Senado pune Agaciel Maia e Zoghbi com suspensão
Publicação: 12 de Março de 2010 às 00:00
Brasília - O primeiro secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), confirmou ontem a suspensão por 90 dias do ex-diretor Geral da Casa, Agaciel da Silva Maia, e do ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi. Não conversível em multa e associada à suspensão dos salários, a punição marca o desfecho do processo administrativo que investigou a existência de atos secretos, prática verificada desde 1998 que envolveu a ausência de publicação de centenas de medidas administrativas, como nomeações de servidores comissionados.
No caso de João Carlos Zoghbi, a medida será anotada em seu prontuário funcional, mesmo ele já tendo sido demitido no ano passado, depois de responder a processos por abrir empresas fantasmas para intermediar empréstimos consignados a servidores e pelo uso indevido de um apartamento funcional por seu filho. Assim, caso venha a ser readmitido por eventual decisão judicial, Zoghbi continuará sujeito ao cumprimento dessa nova punição.
Outros cinco servidores foram também responsabilizados no mesmo processo que investigou os atos secretos, mas tiveram penas mais brandas. Franklin Albuquerque Paes Landim, que colaborou com as investigações, e Celso Antonio Martins Menezes pegaram suspensão por 30 dias. Nesse caso, a pena poderá ser convertida em multa. Para Jarbas Mamede, Ana Lúcia Gomes de Melo e Washington Luiz Reis de Oliveira, a penalidade foi de advertência.
Na entrevista, Heráclito afirmou que foi aplicada a Agaciel e Zoghbi a segunda penalidade mais grave entre as que estão previstas para servidores da Casa, logo após a demissão. Segundo ele, em razão de entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal, a demissão por improbidade administrativa, aplicável ao caso, só poderia ser adotada depois de condenação judicial.
O senador observou que, se adotada a demissão, os dois servidores poderiam conseguir liminar para suspender o ato. Nesse caso, observou Heráclito, seria cometida uma injustiça com os que pegaram penas mais leves, pois, na prática, esses seriam os únicos punidos. De todo modo, ele adiantou que os autos do processo agora vão para o Ministério Público Federal, para a apuração judicial, o que poderá resultar adiante na demissão e até cassação dos direitos políticos.