Sinte denuncia caos nas escolas
Publicação: 29 de Julho de 2010 às 00:00
Colapso generalizado", é como a coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Rio Grande do Norte (Sinte-RN), Fátima Cardoso, considera a situação em que se encontra a educação do município de Natal. "Nem quando Aldo Tinoco Filho era prefeito se viu tanto desmantelamento e necessidades de coisas pequenas. Quando chega achocolatado na merenda, não chega o leite, falta uma coisa ou outra", exemplificou a sindicalista.
Fátima Cardoso traça um quadro preocupante para a Educação municipal, inclusive com atraso de salários dos auxiliares de serviços gerais, professores contratados por prestação de serviço e até os profissionais do quadro efetivo não estão recebendo remuneração pela carga horária suplementar em sala de aula.
Ela disse que ontem de manhã, depois de uma espera de 30 dias, houve audiência com o secretário municipal Edivan Martins, de quem ela afirma "não ter sentido firmeza" quando informou que em agosto faria o pagamento dos salários atrasados dos servidores da SME: "O pior é que o secretário escuta, não responde, não contesta e não apresenta saídas".
A coordenadora conta que "uma série de coisas" vem comprometendo a educação, como a falta de manutenção dos prédios escolares, corte de fornecimento de água por falta de pagamento à Caern: "Nós solicitamos que fosse dada uma explicação à população sobre o que está acontecendo na educação, onde inclusive, duas mil e cem crianças deixaram de ser matriculadas este ano na rede municipal de ensino".
Segundo a sindicalista, o Sinte está preparando um dossiê sobre os problemas atuais na educação em Natal, para apresentar à imprensa e a população. "Nós temos uma pergunta a fazer: o que está ocorrendo com a verba da Educação na Prefeitura do Natal, por estar tão inadimplente como está?" Além disso tudo, ela conta que o material de consumo da SME é fornecido por empresas de fora do Rio Grande do Norte, porque os fornecedores locais estão deixando de participar de concorrência pública "por falta de pagamento".
Ela ainda afirma que o fardamento e outras coisas que são de direito dos estudantes da rede municipal de ensino não chegaram a todas às escolas. "O quadro de crise é grande, antes a gente pontuava as questões, mas em relação a isso que ocorre hoje era coisa pequena e pontual". Na opinião dela, a administração municipal "acabou perdendo a perspectiva de política pública, tratando mais de um viés particularizado".
A professora Romeika Andrade ensina na Escola Municipal Celestino Pimentel, na Cidade da Esperança, e confirmou que mais de 20 professores terceirizados, lotados naquela escola, estão sem receber salários. Ela informa que hoje deve ir à uma reunião no Sinte para relatar a situação dos temporários, cujos contratos são renovados a cada seis meses. "Esperamos contar com a boa vontade do Sindicato, porque não somos do quadro efetivo", explicou Romeika,para quem o salário do prestador de serviço é igual ao do professor do quadro próprio.
Secretário explica medidas adotadas
O secretário municipal de Educação, Edivan Martins, avalia que o Sinte-RN está tentando "politizar a questão da Educação em Natal", quando deveria trabalhar para ajudá-la a melhorar, inclusive os índices do Ideb, que ele afirma ter avançado nas escolas municipais. Edivan Martins disse ontem que o Sindicato dos professores não fala a mesma coisa "quando se trada da Educação estadual". Mas ele afirmou que na audiência com a coordenadora do Sinte-RN, Fátima Cardoso, "nada ficou sem resposta".
Segundo Martins, a secretaria está acabando de preparar a licitação para a compra de fardamento escolar, assim como fez um acordo com os fornecedores da merenda escolar em relação a pagamento.
Ele também falou do esforço que a Secretaria está fazendo para equilibrar as contas, como redução em 30% da despesa com combustível, redução no número de carros alugados e de contratação de estagiários. Além disso, informou que esta semana deve ser efetuado o pagamento de salários atrasados aos professores temporários.
Todo esse esforço, explicou Edivan Martins, tem o objetivo de cumprir o Plano de Carreira do Magistério do município, que gestões anteriores deixaram de implementar, como também as promoções vertical e horizontal dos professores.
O secretário comentou, ainda, que a Prefeitura do Natal, como as prefeituras de outras capitais, vêm sofrendo com a queda de receitas, inclusive do ICMS por conta da nova repartição que foi aprovada na Assembleia Legislativa.