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Brasil

Natal, 24 de Maio de 2012 | Atualizado às 09:11

Rio contabiliza 446 mortos pelas chuvas

Publicação: 14 de Janeiro de 2011 às 00:00
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Rio (AE) - À medida que as equipes de resgate avançam por áreas devastadas pelas chuvas, a tragédia na região serrana do Rio ganha contornos ainda mais dramáticos. As prefeituras contabilizam 446 mortos em quatro municípios - Teresópolis, Nova Friburgo, Sumidouro e Itaipava (distrito de Petrópolis). São 8.320 desalojados (retirados de suas casas) e 6.270 desabrigados (que perderam suas casas). Os números ainda podem crescer drasticamente nos próximos dias. Em Teresópolis, a prefeitura não conseguiu chegar a três bairros muito castigados pelas chuvas.

vladimir platonow/abrEstrada de acesso a Campo Grande, em Teresópolis, foi destruídaEstrada de acesso a Campo Grande, em Teresópolis, foi destruída
Há cidades completamente isoladas. São José do Vale do Rio Preto, próximo a Teresópolis, está ilhada. Telefones não funcionam e a estrada de acesso está interrompida por quedas de barreira. Pelo menos 60 casas foram arrastadas pelas águas do Rio Preto, que corta a cidade. Ainda não há nem estimativas do número de mortos na cidade que ficou conhecida graças a uma música de Tom Jobim. Foi lá, às margens do Rio Preto, onde passava longas temporadas, que Tom compôs "Águas de março". A casa do filho de Tom, Paulo Jobim, foi atingida pela enxurrada. Mas não havia ninguém lá na hora da tragédia. Outras cidades atingidas, onde há milhares de desalojados, foram Bom Jardim, Areal e Sapucaia.

A presidente Dilma Rousseff visitou Nova Friburgo ontem acompanhada por seis ministros e pelo governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). Dilma anunciou "ações firmes".

As Forças Armadas também mandaram reforços. Mais de 20 caminhões com tropas do Exército e da Marinha chegaram a Nova Friburgo para ajudar na reconstrução. Até ontem, a cidade continuava sem luz e sem água. Há uma crise de desabastecimento na cidade. Levas de moradores começaram a deixar suas casas. As equipes de resgate encontraram os corpos de dois bombeiros que foram soterrados quando tentavam retirar vítimas dos escombros.

Com a chuva que voltou a cair forte no final da tarde, Roberto Robadey, coordenador da Defesa Civil de Nova Friburgo, recomendou a paralisação das buscas diante da ameaça de novos deslizamentos. A previsão do tempo não é boa para a cidade. "Recebi um aviso de que deve chover mais de 180 milímetros até a meia-noite de sexta-feira (hoje)", disse Robadey. Na noite da tragédia, as chuvas chegaram a 240 mm.

A reconstrução das áreas atingidas será longa e exigirá recursos milionário. Só em Teresópolis, o prefeito José Mário Sedlacek calcula que serão necessários pelo menos R$ 560 milhões (Felipe Werneck, Marcelo Auler, Márcia Vieira, Pedro Dantas, Bruno Boghossian, Kelly Lima, Roberta Pennafort, Bruno Lousada)

"Como vou ter meus filhos de volta?"

Teresópolis (AE) - O casal Marilza dos Santos Fisher e Jean Carlos Delfino Afonso, ambos com 38 anos, se preparavam para amanhã casar a filha primogênita, Aline, de 20 anos, que há dois anos e meio namorava o jovem Thomas Queirós, de 18 anos. Dois dias antes da festa programada, eles viveram uma realidade muito diferente e bastante dura: na manhã de ontem enterraram no cemitério municipal de Teresópolis o corpo de Aline e de dois outros filhos, Cíntia, de 17 anos, e Jean, de 9.

A cena comoveu não apenas pelo drama do casal, mas também pelo cenário no cemitério. Os três foram as primeiras vítimas das chuva a ocupar as 180 covas rasas abertas para abrigar os mortos. Até o início da noite, 30 dos 175 mortos tinham sido enterrados, mas o cemitério funcionaria até as 22h para agilizar os sepultamentos.

O casal estava com os três filhos na casa da família, no bairro Fisher, junto à BR-116, onde residiam há mais de 20 anos. A chuva trouxe uma avalanche de terra que soterrou o chefe da família no seu quarto. "Não consegui fazer nada, fiquei preso e nem tive forças para me soltar", explicava ontem o torneiro Jean.

Marilza, ontem, mal conseguia falar. Jean tentava mostrar resignação, agarrando-se na fé: "Agora é pedir a Deus para nos fortalecer. Não tem dinheiro, não tem nada Só Jesus. Ficamos eu e a esposa, sem casa, sem carro, sem nada. Casa e carro, trabalhando conseguiremos de novo. Mas como vou ter meus filhos de volta?".

Dilma promete socorro e cuidados

Rio (AE) - Com semblante fechado e se dizendo bastante sensibilizada com o que viu na visita que fez a Nova Friburgo, a presidenta Dilma Rousseff declarou que sua vinda ao Rio teve como objetivo garantir a realização de ações concretas conjugadas com o Estado e os municípios para "aliviar, socorrer, amparar e cuidar das vítimas". As Forças Armadas poderão ajudar na reconstrução do que a chuva levou.

"É um momento muito dramático, as cenas são muito fortes, e é visível o sofrimento das pessoas. O risco é muito grande", disse a presidente, em sua primeira ação pública após a posse. Ela ressaltou que será necessário um esforço muito grande para reerguer as áreas atingidas. "Em tese, este não é o papel das Forças Armadas, já que há empresas nacionais especializadas para recompor esta infra estrutura. Mas se for necessário, colocaremos à disposição".

Dilma citou o ex-presidente Lula ao lembrar ações preventivas às quais dará continuidade e lembrou que o governo vai destinar R$ 11 bilhões para ações de saneamento, drenagem e política habitacional, dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A presidente pousara em Nova Friburgo após sobrevoar a cidade por cerca de 40 minutos, na companhia de ministros e do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB).

O governador, que não havia dado declarações sobre a tragédia, participou de entrevista coletiva ao lado de Dilma à tarde. De manhã, nas primeiras declarações sobre a devastação, afirmou que a "tragédia anunciada" se deveu a uma combinação da intensidade inesperada das chuvas com a ocupação irregular das encostas. Ele criticou "políticos demagogos" que evitam coibir, ou até estimulam, as construções ilegais em áreas de risco, em troca da simpatia da população mais pobre.

"Nós, do governo do Estado, estamos protagonizando o apoio à população, mas é evidente que desde 1988 a Constituição Brasileira diz que solo urbano é responsabilidade da municipalidade. Nos últimos 25 anos, houve uma ocupação de maneira absolutamente irresponsável"

Estoque do comércio acaba em Nova Friburgo

Nova Friburgo (AE) - Dono de uma mercearia na Praça Getúlio Vargas, no centro de Nova Friburgo, Jefferson Huback foi um dos poucos a abrir as portas de seu negócio ontem. Ele conta que, em duas horas, vendeu a quantidade de produtos, principalmente água, que está acostumado a vender em uma semana.

"Já acabou meu estoque de água e as outras mercadorias também estão chegando ao fim. Depois, não sei como vai ser. Acho que até domingo (16) não vai ter mais nada", disse ele. "Se todo o comércio continuar fechado, as pessoas vão entrar em desespero "

A loja é uma exceção. A cena mais comum é a de portas cerradas na região, seja por medo de saques, por falta de energia elétrica ou de condições de atendimento, devido aos estragos causados pela chuva. Circulam na cidade boatos de que estabelecimentos teriam sido saqueados, mas a polícia não confirmou a informação.

"Muita gente não abre, com medo de saque. Eu abri para limpar, o pessoal procurou muito e mantive aberto, mas perdi muita coisa por causa da lama", afirmou o comerciante.

Vítimas da chuva podem sacar parte do FGTS

Brasília (AE) - Os trabalhadores que vivem nas áreas afetadas pelas fortes chuvas poderão sacar a partir de hoje até R$ 4.650,00 do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, no entanto, vai solicitar à presidente Dilma Rousseff a publicação de um decreto reajustando o limite para R$ 5,4 mil. O valor equivale a dez salários mínimos, conforme medida provisória (MP) publicada no Diário Oficial em 31 de dezembro.

Segundo Lupi, a Caixa Econômica Federal (CEF) está preparada para atender à demanda dos trabalhadores de todos os municípios que tenham decretado estado de calamidade pública - o pedido precisa ser reconhecido pelo Ministério da Integração Nacional. O ministro não soube informar quantas cidades já estão aptas a receber o benefício. "Infelizmente, são medidas rotineiras em momentos de crise por catástrofes naturais. Fizemos o mesmo quando ocorreram em Santa Catarina", disse Lupi

Além disso, o ministro disse que tomará decisão ad referendum do conselho curador do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para conceder até duas prestações adicionais do seguro desemprego aos moradores das áreas afetadas. Normalmente, são pagas de três a cinco parcelas.

SP e MG também são castigados

Belo Horizonte (AE) - As chuvas continuam causando transtornos em Minas Gerais, principalmente nas regiões da Zona da Mata e sul do Estado. Na região metropolitana de Belo Horizonte, o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, permaneceu, no início da manhã de ontem, fechado por quase três horas para pousos e decolagens devido ao mau tempo.

De acordo com a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) em Confins, o aeroporto ficou fechado das 6h30 às 9h15 e desde então opera por instrumentos. Até as 14 horas, dos 74 voos programados, foram registrados atrasos em 41, ou 55,4 %. O número de cancelamentos chegava a 15, ou 20,3% do total de voos.

A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) comunicou que mais quatro municípios decretaram situação de emergência, subindo para 70 o número de prefeituras que recorreram à medida administrativa em Minas desde outubro, quando teve início o período chuvoso. Guaraciaba, na Zona da Mata, Inhapim, no Vale do Rio Doce, Maria da Fé e Itamonte no sul do Estado foram castigadas por inundações e enxurradas. Somente seis decretos foram reconhecidos pelo Estado até o momento. Outros 35 estão em análise.

Também comunicaram às autoridades prejuízos com as chuvas outras quatro cidades: Pains, na região centro-oeste; Santana do Deserto, na Zona da Mata; Alagoa e Itanhandu, no sul, registraram inundações nos últimos dias.

A Defesa Civil encaminhou equipes para as cidades mais afetadas no sul de Minas e o governo estadual designou uma comitiva com três secretários de Estado para avaliar a dimensão dos estragos na região. Para o sul e a Zona da Mata, a Cedec prevê nebulosidade variável e possíveis pancadas de chuva nas próximas horas. Desde novembro, em Minas foram registradas 16 mortes em decorrência dos temporais.

Ontem, o governador Antonio Anastasia (PSDB) determinou que Secretaria de Estado de Saúde preste atendimento imediato às solicitações encaminhadas pelo governo do Rio, oferecendo apoio médico-hospitalar às vítimas da tragédia que atingiu a região serrana fluminense.

A rede hospitalar conveniada ao Sistema Único de Saúde (SUS) nos municípios de Além Paraíba e Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, ficará à disposição para receber pacientes vindos do Rio. De acordo com o secretário Antônio Jorge de Souza Marques, também serão disponibilizados médicos e ambulâncias para o atendimento das vítimas do Estado vizinho.

Zona Leste de SP ainda tem ruas alagadas

São Paulo (AE) - O bairro Vila Itaim, vizinho ao Jardim Romano, em São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo, ainda tem oito ruas alagadas em razão das chuvas que atingiram a capital desde segunda-feira (10). Entre os locais atingidos, de acordo com informações divulgadas pela Defesa Civil municipal, ontem, está a Rua Manoel Martins de Melo, que tem uma lâmina de água de quarenta centímetros no final da via e, a Rua Agostinho Alves Marim, com uma lâmina de cinquenta centímetros em uma extensão de aproximadamente novecentos metros

A Vila Aimoré também tem grande parte das ruas alagadas, assim como a Chácara Três Meninas e parte do Jardim Maia, todos na zona leste. Já no Jardim Lapena e Vila União as águas já baixaram. Aproximadamente 400 imóveis foram atingidos em toda a região.

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comentários

lucoments@...14/01/2011 @ 08h12
Lamentável a situação. Entretanto, ressalte-se a culpa não é da chuva, tampouco dos rios que desde de sua origem seguem seu curso natural com períodos de seca e cheia. Culpar "São Pedro" como parte da imprensa e populares estão fazendo é brincadeira. O problema é político e de gestão pública. Também a população, enquanto ser humano, tem sua parcela de culpa: tratamento do lixo de forma inadequada, entupimento de bueiros, toda sorte de poluição ... Faz-se urgente e necessária uma conscientização da população e atuação do poder público. É triste analisar a realidade dessa forma, mas é a mais pura verdade. O patrimônio histórico de Goiás foi perdido, há 9 anos a UNESCO indicou as medidas necessárias para contenção da chuva e proteção dos prédios. O que foi feito até hoje ? Nada! Ah ... muito se fala no RJ. Não esqueçamos dos nossos irmãos nordestinos de Alagoas, vítimas da chuva no ano passado e que até hoje esperam a ajuda do governo, encontrando-se nos mesmos acampamentos, sem as mínimas condições de higiene. O RJ vai ter que entrar na fila. Ou será que por não ser estado nordestino terá privilégios???? Vamos abrir o olho!
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