O secretário de segurança pública e defesa social do Estado, Aldair da Rocha, disse apoiar o teor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita os poderes de investigação do Ministério Público. A declaração ocorreu ontem durante entrevista na redação da TRIBUNA DO NORTE para o portal TN On Line (tribunadonorte.com.br). A PEC 37/2011, em tramitação no Congresso Nacional, gerou divergências entre autoridades em segurança pública em todo o país. O secretário defendeu o posicionamento de que somente a polícia judiciária - polícias civil e federal - deveria ser responsável pela realização de investigações, tirando a atribuição que hoje também atinge o MP.
Para Aldair, a separação deve existir. "Entendo que deva haver uma separação. Investigação é caso de polícia e o Ministério Público deve trabalhar como fiscal da lei e também realizando o controle externo da atividade policial", sustentou. Delegado da Polícia Federal de carreira, Aldair da Rocha, justifica a opinião: "Tenho a minha opinião particular, já que sou delegado de carreira da Polícia Federal. Entendo que quem tem que investigar é a polícia. Vou justificar o meu pensamento. No momento em que você chega com uma demanda na Justiça, deve haver um equilíbrio entre acusação e defesa. Isso é óbvio. No momento em que você participar da investigação, produz provas, obviamente você está muito avançado no que diz respeito à defesa".
Alex RégisSecretário apoia limites no poder de investigação do MP
A PEC 37 já foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados e segue para votação. De autoria do deputado Lourival Mendes (PtdoB-MA), o texto da proposta fala que "a falta de regras claras definindo a autuação dos órgãos de segurança pública tem causado grandes problemas ao processo jurídico no Brasil".
Somente em 2011, por exemplo, o Ministério Público Estadual foi responsável por investigações que mostraram irregularidades no Instituto de Pesos e Medidas do Rio Grande do Norte (Ipem), no Departamento Estadual de Trânsito (Detran), em concursos públicos do interior do Estado e o pagamento de um suposto "mensalão" no município de Vila Flor - para citar alguns.
Perguntado se a já deficiente estrutura da Polícia Civil daria conta das investigações no Estado, Aldair respondeu: "Acredito que não haveria nenhum prejuízo. O que precisamos é reestruturar a Polícia Civil, fazer funcionar. A Polícia Civil aqui no Estado foi criada há pouco tempo. Até bem pouco tempo atrás, tínhamos policiais militares ocupando delegacias. Tenentes e sargentos executavam as funções de delegados. É uma polícia nova que precisa criar efetivo, principalmente para poder ocupar as comarcas do interior do Estado. Precisamos dá condições de trabalho e não só cobrar".
"O MP cresceu muito e ficou muito forte e está tentando fazer investigação concorrente com a Polícia Judiciária. Eles querem chamar para si essa atribuição", reclamou o deputado Lourival Mendes em entrevista concedida à Revista Consultor Jurídico. O procurador-geral de Justiça, Manoel Onofre Neto, foi procurado pela reportagem, mas não atendeu aos telefonemas realizados.
"O caminho é a integração das polícias"
Nem Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), nem Ronda do Quarteirão e nem o Pacto pela Vida. A gestão de segurança pública do Estado não implantará modelos consolidados no Rio de Janeiro, Ceará e Pernambuco, respectivamente. O que o secretário Aldair da Rocha quer é um sistema híbrido que possa incorporar as ideias que deram certo em outros locais, levando em consideração a realidade potiguar. "O Rio Grande do Sul foi implantar uma UPP e não deu certo. Tem que analisar o contexto de cada local". O primeiro passo para a realização do planejamento já foi dada através do projeto Comunidade em Paz.
Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE e ao portal TN On Line, Aldair avaliou a sua gestão e esclareceu o planejamento para 2012. Perguntado sobre a nota que daria, o secretário deu um "cinco, pelo dedicação exclusiva empreendida. Fizemos tudo o que era possível, mas também dependemos de outras estruturas do Estado. Deixo para a gente chegar com a nota 10 em 2014". Confira trechos da entrevista:
Gestão
"Este foi um ano bastante difícil, não só para a segurança pública, mas também para todo o Governo. A governadora tem falado sobre a realidade encontrada na parte orçamentária, financeira, que prejudicou muito aquilo que a gente imaginava e planejava realizar em 2011. Mas a própria governadora, em conversas que mantivemos, ela já sinalizou a possibilidade de remanejar orçamento. Haverá uma prioridade maior durante o ano de 2012 para a área de segurança pública. O que houve foi um acerto com todo o Governo. O secretário de planejamento, junto à governadora, sinalizou que estava realizando apenas uma adequação. Na verdade, os orçamentos que existiam anteriormente não eram realistas. Estamos procurando fazer um orçamento mais próximo da realidade e não uma peça fictícia. Com isso, a gente imagina poder executar na totalidade o que está sendo planejado".
Comunidade em paz
"É um projeto novo e que estamos colhendo os frutos. Os índices que tenho acompanhado me leva a crer que estamos no caminho certo. O caminho é a integração entre as polícias militares, civil e o Corpo de Bombeiros. As rondas policiais antes não englobavam o contato pessoal com a população. Temos o desejo de avançar para a zona Oeste, porque sabemos da problemática na região. Principalmente em Planalto e Felipe Camarão. Está no planejamento que em 2012 estaremos avançando para essas áreas. Mas não queremos ficar só aí.
Estrutura do ITEP
Quando cheguei aqui no Estado e comecei a analisar a estrutura dos órgãos de segurança, o Itep foi o que mais me chamou atenção. Chegamos a conclusão de que precisamos criar uma nova estrutura, um novo prédio. A atual estrutura há muito tempo não corresponde às necessidades de uma polícia científica. Hoje, é prioridade para o Governo que cheguemos a 2014 com um novo Itep. Isso também vale para a parte administrativa. equipamentos".
Concursados
"Foram convocados 87 policiais civis e todos devem ser deslocados para o interior do Estado para reforçar as delegacias regionais. A nossa expectativa é que os 509 sejam convocados em 2012. Existe a necessidade e a governadora está somente aguardando o sinal verde da Lei de Responsabilidade Fiscal. Tão logo se abra a possibilidade, eles serão convocados. Quanto aos PMs, o que existe é uma decisão judicial que no momento não permite a convocação desses 800 policiais militares. Existe a necessidade de um novo concurso. Nesse momento, o governo não vê possibilidade de chamar esses policiais".
PEC
O poder do Ministério Público de investigar em ações criminais, contestado em diversas ações e com diferentes entendimentos, pode está com os dias contados. A atribuição está sendo contestada pela Proposta de Emenda Constitucional (PEC 37/2011) aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara da Câmara dos Deputados no dia 13 de dezembro passado. De acordo com a proposta caberá somente às polícias federal e civil a colheita de provas, através de interceptações telefônicas, por exemplo. Em sua justificativa, o deputado Lourival Mendes diz que "vários processos têm sua instrução prejudicada ( ) junto aos Tribunais Superiores". Para ele, a investigação através da polícia judiciária, "propiciará, além da indeclinável robustez probatória servível à propositura e exercício da ação penal, também os elementos necessários à defesa, tudo vertido para a efetiva realização da Justiça".
Será que a polícia civel teria força, estrutura, interesse e até isenção para deflagrar investigação do porte do SINAL FECHADO?
Tomando como exemplo a operação SINAL FECHADO, será que as pessoas envolvidas na investigação (ricas, poderosas e muito influentes no meio político), não iriam, por todos os meios ao seu alcance, bloquear e impedir o prosseguimento das investigações?
Se dependesse da polícia civil, a Operação SINAL FECHADO não teria prosperado e já estaria devidamente sepultada, haja vista que em escutas telefônicas os chefe do bando já teriam manipulado as investigações, simplesmentes afastando o delegado titular, responsável pela operação.
Infelizmente no Brasil do PT só existem duas instituições confiáveis, e que estão efetivamente a serviço da Democracia e do povo brasileiro: O Ministério Público e a Imprensa Livre.
Se conseguirem amordaçar o Ministério Público - forças não mais ocultas agora estão trabalhando firmemente para isso -, então podemos afirmar que estamos caminhando a passos largos para uma DITADURA CIVEL.
rfsajunior@...05/01/2012 @ 10h49
É uma boa estratégia para se combater a corrupção no Brasil. Dando-se carta branca para esses hipócritas agirem livremente. Como todas as Instituições desse País estão corrompidas e nos útimos anos órgãos como o CNJ,O MP e a PF estão trabalhando muito no intuito de combater crimes dentro das próprias intituíções, nada mais natural, reduza os poderes destes Órgãos porque eles atrapalham ou pelo menos dificultam o bom andamento dos velhos "esquemas"me "Redes" que historicamente estão funcionando nas instiuições brasileiras. Pergunto: Se os deputados representam o povo brasileiro, esta é a vontade do nosso povo mesmo? enquanto continuarmos sentados na praça alimentando os pombos esta realidade nunca irá mudar.
pedrosgomes@...05/01/2012 @ 09h35
Além de tudo que disse o Secretário é preciso que a Polícia Judiciária saia da esfera do Poder Executivo, acabando assim com os desmandos políticos que dificultam a atuação da polícia. A Polícia Judiciária deveria ficar subordinado ao Poder Judiciário ou em último caso ao Ministério Público.
marcioal_berto@...05/01/2012 @ 09h05
Não é possível que alguém pense que o ministério público deseje concorrer com a polícia. O fato é que a polícia, não importa em que Estado seja, simplesmente não consegue atender a demanda de tantos crimes. O MP é mais uma forma da população ver nas autoridades uma resposta para tanta bandidagem. Estamos cansados de tantos crimes e falta de punição. O MP soma, não diminui. Além disso, só deve mesmo se preocupar com a atuação do MP quem tem o que temer ou realmente não consegue enxergar o benéficio decorrente da sua atuação.
dennunciador@...05/01/2012 @ 08h10
CONCORDO COM A OPINIÃO DO SECRETÁRIO, ENTRETANTO, ENTENDO QUE É PRECISO FORTALECER A POLÍCIA, SOBRETUDO A CIVIL, TORNÁ-LA MAIS AUTÔNOMA, PARA QUE OS POLÍTICOS NOCIVOS NÃO CAUSEM INTERFERÊNCIA DIRETA NAS ATIVIDADES POLICIAIS, COMO ACONTECE PRINCIPALMENTE NO INTERIOR, ONDE VEREADORES, PREFEITOS OU DEPUTADOS ESTADUAIS SE METEM NO TRABALHO DA POLÍCIA, E OS DELEGADOS POLITIQUEIROS TÊM MEDO DESSE PESSOAL, QUE MUITAS VEZES DIZEM, EM TOM DE PROTEÇÃO DE BANDIDOS: "ESSE É MEU!". POLÍCIA CIVIL FORTE E INDEPENDENTE JÁ!
liliannesantana@...04/01/2012 @ 23h54
Absurdo o pensamento de quem pretende limitar o poder de uma instituição digna, que vem desenvolvendo um papel importante na defesa dos interesses da sociedade. O Ministério Público Potiguar tem sido motivo de orgulho por todas as ações que vem desenvolvendo, notadamente as mais recentes. O único país no mundo que questiona o poder investigatório do Ministério Público é o Brasil. Por quê será? Agora que o Ministério Público vem mostrando toda a sua força no combate aos corruptos, vêm com mais essa "lei da mordaça". Só que o povo não vai aceitar isso.
marcosfreire@...05/01/2012 @ 12h09
A Segurança Pública é o calo de qualquer gestão. Primiero pelo entendimento político de que não gera feedback: voto! Segundo por que os investimentos (que são poucos) não ficam expostos aos olhos da população, para uso e fins de promoção pessoal. A polícia ja deveria ter se unificado: Militar e Civil, pois seria mais forte, pois unirião os dois propósitos. Apesar de nossa Polícia Civil ter excelentes Delegados, Escrivãs e Agentes, eles não têm a contrapartida do Estado. As delegacias nem computadores e impressoras têm. A maoiria é seja, antiga, abrigam presos. O MP ocupou essa lacuna!
marcelo_soares_p@...06/01/2012 @ 05h33
Interessante foi o Secretário falar em remanejamento do orçamento para 2012, pois o OGE acabou de ser votado com um corte de quase 30% para a segurança e já estão falando em remanejar o dinheiro. Disseram que iriam "otimizar" os recursos e não faltaria dinheiro. Infelizmente esse povo do poder sabe que somos burros o bastante para acreditar em uma mentira dita várias vezes.
kleber.martins@...06/01/2012 @ 12h26
A Constituição admite que quem tem legitimidade para entrar com uma ação judicial (civil ou penal), pode instrui-la com os documentos e provas que entender aptos a levá-la ao julgamento de procedência. Como único legitimado a entrar com ações penais, o MP pode instruí-la com quaisquer provas aptas a convencer o juiz da causa acerca do crime e de sua autoria, podendo estas provas terem sido colhidas em um inquérito policial, num inquérito civil público, num procedimento administrativo ministerial ou terem sido enviadas ao MP por outro órgão público ou por um particular.
douglassis@...09/01/2012 @ 08h53
Esta governadora so ver o aeropor e o arena das dunas saude segurança e educação não exite para ele e povo que colocou ela no poder fica sofrendo meus parabens senhora governadora mostre sua cara