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Natal, 04 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 13:12

RN tem 33% de todos os projetos de eólica do país

Publicação: 05 de Setembro de 2010 às 00:00
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Rio Grande do Norte, Ceará e Rio Grande do Sul possuem os projetos de energia eólica com maiores potenciais de geração de energia habilitados, de acordo com dado da ABEEólica - Associação Brasileira de Energia Eólica.

Somando a participação das regiões nas duas vendas públicas, o RN lidera, com 6.577 MW, à frente do Ceará, com 4.257MW e do Rio Grande do Sul, com 3.262 MW.

Atualmente, o RN tem 1.077,9 MW garantidos em sua matriz energética eólica. Os parques de Macau (1.8 MW) e Rio do Fogo (49.3 MW) já estão em funcionamento.

Já Alegria I e II, localizados em Guamaré, estão tecnicamente habilitados a gerar 151.8 MW, somando os 657 MW arrematados no leilão do ano passado e 218 MW contratados à Bioenergy.

Essas são perspectivas animadoras dentro da discussão das energias renováveis, mas que dependem de ações fortes por parte do Estado para garantir as conquistas. Entre elas, investimentos em infraestrutura portuária para receber os equipamentos necessários à construção dos parques eólicos, já que a tecnologia é totalmente importada. O tema energias renováveis será discutido, nos dias 14 e 15, durante seminário que a UFRN realizará, através da Pró-reitoria de Extensão Universitária, em parceria com a TV Universitária e jornal TRIBUNA DO NORTE. No dia 20 haverá debate com os candidatos a governador.

Wilson Lage, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da UFRN e especializado em energias alternativas, mais especificamente energia eólica e solar, considera investimentos em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias nacionais nessa área fundamentais.

A UFRN já tem em funcionamento, desde o começo  deste ano, um núcleo específico para as chamadas energias alternativas, como a eólica, solar e biomassa, desmembrando a estrutura inteira em duas - uma relativa a petróleo e outra de energias renováveis.

Antigamente  era núcleo de estudos em petróleo e gás, mas foi ampliado por decisão da Reitoria, seguindo uma tendência mundial. Da mesma forma, o Centro de Tecnologias do Gás (CTGás) acrescentou à sua sigla (ER) Enegias Renováveis.

Na UFRN, o que era Centro de Tecnologia e Gás passou a ser Núcleo de Pesquisa em Petróleo e  Energias Renováveis. Apesar dos esforços investidos em energia a partir da biomassa e dos biocombustíveis, no RN a energia eólica é a grande vedete do momento. 

"Está provado que o RN é um dos melhores estados, juntamente com o Ceará, em termos de potencialidade para a energia eólica", diz Wilson Lage. O RN o dono do maior número de projetos no primeiro leilão - 33% de todos os projetos aprovados no primeiro leilão de eólica, ou seja, 1/3 de todos os projetos.

Para Lage, já houve progressos interessantes na tecnologia da eólica, sobretudo no aumento  das pás do aerogerador, o que aumentou a produção.  Mas ele reconhece que é preciso a Universidade correr com as pesquisas. "Já existe um certo amadurecimento dessa tecnologia perfeitamente estabelecida na Europa e outros recantos do planeta. Agora, esse processo deve chega ao Brasil com maior visibilidade", afirma.

O Brasil possui 65% do potencial instalado para geração de energia eólica da América Latina. Hoje, o país conta com 45 parques, que somam 794 MW de potência - o que equivale a apenas 0,7% da matriz energética brasileira. Essa energia é capaz de abastecer  600 mil residências ou uma cidade com 3 milhões de habitantes.

Bate-papo
» Wilson Lage, professor do Deptº  de Engenharia Mecânica da UFRN

Temos também de pensar na formação de RH

Para produzir energia dos ventos é alto o investimento em linhas de transmissão?
Uma das vantagens das energias renováveis do tipo solar e eólica é que alas podem ser produzidas próximas ao lugar de consumo a partir de unidades modulares. E as usinas podem ir se proliferando na medida em que a demanda for aumentando, inserindo essa produção de energia na matriz.

Mas a energia solar ainda é inacessível...
De maneira geral, sim. Mas os coletores solares térmicos, por exemplo, já estão bastante difundidos. Em muitas residências e hotéis eles já propiciam água quente em dias de sol. Em dias sem sol, o consumidor volta para a energia elétrica. São os chamados chuveiros flex. Esse recurso já é muito usado em estados como São Paulo, Minas e no Distrito Federal. O problema aí é termos tecnologia para transformar a energia solar em elétrica por meio de painéis foto voltaicos. Essa é a tecnologia mais cara e o Brasil precisa enfrentar esse desafio via as Universidades. Temos que pensar também, além da pesquisa, na formação de recursos humanos, na qualificação de pessoal. E, é claro, no direcionamento das pesquisas juntamente para baratear os custos.

E quanto à biomassa?
Quanto a biomassa, a produção uma vez sustentável, não deixa de ser uma alternativa interessante. A questão é economizar na emissão de CO2, considerado um dos vilões do efeito estufa. E isso se consegue gerando um balanço neutro entre a queima e a absorção do CO2 pela vegetação recomposta.

O que falta para deslancharmos nesse processo?
Falta  fortalecer essa política de inserção das energias renováveis, algo muito ligada aos níveis de decisão política. Vamos aumentar ou não essa participação, é conveniente ou não fazer isso. A geração de energia brasileira, com as hidrelétricas, já tem destaque no mundo. Uma hidrelétrica demora em média sete anos para ser construída. Essa é a grande matriz. Cabe agora cuidar para garantir a estabilidade do sistema, fazendo o caminho das energias limpas como a eólica, cuja usina demora em média, dependendo do que ela vai gerar,  um ano para ser implantada. Se conseguíssemos avançar na tecnologia nacional, faria uma grande diferença. 

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