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Política

Natal, 11 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 16:31

Senadores temem crise diplomática

Publicação: 22 de Novembro de 2009 às 00:00
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Brasília (AE) - A avaliação de senadores ouvidos pela Agência Estado é de que a declaração do ministro da Justiça, Tarso Genro, de que "o fascismo vem ganhando força" dentro do governo italiano, pode gerar uma nova crise diplomática entre os dois países. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), vice-líder do PSDB no Senado, rebate a afirmação do ministro e diz que, ao defender a permanência do ex-ativista de esquerda Cesare Battisti no Brasil, é Tarso Genro quem se porta como fascista.

Apesar de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter decidido pela extradição de Battisti, como pede o governo da Itália, Tarso Genro afirmou na quinta-feira (19) que há uma tendência no governo brasileiro de manter o ativista Cesare Battisti no país por razões "humanitárias e políticas". "A Itália não é um país nazista nem fascista, mas vem sendo constatado um crescimento preocupante do fascismo em parte da população italiana", disse o ministro, que concedeu condição de refugiado político a Battisti apesar de o Conselho Nacional para Refugiados (Conare) ter rejeitado o benefício ao mesmo.

"O governo italiano vai entender esta declaração como um insulto à sua realidade. O fascismo foi varrido da Itália há muito tempo. O ministro não deveria ter insultado a Itália com esta pejorativa declaração", afirma o líder do DEM, senador José Agripino Maia (RN). "O ministro perdeu uma boa oportunidade de ficar calado. Ele pode achar que Battisti deve ficar no Brasil, mas o presidente tem que tomar a atitude correta e extraditá-lo, como determinou o STF", completa o senador Pedro Simon (PMDB-RS)

"Tarso Genro não é ministro da Itália e deve se comportar como ministro brasileiro. A cada dia ele dá mais sinais de megalomania, como o presidente Lula ensina a seus subalternos", afirma o senador Álvaro Dias. "A atitude do ministro Tarso Genro é de arrogância e prepotência. A atitude do governo brasileiro que é de fascista. Acusar outro governo é uma irresponsabilidade", completa o senador tucano.

O senador Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, afirma que Tarso Genro tem, nos últimos dias, dado "várias declarações infelizes". "A última vez, ele disse que o apagão elétrico que atingiu nada menos que 18 Estados foi apenas um microincidente. Agora, é o caso Battisti. Parece até que ele é segurança do Battisti e não ministro", critica o senador pernambucano. "O Brasil tem que cumprir o que mandou a Justiça, extraditar Battisti e ponto".


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comentários

izaquegregorio@...23/11/2009 @ 19h52
Esta matéria é muito importante para que o povo brasileiro reflita sobre a diferença do que seja uma crise diplomática ou uma crise política.No meu entendimento os senadores estão equivocados quanto à extradição do Battisti provocar uma crise diplomática: o que eles querem com sua preocupação é provocar uma crise política. Ocorre que recentemente, o STJ mudou entendimento relativo à pensão de anistiados políticos e isto me faz pensar: que garantias se tem de que o entendimento acerca do caso de extradição de Cesare Battisti não esteja equivocado e venha a ser modificado a qualquer tempo? Qual a diferença das prisões brasileirar para às da Itália? Por que Battisti não pode cumprir sua pena no Brasil com custas pagas pela Itália? Por que extraditar Battisti em momento tão conflitante? Estes são apenas alguns dos questionamento que carecem de respostas e que colocam o Presidente Lula em situação difícil que precisa de diplomacia dentro e fora do País. Se o STF mudar seu entendimento acerca da extradição e Battisti já tiver sido extraditado, os danos não mais poderão ser reparados. Portanto, a melhor solução é a da não-extradição, uma vez que tanto faz ele cumprir sua pena no Brasil como na Itália. Quanto ao acirramento da crise diplomática entre Brasil e Itália, esta é uma situação que pode ser contornada com diplomacia, uma vez que esta crise tem suas raízes não no caso Battisti, mas na não-superação dos italianos de outrora terem vindo encher a barriga no Brasil e enriquecer nas terras brasileiras, quando na Itália muitos morriam de fome enquanto os fascistas se fartavam às custas dos muitos famintos que lá ficaram.O Brasil sempre deu abrigo aos Italianos que de lá se refugiavam neste País Continente, fugindo da fome e da injustiça: por quê com Battisti teria que ser diferente? Refúgio não se dá a quem pede e dele precisa? Será que o STF não se equivocou no seu entendimento e assim pode estar sendo arrogante e prepotente? Qual a situação do Brasil perante todo o mundo com relação à sua política de refúgio?Os senadores, em questão, aproveitando-se do evento, podem não estar preocupados com a crise diplomática, mas com a campanha de 2010, uma vez que num País convivem ao mesmo tempo, adeptos do fascismo e de outras formas de política, a exemplo do Brasil de outrora, que se livrou da ditadura mas tem ditadores e não ditadores convivendo num mesmo território, o que quer dizer que nenhum movimento político desaparece por completo: caso do fascismo de Mussolini e de tantos outros mundo a fora. Que Deus dê Sabedoria ao nosso Presidente para que ele tome a decisão acertada. Professor Izaque Romão, Suplente de Deputado Federal de Parnamirim e do Rio Grande do Norte.
Tribuna do Norte