Rock’N’Roll até o fim

Publicação: 07 de Março de 2013 às 00:00

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Yuno Silva - Repórter

O nome Alexandre Magno Abrão não identifica a pessoa, poucos conheciam o artista dessa maneira, mas se chamar pelo apelido o músico Chorão, líder da banda Charlie Brown Jr, é reconhecido na hora pelo grande público que cantou refrões como “Meu escritório é na praia / Eu tô sempre na área”; “Ela achou meu cabelo engraçado / Proibida pra mim no way” (gravada por Zeca Baleiro); ou ainda “Vou te levar daqui”. Chorão, foi encontrado morto no início da manhã de ontem em São Paulo. O artista iria completar 43 anos em abril, e a causa oficial de sua morte ainda não foi determinada – como Chorão “estava em processo de depressão”, segundo declarações da apresentadora Sônia Abrão, prima do cantor, rumores apontam para a possibilidade dele ter sofrido uma overdose ou mesmo ter cometido suicídio.

Thiago Teixeira/AEÍcone do rock dos anos 1990,chorão deixa legado de hits e mobiliza fãs nas redes sociaisÍcone do rock dos anos 1990,chorão deixa legado de hits e mobiliza fãs nas redes sociais
A polícia informou que nenhuma linha de investigação será descartada, mas o delegado que cuida do caso acredita que a possibilidade de assassinato é remota. De acordo com testemunhas, Chorão não saia do apartamento desde a segunda-feira (4) e a polícia acredita que a morte tenha ocorrido de segunda para terça-feira (5) devido as condições que o corpo foi encontrado. A divulgação do laudo final, que poderá levar até 30 dias para ficar pronto, é aguardado com expectativa pelos fãs.

O último show da banda aconteceu em dezembro do ano passado e, de acordo com o produtor potiguar Rodrigo Cruz, havia um show agendado em Natal para julho. Para quem acompanha a trajetória do Charlie Brown Jr, o grupo foi uma das primeiras atrações a se apresentar no Teatro Riachuelo em janeiro de 2011; e outra lembrança (nada agradável) da passagem dos músicos pela capital potiguar remonta ao ano de 1999, quando o CBJR fez um show na Via Costeira interrompido por uma briga generalizada que fugiu ao controle dos promotores do evento. Mas eles estiveram na cidade em outras ocasiões, sempre bem sucedidas.

Em pouco mais de duas décadas, os santistas surgiram identificados com o universo do skate, lançaram onze CDs e seis DVDs, venderam mais de cinco milhões de cópias dos álbuns e ganharam por duas vezes o Grammy Latino como Melhor Álbum de Rock Brasileiro em 2005 (“Tâmo aí na Atividade”) e 2010 “Camisa 10 Joga Bola Até na Chuva”).

Chorão também se aventurava no cinema (escreveu o roteiro de “O Magnata” e “O Cobrador”), e era tido como uma figura polêmica: em 2004 deu uma cabeçada e um soco no olho de Marcelo Camelo, do Los Hermanos; em 2008 foi expulso pela Polícia Federal de um voo que ia para Manaus por se recusar a desligar um aparelho eletrônico e de ter xingado a tripulação; e em 2012 fez um longo discurso durante show contra o baixista Champignon, que já havia saído e voltado ao CBJR – depois fizeram as pazes.

Pelo twitter, personalidades de várias áreas e artistas da música postaram mensagens emocionadas. O músico Tico Santa Cruz, da banda Detonautas, disse estar em estado de choque: “Chorão sempre foi um artista que inspirou muitas bandas, e o CBJR inspirou muito a mim”. O músico e apresentador João Gordo, do Ratos de Porão, mandou sua mensagem: “Chorão!!! Porra!!!! Descanse em paz cara!!!!”.

REPERCUSSÃO LOCAL

. Anderson Foca, músico e produtor do Festival DoSol: "O cara era persistente, um batalhador. Independente dos erros e acertos pessoais e na música, é sempre muito triste ver alguém tão jovem da música morrer”.

. Clênio Maciel, vocalista da banda Uskaravelho: "A importância dele é incontestável, trouxe para o rock rimas que antes só ouvíamos no hip hop. As batidas do Charlie Brown Jr eram características, conquistava todo mundo - do roqueiro ao playboy – e, apesar de ser uma figura polêmica, merece todo nosso respeito”.

. Rodrigo Cruz, produtor e editor do site Rock Potiguar: “Chorão era um ícone da música rocker dos anos 90, e muitos dos músicos que estão aí hoje se espelharam tanto nas letras como nas suas atitudes dele em cima e fora do palco. Sem dúvida, uma grande perda, assim como foi perdermos precocemente Raul, Renato, Cazuza e Cássia”.

. Marcelo Veni, produtor cultural: “O Chorão tinha muita energia e domínio da plateia. Fez a trilha sonora de muita gente, e é, talvez, um dos poucos que teve uma identificação grande com a juventude dos anos 90 e 2000. Suas letras tem poesia, tem a realidade das ruas, dos relacionamentos, e tem as tirações de onda que muito se identificam. Tem sua importância dentro do cenário musical brasileiro e isso ninguém tira”.

DECLARAÇÕES VIA TWITTER

. Jota Quest Oficial (@jotaquest), banda mineira - "Nós do @jotaquest estamos mto tristes com a perda do Chorão. Um salve a seus familiares e aos parceiros do Charlie Brown Jr".

. Ticosantacruz (@Ticostacruz), do Detonautas - "Estou em estado de choque!!!! Não sei o que dizer!!!! Chorão sempre foi um artista que inspirou muitas bandas, e o CBJR inspirou muito a mim".

. João Gordo (@joao_gordo_), do Ratos de Porão - "Chorão!!! Porra!!!! Descanse em paz cara!!!!"

. Fiuk (@Fiuk), ator e cantor - "Chorão, respeito e admiro muito!!!! Foda, todo mundo tem sua hora, mas nao consigo acreditar q a hora do chorão ja chegou!! To em choque, ta parecendo mentira!!!"

. Buchecha (@BuchechaOficial), cantor e compositor - "É triste esta notícia da morte do Chorão, tão jovem, apenas 40 anos!!! Foi-se mais grande mano !!! Deus abençoe a família!"

. Restart (@rockrestart) - "Bom dia gente! O cenário musical brasileiro acorda de luto! Descanse em paz! Chorão! R.I.P"

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