O acidente que vitimou o capitão da Marinha, Márcio Pereira da Cunha, no último sábado, foi motivado por uma infração comum no trânsito natalense: avanço de sinal vermelho. De acordo com dados da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, o ano de 2009 já teve 11.265 infrações de trânsito por desrespeito à sinalização do semáforo.
Júnior Santos
Flagrante na Almirante Marquês de Tamandaré com Olinto Meira
Esse tipo de infração é a segunda no ranking da Semob, atrás apenas do excesso de velocidade, o que aliás foi o outro ingrediente que levou à colisão do Opala com o ônibus na madrugada do sábado. "São os dois tipos de infração mais comuns, registrados pela fiscalização eletrônica e pelos agentes de trânsito", explica o diretor de fiscalização da Semob, Márcio Sá, acrescentando que o monitoramento não contempla "todos os sinais" da cidade. "Temos uma estrutura de fiscalização reduzida", complementa.
Os 40 fiscais de que a Semob dispõe por dia, junto dos equipamentos de fiscalização eletrônica, que são quatro radares, nove lombadas eletrônicas e 15 fotossensores, atestam os cinco pontos mais problemáticos de Natal, no que diz respeito ao avanço de sinal vermelho. São eles, por ordem de quantidade de multas: rua Nova Floresta com Orlando Geisel, no sentido Lagoa Seca (2.248 infrações); Olinto Meira em frente à praça Almirante Tamandaré, no sentido Dix-sept Rosado (1.623 infrações); Alexandrino de Alencar com a rua Fonseca e Silva, no sentido Base Naval (1.547); av. Cel Estevam com rua Brasília, no sentido Cidade Alta (1.312); e avenida Lima e Silva com Romualdo Galvão (1.025).
A reportagem da TRIBUNA DO NORTE visitou três dos cinco pontos apontados pela Semob como os mais problemáticos. Durante os 23 minutos que permaneceu no sinal da rua Olinto Meira, na praça Almirante Tamandaré, a reportagem flagrou oito veículos que avançaram o sinal vermelho. Todos os casos estão documentados por fotos. Nos cruzamentos da Cel Estavam com rua Brasília e Alexandrino de Alencar com Fonseca e Silva não houve flagrantes.
O cruzamento da Bernardo Vieira com a Salgado Filho, apesar de ter sido palco de um acidente tão grave no último fim de semana, não está sequer citado nas estatísticas de infração por avanço de sinal vermelho. "Tínhamos um sensor naquele cruzamento, mas retiramos porque não era mais necessário, o condutor já está condicionado a respeitar a legislação naquele ponto. Da Bernardo Vieira até a Amintas Barros, o número de avanços é pequeno porque são vias muito movimentadas", explica Márcio Sá.
A câmera que captou o momento exato do acidente tem a função de monitorar o trânsito naquele cruzamento, que é um dos mais movimentados e problemáticos da cidade. Todos os dias acontecem cerca de quatro pequenos acidentes naquela região. "São problemas menores, de pequenos acidentes, mas que atrapalham o trânsito", diz. E complementa: "O grande problema ainda é o desrespeito à lei de trânsito. Os motoristas não respeitam e por isso acontecem acidentes". Não existe na Semob um estudo que verifique se nos locais onde há um maior número de infrações, também ocorrem mais acidentes.
Militar estava há quatro meses em NatalO capitão-tenente da Marinha Márcio Pereira Cunha, 31 anos estava em Natal há quatro meses, morava no Alecrim e servia no Grupamento de Patrulha Naval do Nordeste. As informações foram repassadas pela assessoria de imprensa do 3º Distrito Naval, através do capitão- tenente Henrique Afonso. Márcio que era carioca causou um acidente gravíssimo, na madrugada do sábado passado, no cruzamento das avenidas Bernardo Vieira com a Senador Salgado Filho, em Lagoa Seca.
De acordo com Ricardo Albuquerque, comandante do Policiamento Rodoviário Estadual, as imagens do acidente "dão ideia de um racha". "Olhei as imagens do acidente, onde foi possível verificar que à esquerda do veículo em que Márcio estava, vinha outro carro de cor clara e que também avança o sinal, porém, somente a Delegacia de Acidentes poderá afirmar se houve ou não racha.