Rapaz se apresenta na 8ª DP
Publicação: 16 de Março de 2010 às 00:00
Se apresentou espontaneamente, ao lado do advogado, o carroceiro Antônio Carlos de Oliveira Viana, 23 anos, na 8ª Delegacia de Polícia da Cidade da Esperança. Antônio Carlos confessou ter matado o irmão dele, Domingos Oliveira Viana, 24, na frente da casa dos pais, localizada no cruzamento das ruas dos Caicós com a Antônio Basílio, no bairro de Governador Dix-Sept Rosado. O assassinato aconteceu no dia 5 de março e o carroceiro, livrado do flagrante, foi liberado após depoimento.
Domingos Oliveira, conhecido como Gugu, era conhecido na área onde moravam os pais dele. Viciado em crack há cinco anos, ele já tinha passagens pela polícia por assalto e, inclusive, também era acusado de já ter agredido várias vezes alguns familiares, entre eles, o próprio pai, José Carlos de Oliveira Viana, 65, dono de um armazém de material de construção. "Meu pai já quase perdeu um olho devido a uma surra que levou do Gugu. Ele também já havia tentado matar um funcionário do depósito e vivia ameaçando minhas irmãs menores", afirmou Antônio Carlos.
Na sexta-feira, 5, Gugu chegou em frente à casa dos pais para, mais uma vez, pedir dinheiro. Como não os encontrou na residência, atravessou a rua e foi até à casa onde morava Antônio Carlos com a noiva - nome não divulgado. Pediu dinheiro e Antônio Carlos deu, mesmo sabendo que era para sustentar o vício na droga. "Dei R$ 20 para ele ir embora, mas ele continuou lá. Disse que queria ter uma conversa muito 'séria' com meu pai", afirmou o carroceiro.
Antônio Carlos voltou para casa onde morava, mas continuou ouvindo o irmão gritar o nome do pai no meio da rua. "Falei com ele novamente, nós brigamos e, como eu sabia que ele sempre andava armado, puxei uma arma primeiro e atirei", confessou. O carroceiro fugiu a pé do local enquanto Gugu agonizava no canteiro central da rua dos Caicós.
"Depois da morte dele, eu me mudei para o interior (cidade não revelada) porque na rua onde eu moro tem muito vizinho que conhece Gugu e era companheiro dele nas drogas. Eles podem querer vir atrás de mim", revelou Antônio Carlos, que trabalhava com o pai entregando material de construção utilizando, para isso, uma carroça.
Antônio Carlos e Gugu tinham sete irmãos - dois homens e cinco mulheres. Nenhum outro tem envolvimento com drogas. A arma utilizada para o assassinato, um revólver calibre 38, não foi entregue à polícia e, aconselhado pelo advogado dele, Iran Padilha, Antônio Carlos não afirmou como a conseguiu. "Estava com ela porque sabia que Gugu andava sempre armado", justificou.
Mesmo tendo confessado a morte do irmão e ter mudado de endereço, Antônio Carlos foi liberado após prestar depoimento. "Ele não tem antecedentes criminais e tenho informações de que é uma boa pessoa. Para mim, não representa um risco social, se mostrou arrependido pelo que fez e vamos deixar para a promotoria ou para o juizado pedir a prisão preventiva dele, se achar necessário", afirmou o delegado Natanion de Freitas, da 8ª DP.