Senador do PSDB quer novos depoimentos na CPI

Publicação: 2012-09-07 00:00:00 | Comentários: 0
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Brasília (AE) - O líder do PSDB no Senado, senador Alvaro Dias (PR), vai requerer à CPI do Cachoeira que convoque para depor a empresária Raimunda Ximenes Linhares, dona da relojoaria que recebeu dois depósitos no valor de R$ 101,30 mil da empresa de fachada Alberto & Pantoja Ltda., tida pela Polícia Federal como ponto de lavagem do dinheiro arrecadado pela organização criminosa comandada por Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. A Operação Monte Carlo grampeou a empresária acertando a transferência do dinheiro com Geovani Pereira da Silva, tesoureiro e responsável pela ocultação do dinheiro da quadrilha Geovani conseguiu escapar da polícia e continua foragido.
WALMIR BARRETOSenador Álvaro Dias, líder da bancada do PSDB, não desistiu das investigações na ComissãoSenador Álvaro Dias, líder da bancada do PSDB, não desistiu das investigações na Comissão

Ele ligou para Raimunda em janeiro do ano passado para acertar o envio do dinheiro. No diálogo grampeado pela PF, os dois parecem próximos. O tesoureiro pede que ela diga o número da conta para fazer a transferência “que já faz tempo” (que anotou os dados) e a chama por “Raimundinha”. “Vou mandar hoje depois do almoço”, ele avisa sobre o envio de R$ 51,30 mil, antes de pedir que ela comunique sobre o recebimento do valor. “Assim que eu fizer (o depósito) eu ligo avisando, tá bom, pra você conferir lá”. Minutos depois, ele volta a ligar para ela avisando: “É, mandei lá, você dá uma confirmada lá depois. Por favor”. Raimunda agradece e se despede com “um abração pra você, breve eu vou por aí”. O tesoureiro encerra a conversa dizendo “tá OK, mês que vem eu mando o restante”.

Para o senador, a conversa mostra que a empresária participa do esquema de Cachoeira, no comando de empresas para lavar dinheiro sujo.”Parece que ela se encarregava da lavagem do dinheiro, é uma laranja, não há dúvidas de que é próxima de Cachoeira”. Raimunda não foi encontrada na relojoaria, nem no telefone em que falou com o jornal O Estado de S. Paulo há cerca de cinco meses, quando se passou por alguém que teve os números de documentos utilizados ilegalmente pela quadrilha. O jornal entrou em contato com ela, na ocasião, por causa de outro grampo em que o próprio Cachoeira aparece pedindo a Geovani que “entregue R$ 159 mil para Raimundinha”. A R. Ximenes Joias foi criada em 1997, com capital de R$ 20 mil, sendo 80% das cotas em nome dela e 20% em nome de Paulo Roberto Linhares. Ela também aparece como sendo sócia de uma imobiliária e de um estabelecimento chamado Ouro e Arte Comercial Ltda.

A pedido da CPI, Raimunda Ximenes Linhares encaminhou cópia das duas transferências eletrônicas feitas pela Alberto & Pantoja Ltda., em janeiro e fevereiro do ano passado, no valor de R$ 51,30 mil e R$ 50 mil, segundo ela para pagamento de oito peças em ouro e pedras preciosas. A explicação da empresária é que a empresa teria pago as joias compradas por Carlos Cachoeira.

No último dia 3, Raimunda enviou à CPI cópia de uma nota fiscal em que Cachoeira aparece como sendo o consumidor das joias. Dois detalhes chamam atenção: o fato de a nota estar datada de fevereiro do ano passado, um mês após a realização da compra e o fato dos preços das peças negociada por uma empresa,aparentemente popular, serem mais caros do que as disponibilizadas por marcas de luxo. A empresária enviou fotos das peças à CPI.



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