São José, o Justo
Publicação: 18 de Março de 2011 às 00:00
Pe. José Gilberto dos Santos - Capelão do Exército, em Natal
José é de família real, descendente de Davi. É esposo de Maria. Sua paternidade e seu casamento foram na ordem da adoção, legais. Velou sobre a família de Nazaré, dando-lhe o calor do seu amor e o pão, fruto do seu trabalho. Depois que Jesus completou 12 anos, desapareceu de cena. O último testemunho que temos a seu respeito foi por ocasião do encontro do menino Jesus entre os doutores, no Templo de Jerusalém. Antecipando-se a qualquer observação de São José e num desabafo materno, Maria perguntou a Jesus: "Meu filho, que nos fizestes? Eis que teu pai e eu andávamos à tua procura, cheios de aflição"( Lc 2,48). Depois disso, silêncio. Nada sabemos a respeito de sua morte. Já a respeito de sua vida e de seu caráter, a Bíblia é muito clara: "José (...), que era um homem Justo..."( Mt 1, l9).
Para a palavra de Deus, "Justo" é um homem de boa conduta, que procura descobrir e praticar a palavra de Deus; é alguém reto diante do Senhor, humilde e obediente, alguém que observa integralmente os preceitos divinos e que conduz sua vida segundo a Lei do Senhor; é uma pessoa piedosa e repreensível; é um amigo de Deus como seu Senhor, isto é, a vida do Justo é conduzida por Deus; Justo é quem tem consciência da grandeza do Criador e das próprias limitações. O homem justo reconhece ser um privilégio, uma graça especial, um gesto de misericórdia da parte de Deus, poder amá-lo e dedicar-lhe a própria vida.
Para compreender melhor o papel de São José da História da Salvação, devemos ter resposta para a seguinte pergunta: como José olhou para Maria? José vê Maria como a mulher do Mistério melhor, a mulher que carrega o mistério. Dissera-lhe o enviado de Deus: "José, filho de Davi não temas receber Maria por tua esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo"(Mt1,20). Não há dúvida: ela traz o Messias; é Mãe do Messias. A Mãe do Messias é, legalmente, sua esposa. Ele, José, é responsável por ela; por ela e pelo menino que está para nascer. Que responsabilidade!
Dessa forma, a grande devoção da Igreja a São José é muito antiga, vem dos primórdios. A tradição os comentários dos evangelistas e as pinturas das antigas Catacumbas de Roma atestam isso e mostram que os primeiros Cristãos já invocavam São José como pai legal de Jesus e esposo da Virgem Maria. Esta devoção se desenvolveu de maneira maravilhosa conduzida pela Divina Providência. Aos poucos, o Espírito Santo foi mostrando a sua importância.
Em 1854, o Papa Pio IX (1846-1878) proclamou solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Em 1869, por ocasião da convocação do Concílio Vaticano I, 38 cardeais e 256 bispos e cerca de seis mil sacerdotes do mundo todo pediram ao mesmo Papa a proclamação de São José como Patrono Universal da Igreja. Mas os horrores da guerra franco-alemã paralisaram o Concílio Vaticano I, e o pedido foi arquivado. Em 1870, reuniram-se em Roma os bispos do mundo todo para a retomada do Concílio Vaticano I, e, em seu nome e no dos fiéis confiados a seus cuidados, renovaram as súplicas feitas no Concílio de Constança, em 1414, a fim de que São José fosse constituído Padroeiro da Igreja. Com surpresa, exatamente no dia seguinte à invasão do Estado Pontifício, para atrair sobre a Igreja proteção de São José, Pio IX o proclamou Patrono Universal da Igreja, em 08 de dezembro de 1870.
O Título de Padroeiro Universal da Igreja foi convenientemente atribuído a São José pelas relações que teve com a Virgem Maria. Pio IX, em 1854, ao definir o Dogma da Imaculada Conceição, colocara preciosíssima pérola na fronte da Virgem. Mas, nova Glória na Esposa, requeria também nova Glória no Esposo, e a Igreja lhe concedeu essa Glória proclamando-o Padroeiro Universal da Igreja. Por isso, Pio IX não é somente o Papa da Imaculada, mas é também o Papa de São José.
Por tudo o que São José significou para Jesus, compreende-se que a Igreja tenha desejado colocar-se sob a sua proteção: é Padroeiro Universal da Igreja e porque é o Padroeiro da nossa grande família, pedimos: "Valei- nos São José!"