Regime sírio está chegando ao fim

Publicação: 20 de Julho de 2012 às 00:00

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Roma (AE) - O regime da Síria está em seus últimos dias, afirmou ontem o chefe do Conselho Nacional Sírio, Abdel Basset Sayda, avisando que o veto da China e da Rússia no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) pode ter consequências “desastrosas”. Ele fez as declarações após conversas em Roma, na Itália, com o ministro das Relações Exteriores, Giulio Terzi. Sayda afirmou que o sistema da ONU está “ultrapassado”, com uma série de regras que datam de antes da Segunda Guerra Mundial e “que não refletem as necessidades de nossos tempos”. “Não podemos permitir que um regime ilegítimo massacre sua população”, afirmou.
vadim ghirda/ap/aeManifestantes sírios participam de ato de protesto em frente à embaixada russa em BucaresteManifestantes sírios participam de ato de protesto em frente à embaixada russa em Bucareste

A resolução ameaçaria a Síria com sanções. A Rússia acusou as nações ocidentais de estarem preparando uma intervenção militar, enquanto Washington informou que agora trabalha fora do Conselho para confrontar o presidente Bashar Assad. “Devemos quebrar esse círculo vicioso e pedir aos Amigos da Síria, órgão que inclui cem países e tem legitimidade internacional, a entrar na questão e falar com o regime com uma voz unânime”, disse Sayda.

Funcionários de segurança iranianos afirmaram que rebeldes sírios tomaram ontem o controle  do posto de fronteira de Albu Kamal, que fica entre o Iraque e a Síria. “Ao meio-dia (horário local), os conflitos tiveram início. À tarde, vimos a bandeira síria ser recolhida e, no lugar, ser colocada a bandeira do Exército Livre da Síria”, disse um tenente-coronel da polícia de fronteira iraquiano, falando sob condição de anonimato. Outro funcionário de segurança do Iraque em Albu Kamal confirmou que o posto foi tomado pelos rebeldes sírios.

O brigadeiro-general iraquiano Qassim al-Dulaimi informou que rebeldes mataram 21 guardas de fronteira sírios perto da fronteira norte do país com o Iraque. O militar disse que os confrontos aconteceram num remoto posto de fronteira nas proximidades das montanhas de Sinjar. Segundo ele, 20 soldados sírios e seu comandante foram mortos.

Os confrontos ocorreram no momento em que os rebeldes tomaram a principal passagem de fronteira com o território iraquiano, ao sul, perto da cidade iraquiana de Qaim. Segundo Al-Dulaimi, forças iraquianas estão em alerta e transferiram soldados para a fronteira para evitar que a violência se espalha para o Iraque.

O Observatório Sírio pelos Direitos Humanos, grupo sediado em Londres, informou também que uma passagem de fronteira Síria e Turquia foi tomada pelos rebeldes. “Combatentes rebeldes tomaram o controle da passagem de Bab al-Hawa (na província de Idlib, noroeste do país) com a Turquia”, disse o grupo, acrescentando que os rebeldes removeram uma fotografia do presidente Bashar Assa que estava no posto fronteiriço.

Ontem, mais um general sírio cruzou a fronteira da Turquia, elevando para 21 o número de generais que seguiram para o país vizinho. “Mais um general cruzou a fronteira turca, tornando-se o terceiro alto oficial a vir para a Turquia nos últimos três dias.” A Turquia foi o país escolhido por dezenas de desertores que entraram no país e formaram o Exército Livre Sírio, grupo opositor ao governo de Assad.

Na segunda-feira, um general sírio e vários soldados cruzaram a fronteira e dois generais de brigada fizeram o mesmo na noite de terça-feira. Ontem foi dia de protestos da comunidade síria em Bucareste, capital da Romênia. O ato foi realizado em frente à embaixada russa.

Governo Assad usa artilharia pesada

Forças do governo da Síria atacaram rebeldes com helicópteros e bombardeios em Damasco nesta quinta-feira, em retaliação à audaciosa operação realizada um dia antes e que matou três figuras importantes do regime do presidente Bashar Assad. Milhares de sírios estão atravessando a fronteira com o Líbano para fugir do quinto dia seguido de confrontos na capital. Moradores da área fronteiriça de Masnaa, cerca de 40 quilômetros de Damasco, afirmaram que centenas de carros, táxis e ônibus estão transportando pessoas para fora do país.

Segundo uma fonte de segurança libanesa, mais de 18.600 sírios, muitos provenientes da capital Damasco, cruzaram a fronteira para o Líbano. O Exército utilizou morteiros e metralhadoras nas batalhas contra os rebeldes em diversos bairros da capital, disse o Observatório Sírio de Direitos Humanos. Aumentando ainda mais o caos, a emissora de TV estatal alertou os cidadãos para o fato de que atiradores estariam se disfarçando com uniformes militares para realizar ataques contra a população.

Muitos moradores deixaram o bairro de Mezzeh após tropas cercarem a localidade e colocarem francoatiradores nos telhados. O Observatório, que utiliza uma rede de informantes rebeldes dentro da Síria, afirma que um helicóptero foi danificado e três veículos militares destruídos. Rebeldes também lançaram granadas em uma delegacia na área de Jdeidet Artouz, matando pelo menos cinco policiais, disse o a organização.

A explosão de ontem matou o ministro da Defesa, Dawoud Rajha, e seu vice, general Assef Shawkat, cunhado de Assad, além de deixar vários feridos, entre eles o ministro do Interior, Mohammed Shaar, e o major-general Hisham Ikhtiar, que preside o Departamento de Segurança Nacional. Segundo a emissora de televisão, o estado dos dois é estável.

Assad fez hoje sua primeira aparição pública desde o atentado, mas não falou sobre o assunto. O presidente pôde ser visto pela televisão estatal durante a posse do novo ministro da Defesa. Ele parecia calmo apesar de suas forças terem transformado partes de Damasco em zonas de combate e rebeldes tenham tomado postos de fronteira.

Analistas dizem que o regime está claramente abalado pelo fato de a violência ter atingido o centro do poder em Damasco, mas não está claro quais serão as próximas medidas do governo.


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