Salvador recebe reforço policial
Publicação: 04 de Fevereiro de 2012 às 00:00
Salvador (AE) - Dois mil trezentos e cinquenta integrantes das Forças Armadas, provenientes de Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Rio, Rio Grande do Norte e Sergipe, foram incorporados, ontem, ao policiamento ostensivo na Bahia e é aguardada a chegada de outros 600 militares neste sábado ao Estado. O contingente soma-se aos 650 integrantes da Força Nacional de Segurança enviados pelo governo federal a Salvador.
O fortalecimento nas equipes policiais é a resposta do governo baiano à paralisação parcial que a Polícia Militar do Estado promove desde terça-feira, quando uma das nove entidades da classe, a Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra) - que representa cerca de 2 mil dos 32 mil policiais e bombeiros do Estado - decidiu decretar greve.
A entidade cobra do governo a incorporação de gratificações aos salários, além de regulamentação para o pagamento de adicionais, como de periculosidade e acidente. O movimento ganhou força ao longo da semana e, segundo estimativas da entidade - não negadas pela Secretaria de Segurança Pública -, já abrangeria cerca de um terço do efetivo policial no Estado.
A chegada do reforço federal começou às 23h40 de quinta-feira, com o desembarque, na Base Aérea de Salvador, de 150 integrantes da Força Nacional de Segurança. A madrugada na cidade, porém, foi de medo, por parte da população, e de atos de vandalismo e violência, em especial na região central da capital baiana.
Onze lojas da região central de Salvador foram arrombadas e saqueadas ao longo da noite. Em algumas ações, segundo testemunhas, grupos de mais de 30 homens, alguns armados, participaram das ações. Não houve registro de feridos e, na tarde de hoje, integrantes de um dos grupos que promoveram os saques, seis mulheres e dois homens, foram presos com itens subtraídos de uma das lojas arrombadas.
A madrugada também registrou número incomum de assassinatos em Salvador e na região metropolitana, 18 casos entre a meia-noite e as 6h30 - 13 deles apenas na capital. No ano passado, a média diária de homicídios registrada em Salvador foi de 4,2.
Os ataques fizeram com que boa parte do comércio de Salvador - e de outras grandes cidades do Estado, como Feira de Santana e Ilhéus - amanhecesse fechada. Seis faculdades particulares de Salvador e escolas dos outros municípios dispensaram os alunos das aulas.
A situação em Salvador e nas cidades do interior só começou a ser normalizada no meio da manhã de ontem, com a chegada às ruas dos militares. "Ficou mais tranquilo, policiado. Antes a gente estava muito tenso", relata a gerente de loja Cláudia Rocha Santos. O estabelecimento que ela comanda, filial de uma rede de eletrodomésticos no bairro da Liberdade, um dos mais importantes no comércio soteropolitano, havia aberto apenas uma das quatro portas de ferro até as 10 horas, quando passou o primeiro caminhão, com cerca de 30 militares a bordo. Depois, com o Exército já circulando pela área, a loja foi totalmente aberta.
Apesar da aparente tranquilidade registrada durante a tarde na cidade, alguns grandes eventos programados para o fim de semana, como o Cerveja & Cia Folia, comandado pela cantora Ivete Sangalo, foram suspensos. No fim da tarde, a presidenta Dilma Rousseff determinou que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general José Carlos De Nardi, e a secretária Nacional da Segurança Pública (Senasp), Regina Miki, viajassem a Salvador para acompanhar as operações de Segurança no Estado. Eles desembarcam na manhã de hoje, na Base Aérea.
Sem polícia nas ruas, bandidos saqueiam lojas
Salvador (AE) - Pelo menos cinco lojas de eletrodomésticos foram saqueadas na madrugada de ontem em bairros centrais de Salvador. Segundo testemunhas, grupos grandes, de mais de 30 pessoas, a maioria encapuzada e algumas armadas, promoveram o arrombamento e o furto de mercadorias dos estabelecimentos, que estavam fechados na hora dos ataques. Não há registro de feridos. Os ataques ocorrem em meio à paralisação parcial da Polícia Militar na Bahia, iniciado na tarde de terça-feira pela Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra), uma das entidades que representam a categoria.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, pelo menos dois terços do efetivo policial do Estado trabalha normalmente, mas o governo baiano pediu o reforço de tropas da Força Nacional e do Exército. Segundo o secretário de Segurança Pública, Maurício Barbosa, a intenção da medida é "aumentar a sensação de segurança" da população.
Barbosa afirma que a principal preocupação da secretaria é com as maiores cidades e com os pontos de maior circulação de pessoas. Na noite de quarta-feira, grandes congestionamentos foram registrados em Salvador depois que policiais à paisana, armados e encapuzados, tomaram ônibus coletivos e os atravessaram nas pistas de algumas das principais avenidas da cidade. Temendo arrastões, o comércio fechou mais cedo no Centro.
"Para cada ato de vandalismo estamos instaurando um inquérito, que será conduzido pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, a justiça será feita", promete Barbosa. "Não podemos aceitar que policiais armados façam o que estão fazendo."