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Natal, 25 de Maio de 2012 | Atualizado às 14:38

Secretária admite atrasos em obras

Publicação: 20 de Novembro de 2009 às 00:00
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O grande número de unidades de saúde fechadas em Natal vem atrapalhando o atendimento da população. São geralmente reformas que duram mais tempo que o prometido e acabam obrigando os cidadãos a se deslocarem de seus bairros para serem atendidos longe de casa. A realidade é admitida pela própria secretária Municipal de Saúde, Ana Tânia Sampaio. Ela lamenta os atrasos e afirma que não irá estabelecer novos prazos, até que ocorra uma reunião entre a SMS, a prefeita Micarla de Sousa e os construtores, que estariam reclamando de demora nos pagamentos, além de dificuldades técnicas nas obras.

Elisa ElsieAna Tânia Sampaio solicitou levantamento de vagas para a SMSAna Tânia Sampaio solicitou levantamento de vagas para a SMS
Um dos atrasos resultou em uma manifestação, na manhã de ontem, em frente à Unidade Mista do Felipe Camarão. A maternidade do local foi interditada pelo Conselho Regional de Medicina (Cremern) em junho, devido à falta de pessoal, e liberada em 24 de setembro, mas desde então o atendimento não foi retomado, uma vez que o prédio continua passando por reformas. Alunos da disciplina de Saúde e Cidadania da UFRN, somados a moradores da região, se mobilizaram para cobrar a reabertura.

"Estou perto de ter meu filho e ainda não sei onde ele vai nascer. Queria que fosse aqui em Felipe Camarão, perto de minha casa e da casa de minha mãe, mas se brincar vou ter o filho é no meio da rua", reclamou a dona-de-casa Marlene Raimunda da Silva. Ela se juntou à multidão que fechou a pista em frente à unidade, com faixas, cartazes e discursos de protesto, exigindo a retomada dos serviços na maternidade, que em 2001 ganhou o título "Hospital Amigo da Criança", do Unicef.

"Tínhamos um atendimento ótimo aqui e agora fecharam para fazer uma reforma. Só fizeram mesmo pintar e não cumpriram os prazos para reabrir", reclamou o presidente do Conselho Comunitário, Francisco Cirilo da Silva. A presidente do Clube de Mães, Terezinha Santos, criticou o fato de o funcionamento da maternidade ter sido suspenso, obrigando as gestantes a procurarem a Januário Cicco, ou a maternidade das Quintas, ambas distantes de Felipe Camarão.

A tutora da disciplina Saúde e Cidadania, Verônica Moraes, explicou que a ideia da mobilização nasceu da percepção dos alunos de que o fechamento da maternidade vinha prejudicando a população do Felipe Camarão. "A interdição do Conselho Regional de Medicina se encerrou em setembro e até agora não voltaram a atender", lamenta.

Atualmente, estão funcionando na Unidade Mista apenas a parte laboratorial, o Programa Saúde da Família e o atendimento ambulatorial. Já o pronto-atendimento não tem data para ser reaberto, uma vez que continua interditado pelo Cremern. A Secretaria Municipal de Saúde também já estuda outras opções, como a futura Unidade de Pronto Atendimento 24 horas (UPA), a ser construída na Cidade da Esperança, após a conclusão da UPA do Pajuçara, que deverá ser entregue no início de 2010.

Ministério da Saúde envia equipe ao RN

A Subcoordenadoria de Vigilância Epidemiológica (Suvige) do Estado do Rio Grande do Norte recebeu na última quarta-feira (18), uma equipe do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do Sistema Único de Saúde - Episus, do Ministério da Saúde. Essa equipe, veio ao Estado com o objetivo de auxiliar o trabalho da  Suvige, somando esforços nesta época da pandemia de Influenza.

A subcoordenadora da Suvige, Juliana Araújo explicou que "com o aumento de notificações, no final de outubro, a Sesap contatou o MS informando-os sobre a situação epidemiológica do RN. A confirmação dos últimos óbitos fez com que o próprio ministério entrasse em contato, se prontificando a mandar a equipe do Episus para trabalhar conosco coletando informações, investigando, divulgando essas informações e respondendo as dúvidas sobre a Influenza".

O Episus foi criado pelo Ministério da Saúde e teve início no ano 2000, com o objetivo de dar suporte aos Estados em época de surto de quaisquer doenças. Realiza a análise de dados de vigilância, conduz a investigação de surtos e outras emergências epidemiológicas, com base no método científico e apóia a tomada de decisão com base em evidências.

Maior parte das unidades só será entregue em 2010

A secretária Municipal de Saúde, Ana Tânia Sampaio, reconhece o atraso nas obras que vêm sendo realizadas nas unidades de saúde de Natal. Ela se reuniu na quarta-feira com os construtores e ouviu deles reclamações em relação à demora na fiscalização, medição e pagamento dos serviços. O acordo foi de que uma reunião com a prefeita Micarla de Sousa será agendada, talvez ainda hoje, no sentido de encontrar maneiras de agilizar os trabalhos.

"Para este ano, meu maior compromisso é (a maternidade do) Felipe Camarão e Planalto (onde há dois prédios em reforma). Com toda sinceridade, não acho que, dessas outras obras, nenhuma conclua até 31 de dezembro", revelou. Ana Tânia afirma que a reunião com a participação da prefeita será fundamental: "Exatamente para eu e ela (Micarla de Sousa) não estarmos dizendo prazos e eles não estarem sendo cumpridos. Não vou fazer previsão para mais nenhuma obra, sem antes a gente sentar e fechar com os construtores."

Informado da reclamação dos empreiteiros, o secretário Municipal de Obras Públicas, Demétrio Torres, afirmou que não há falta de recursos para o pagamento dos trabalhos executados. "A única demora que tenho conhecimento se deve a questões legais. Nada está deixando de ser fiscalizado, ou medido. Agora, não posso fazer a medição do que não tem contrato. Nosso limite é a legalidade", declarou.

Já Ana Tânia admite os transtornos da população enquanto as obras não estão concluídas, mas confirma que um novo cronograma só será divulgado após a reunião entre construtores e a prefeita Micarla de Sousa.

Falta de médicos

A necessidade de médicos na rede municipal de saúde é de mais de 100 profissionais, de acordo com estimativas da secretária Ana Tânia. O número exato só será possível identificar após o recadastramento do funcionalismo, previsto para este final de ano. Hoje, ela aponta uma total falta de sintonia entre a realidade das unidades e o que está registrado na SMS. "Faço visitas praticamente todo dia a unidades de saúde e até hoje nenhuma delas bateu com a informação que tenho aqui sobre a lotação de pessoal." Ana Tânia pretende implantar um sistema através do qual possa controlar "até direto de minha sala" a presença dos servidores. "Tem muito servidor que está ganhando e não está trabalhando", admite. Ela garante que a SMS vem combatendo essa prática e a exigência de cumprimento de horário, aliada à falta de pessoal, tem sobrecarregado os médicos, por isso muitos estão pedindo demissão. "Não sei se com um concurso, ou alguma outra forma, mas vamos ter de ter uma alternativa para suprir essa falta de pessoal", reforça.


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