Ricardo Stuckert
O acordo para desenvolvimento do primeiro submarino produzido no país será assinado amanhã pelos presidentes
O presidente da França, Nicolas Sarkozi, chega ao Brasil hoje para participar dos festejos oficiais da Independência, em 7 de setembro, e assinar o acordo que permitirá ao Brasil o desenvolvimento do primeiro submarino nuclear produzido no país. O acordo abrange também a compra de submarinos convencionais e helicópteros.
A edição da Folha de São Paulo de hoje aponta que esse é o "maior e mais importante acordo militar da história recente" do país, com valores próximos a 8,5 bilhões de euros. A parceria será firmada depois das comemorações de 7 de Setembro. Os valores do contrato equivalem a aproximadamente R$ 22,5 bilhões no câmbio de sexta-feira.
A "parceria estratégia" que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozi vão assinar amanhã é fundamental para reativar a indústria bélica nacional. Analistas entrevistados pelo G1, portal da Rede Globo, afirmam que o acordo vai permitir ao Brasil entrar na corrida armamentista da América do Sul - já deflagrada por Venezuela e Colômbia. A aliança com os franceses, prevista na Estratégia Nacional de Defesa (END), tem ainda o objetivo de redirecionar as prioridades das Forças Armadas para os próximos 30 anos.
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, informou que nesse acordo caberá ao Brasil produzir o propulsor nuclear e à França a transferência de toda a tecnologia não nuclear para o país. "Nenhum país transfere tecnologia nuclear para outro", ressaltou o ministro numa entrevista no dia 28 de agosto para explicar o projeto. Jobim garantiu que esse submarino não terá armas atômicas porque a Constituição Federal não permite.