesa da moral, da decência e de valores religiosos. E por qual razão há que se admitir valores religiosos (sempre particulares, são diversas as crenças religiosas, e, na sociedade, há os que nenhuma religião professam!) para definições da lei, do direito e para conceitos e práticas da sexualidade? Por que cargas d'água terá o indivíduo (qualquer ele) que ver seus direitos (em todos os âmbitos) subtraídos em razão de crença religiosa alheia?

Por fim, desesperados, reconhecendo que não haverá retrocesso, os conservadores alardeiam sua histeria, proclamando que gays, lésbicas e travestis, com apoio de governos, políticos e intelectuais, instituirão cenas "aberrantes" de carinhos gays em público e ainda levarão à prisão todos aqueles que ousarem hostilizá-los por isso. Que querem os conservadores: o direito de insultar, agredir, discriminar, violentar (como sempre fizeram até aqui!) gays, lésbicas, travestis e transexuais, impedindo-os de exercerem livremente seus desejos e afetos, publicamente, como podem fazer aqueles a quem certa moral dominante chama de heterossexuais e entrega a estes todos os direitos? Não!, fiquem certos, senhores conservadores, daqui por diante, não será mais assim: leis e novas mentalidades, no Brasil e em diversas partes do mundo, impedirão a discriminação homofóbica e assegurarão liberdades e direitos devidos aos homossexuais, travestis e transexuais!

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comentários

friend_martins@...09/05/2010 @ 15h39
Muito engraçado as coisas que acontecem na pretensa aberta sociedade hodierna mundo afora e no Brasil, uma nova mentalidade pós-moderna, sem religião muitas vezes, mas cheia de crenças e valores quase sempre muito confusos. Uma delas a questão acima colocada por Alipio. Esta semana vi no Portal G1 que um pregador cristão foi preso, isto mesmo, pasmem, preso por opinar, supostamente em público (diante de algumas pessoas) que era contra a união gay na Inglaterra e que entendia que Deus, o Deus da Bíblia a que ele tem por regra de fé diz que é pecado! Ora, pergunto a sr. Alipio, na sociedade que vocês estão propondo não há espaço para a discordância? Agora todos terão de concordar com este comportamento? Vamos agora sair colocando na cadeia quem é contrário ao casamento homossexual, seja por motivo religioso ou outros valores? Se é esta sociedade que vocês estào querendo implantar, não acredito que ela obterá sucesso. Discordar, sr. Alipio, está bem longe de Discriminar (é o que normalmente as entidades de defesa dos direitos dos gays dizem na mídia - e isto já vi muito). Os homossexuais, os travestis, as prostitutas, os beberrões, os heterossexuais, os da Direita, os da Esquerda, os Pregadores Cristãos, os Ateus: todos têm o direito de viver a vida que querem, só não podem agredir o direito alheio nem tampouco pretender estar livre da Discordância (afinal, é por causa do Direito de Discordar que o Sr. Alipio e outros têm espaço na mídia para expor sua opinião). Já não se poderá mais defender um estilo de vida? A liberdade de vida pessoal é um dos maiores legados do Cristianismo para a sociedade Ocidental. De que se queixam ainda? Claro que somos contra a marginalização, a discriminação, seja da prostituta ou do homossexual, da criança pobre e do órfão. Mas deixem os Pregadores pregarem a Palavra de Deus!!
josealdyr@...08/05/2010 @ 21h49
O Professor Alípio detém a honra de expressar, com bastante lucidez e classe, a voz daqueles que, ao longo da história, estiveram sempre à mercê da boa (má) vontade dos que legislam a serviço de um conservadorismo que contraria os verdadeiros princípios de dignidade, como obrigados fossem a deglutirem a absurda idéia de desqualificação social, de vítimas, de aguardadores da pseudo-piedade dos que sempre os abominaram. Os argumentos do renomado professor, respeitado e reconhecido no meio acadêmico pela sua competência, conduzem o assunto de forma lúcida, coerente e claramente benéfica à reflexão de todos os lados: dos que pretendem conservar a discriminação, dos que estão dispostos a repensar os seus (pre) conceitos e dos que direta e indiretamente estão envolvidos com a causa.
josenildo.2009@...08/05/2010 @ 13h51
caro colega! em parte por um instante, pensei em concordar contigo; mas o que está dentro de mim é maior do que o que está no mundo, DEUS é maior do que tudo isto, quero dizer, as práticas abomináveis do homem diante de DEUS, e isso não é questão de religiosidade não, DEUS não está preocupado com a minha e nem com a sua religião, pode está certo disso. DEUS deu o seu filho unigênito para todo aquele que nele crê, não pereça mas tenha a vida eterna. em primeiro lugar devemos crê num DEUS TODO PODEROSO que fez o céu a terra e o mar e tudo o que nele há, se vossa senhoria não tem considerações pela palavra que está escrita na bíblia, paciência ninguém pode forçar. a questão é amar o próximo por isso orientamos.
assisoliveira_@...08/05/2010 @ 13h44
Meu caro professor, Alípio de Sousa Filho, você tem todo direito de escrever o artigo que quiserem e eu como leitor também tenho o mesmo direito de ler e falar a realidade do que penso. Infelizmente, o governo brasileiro parece estar sem vontade de abrir os olhos para as conseqüências que sua resolução provocará. Thomas Jacobson, analista de políticas da ONU na Focus on the Family (entidade evangélica fundada pelo Dr. James Dobson), disse que a resolução ameaça conceder aceitação mundial ao homossexualismo e sua aprovação colocarão milhões de crianças em perigo. Jacobson afirmou: "(Isso levaria a uma promoção mundial da pedofilia por quer todo gay só gosta de transar com criança e adolescente), pois nos documentos da ONU não há nenhuma restrição de idade, sexo ou casamento na área de direitos sexuais" O PL 122/2006 sendo aprovada, daqui uns dias está sendo aprovada a legalização das drogas, jogos de azar, abortos e outros. ?Querem calar a boca dos cristãos para impedir que falemos a verdade, que está na Bíblia. Nós amamos os homossexuais, porque são nossos irmãos, mas não amamos o homossexualismo. Não aceitamos discriminação de ninguém, mas não aceitamos sermos discriminados em nossas convicções religiosas?. Vivemos num país democrático onde só o crime pode ser discriminado. Se alguém rouba (em nome de Deus, em função de poder público, ou arranjos empresariais) que haja ação penal e que se cumpra a lei. Agora vir dizer que este ou aquele grupo é pior por que aparenta riqueza, não é o suficiente. Os homossexuais têm o direito de ser o que quiserem, mas as pessoas têm o direito de achar que homossexualismo não é legal, assim como eles têm o direito de dizer que os heteros não estão com nada. O que tem que haver é atenção para que não se transgrida o direito um do outro com ofensas utilizando o direito de opinião. Deus não deu procuração a ninguém para falar em nome dele, exceto à Bíblia ? que muitos julgam ser a Palavra de Deus, embora outros (no seu direito) achem que é conto da carochinha. Quem tiver razão, ao final de tudo, terá, ainda que possam ser julgados mal por este ou aquele grupo. Esse PL 122 é uma aberração e uma ofensa ao direito de opinião. Se passar vai criar um monstro e o Brasil precisa acabar com esses monstros que já existem e não criar mais um. ?Atribuem ao pensador francês Voltaire (François Marie Arouet) uma frase que representa muito bem o que está em jogo nesse momento. ?Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-lo.?
tenninshi@...08/05/2010 @ 12h52
Parabéns pelo artigo, que demonstra o quanto precisamos nos ajustar ao tão chamado Século XXI. Respeitar os direitos inerentes as pessoas é uma premissa básica e, idealmente falando, ainda é triste que tenhamos que criar Leis para garantir algo tão básico quanto o respeito. Mesmo assim, é muito revigorante ver que estamos caminhando rumo a paz e sociedade mais justa que tanto clamamos ao longo do século. A sexualidade não é garantia de boa índole, nunca foi, mas saber respeitar é! Parabéns mais uma vez, professor Alípio.
marcovon@...09/05/2010 @ 22h25
UM DIA A FATURA CHEGA....O PREÇO VAI SER CARO DEMAIS...AI DE QUEM ESTIVER DEVENDO....
jbatista0803@...09/05/2010 @ 20h39
Meus direitos não serão subtraidos pelas crenças dos outros, crenças essas que eu não compartilho. Viva a diversidade sexual.
lirapaiva@...10/05/2010 @ 13h27
Professor Alípio, que texto maravilhoso, palavras ditas dessa forma resgatam aos poucos a dignidade das pessoas homossexuais.
janielsonvirtual@...11/05/2010 @ 10h11
Li os comentários e fiquei chocado com o que vi(nos casos de antagonia ao artigo do professor Alípio), são pessoas conservadoras que tentam justificar por meio de um discurso idelógico religioso, a opressão, a prática de dominação, a intolerância, o que vai totalmente contra os direitos humanos, em um discurso arbitrário do que eles chamam de "estilo de vida" e pregando que "A liberdade de vida pessoal é um dos maiores legados do Cristianismo para a sociedade Ocidental", tá!... Então como justificamos o ataque a projetos de leis que visam simplesmente o direto de seres humanos? É meus caros temos realmente que rever nossos conceitos(se é que podemos chamá-los assim). Parabéns profº Alípio, e abaixo aos cães de guarda da moral rabugenta!
josuces@...12/05/2010 @ 13h10
Cruzes, ainda bem que eu não moro no Rio Grande do Norte, pessoal aqui tem a mente muito pequena.. Alguem que escreve: "foi preso, pasmem" fala sério né!! parecem a Cleyciane , a evangêlica loura em cristo.
oliveira.cliff@...23/05/2010 @ 21h45
Nada pode estar acima do respeito ao ser humano, que é bem maior do que suas preferências sexuais, alimentares, religiosas e até esportivas. Fé não é desculpa para ser cego.
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