Agora você já pode ler a tribuna em versão FLIP
Ir para página inicial
  • Natal - 26°Natal - 26°

Natal

Natal, 24 de Maio de 2012 | Atualizado às 09:11

RN se destaca em rendimento

Publicação: 17 de Novembro de 2011 às 00:00
tamanho do texto A+ A-

A região Nordeste, que tem as maiores taxas de analfabetismo do Brasil, também é a que tem os menores rendimentos por domicílio e per capita do País. O Rio Grande do Norte destaca-se neste cenário. É o Estado com maior 'rendimento médio mensal dos domicílios  permanentes' do Nordeste. As famílias potiguares, em tese, recebem mais. Enquanto uma família potiguar recebe, em média,  R$1.678 por mês, uma família cearense, por exemplo, recebe cerca de R$1.417. O IBGE não forneceu o rendimento médio de 2000. Para Aldemir Freire, chefe da unidade potiguar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a diversificação da economia potiguar explica o rendimento 'alto'.

 Para o vice-presidente do Conselho Regional de Economia, Janduir Nóbrega, o alto rendimento do Estado também é resultado da manutenção dos empregos nos últimos anos. "A indústria, principalmente a têxtil, fechou vários postos de trabalho. Mas os  empregos dos setores de Serviços e Comércio se mantiveram", afirma. Segundo Janduir, o final do ano está chegando e ainda há vagas temporárias em aberto por falta de mão de obra. "A aceleração no ritmo de contratações também favorece o rendimento médio do RN", completa. Estima-se que sejam abertas mais de 3 mil vagas temporárias no comércio até dezembro no RN, movimentando ainda mais a economia no estado.

 Apesar do 'bom desempenho', o RN ainda é marcado pela desigualdade social. Quem mora na cidade ganha mais que o dobro de quem ganha no interior. A concentração de riqueza também é alta. Embora o índice de Gini, que avalia a distribuição de renda, tenha caído de 0,597 para 0,531 nos últimos dez anos no Rio Grande do Norte, o Estado perdeu nove posições, afastando-se de Santa Catarina, estado com melhor distribuição de renda do País. Segundo Aldemir Freire, do IBGE/RN, isso mostra que outros estados avançaram mais e se tornaram menos desiguais que o RN na última década. O Ceará, por exemplo, subiu 10 posições nos últimos dez anos.

Para Janduir Nóbrega, a educação pode tornar o estado mais igualitário. Segundo ele, quanto maior o percentual de analfabetos, maior a desigualdade social. "Se um estado quiser ser mais igualitário, precisará investir em educação. Ela é a mola propulsora do desenvolvimento". Janduir, porém, alerta. "A transformação pela educação é lenta".

 Apesar dos avanços, o Brasil continua um país desigual. Os brasileiros mais ricos têm renda 39 vezes maior que os mais pobres, segundo matéria publicada na Folha de São Paulo (com base no censo 2010).

EUA são destino preferido de emigrante brasileiro

Rio (AE) - A maioria dos brasileiros que se dirige ao exterior vai para os Estados Unidos (23,8%), segundo o IBGE, que pela primeira vez mediu este movimento. Portugal aparece como segunda opção (13,4%), seguido por Espanha (9,4%), Japão (7,4%), Itália (7%) e Inglaterra (6,2%). O número estimado de brasileiros residentes no exterior é de 491 645 em 193 países.  A maioria dos emigrantes era de mulheres (53,8%) e 60% são brasileiros que, em 2010, tinham entre 20 e 34 anos de idade. O resultado não inclui os domicílios em que todas as pessoas podem ter emigrado nem aqueles em que os familiares residentes no Brasil podem ter morrido.

O próprio IBGE ressalta que o número de brasileiros no exterior "é uma das questões mais controversas quando o tema migrações internacionais é abordado". De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, o total de envolvidos nessas migrações estaria entre 2 milhões e 3,7 milhões de pessoas. "Esperávamos um número maior. Talvez a pergunta não tenha sido bem entendida", disse o pesquisador do IBGE Fernando Albuquerque Segundo ele, um dos objetivos é incorporar o dado às projeções de população. Os dados do Censo, no entanto, ajudam a traçar um perfil dos emigrantes. A origem de quase metade (49%) dos 491 645 brasileiros no exterior foi o Sudeste, principalmente São Paulo (21,6%) e Minas (16,8%). Do Sul partiram 17,2%, e o Nordeste contribuiu com 15%.

Ida e volta. Os EUA foram o principal destino da população oriunda de todos os Estados, em especial Minas Gerais (43,2%), Rio de Janeiro (30,6%), Goiás (22,6%) e São Paulo (20,1%). Mas os dados mostram afinidade entre os destinos escolhidos e as colônias existentes nos Estados. O Japão foi o segundo país que mais recebeu os emigrantes de São Paulo (20%). Já Portugal apareceu como segunda opção da emigração originada no Rio (9,1%) e em Minas (20,9%).  Goiás foi o Estado de origem da maior proporção de emigrantes (5,92 pessoas para cada mil habitantes). Em seguida, estão Rondônia (4,98 por mil), Espírito Santo (4,71 por mil) e Paraná (4,39 por mil).

Os municípios com as maiores taxas de emigrantes internacionais (por mil habitantes) ficam no entorno de Governador Valadares e da região do Vale do Aço (MG). Sobrália, São Geraldo da Piedade e Fernandes Tourinho, todas em Minas, foram as cidades brasileiras com maiores proporções de emigrantes (88,85), (67,67)  e 64,69 por mil, respectivamente.

Norte-rio-grandenses estão morando com mais conforto

O percentual de domicílios que contam com saneamento básico adequado no Rio Grande do Norte também subiu nos últimos dez anos, passando de 36,9% para 42%. No Brasil, o indicador saltou de 56,5% para 61,8%, aumentando em 5,3 pontos percentuais. Aldemir Freire, chefe da unidade potiguar do IBGE, ressalta que os dados do censo 2010 não incluem o tratamento dado ao esgoto.  "Se fôssemos considerar a quantidade de domicílios potiguares ligados a rede coletora de esgoto, este percentual seria menor", esclarece.

Para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o saneamento é adequado quando o domicílio conta com abastecimento de água por rede geral, esgotamento sanitário por rede geral ou fossa séptica e lixo coletado direta ou indiretamente. Para Aldemir, o indicador não retrata a realidade. "A situação é mais crítica do que a apresentada". Procurada pela equipe de reportagem, a Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern) preferiu comentar os dados no dia seguinte a divulgação do censo.

De uma forma geral, a pesquisa mostrou que a infraestrutura de saneamento básico apresentou melhorias no abastecimento de água por rede geral, no esgotamento por rede geral e fossa séptica, e na coleta de lixo dos domicílios. "As regiões menos desenvolvidas do País apresentaram crescimentos significativos nos últimos dez anos, embora os avanços alcançados na prestação de serviços de saneamento básico não tenham sido suficientes para diminuir as desigualdades regionais no acesso às condições adequadas, sobretudo se forem comparados os moradores de domicílios localizados nas áreas rurais com os das áreas urbanas", diz o estudo.

Em Galinhos, a 174 km de Natal, por exemplo, a taxa de saneamento adequado é 0. Em Porto do Mangue, com o quinto pior desempenho do RN, a taxa chega a 0,28%. Segundo o IBGE, das condições de saneamento básico, o esgotamento sanitário é deverá percorrer o maior caminho para   atingir um índice satisfatório. Nos últimos dez anos,a proporção de domicílios ligados à rede geral de esgoto ou com fossa séptica. O tratamento final do esgoto, segundo Aldemir Freire, entretanto, não acompanhou o mesmo ritmo.

Ao definir o perfil do cidadão potiguar que emerge da pesquisa do IBGE, Aldemiar lembrou que ele hoje tem renda média de R$ 543, idade de 31,5 anos, mora em casa com geladeira, televisão e rádio, mas ainda não tem computador e, consequententemente, não acessa a internet.


Publicidade
  • 600 caracteres
  • separar os emails por vírgulas
  • 600 caracteres
  • Encontrou algum erro nesta matéria? Envie pra nós.

  • 400 caracteres
Publicidade
Tribuna do Norte