Sisjern rebate posicionamento da Amarn sobre GTNS

Publicação: 03 de Agosto de 2012 às 12:44

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O Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Rio Grande do Norte (Sisjern), através de seu Diretor-coordenador, Bernardo Fonseca, rebateu o posicionamento da Associação dos Magistrados do Rio Grande do Norte (Amarn) - publicado na TRIBUNA DO NORTE de ontem (2) – através das declarações da Presidente da entidade, juíza Hadja Rayanne, sobre a Gratificação de Técnico de Nível Superior, recebida pelos trabalhadores do Judiciário Potiguar e equivalente a 100% do salário. Rayanne acha que a GTNS gera uma distorção, impede a realização de concurso e, por isso, defende a revogação da Gratificação, congelando - conforme constava em projeto que circulou ano passado pelo TJRN - os valores atuais – distintos de servidor para servidor, já que os vencimentos de cada um dependem do momento temporal em que se encontra a carreira.
 
““Ficamos surpresos ao vermos a Amarn alegar crescimento da Folha, em função de direitos dos trabalhadores, e silenciar, sobre o aumento de 100% na chamada “diferença de entrância” dos juízes””, diz Fonseca, considerando ainda as declarações da magistrada uma intromissão, uma ingerência da Amarn, em assunto salarial dos trabalhadores e do próprio Pleno do Tribunal, pois, afirma Bernardo, “A Amarn não tem legitimidade para tratar tal assunto”. O sindicalista disse também que “distorção é existirem salários diferentes para pessoas que fazem a mesma coisa, conforme previa a Proposta”, dizendo ainda que o objetivo do Projeto era beneficiar os juízes e, para isso, se queria tirar a GTNS, conforme a ementa do documento: “Dispõe sobre a diferença entre os subsídios dos membros da magistratura”.
 
O Projeto de sete artigos – continha um revogando a Gratificação – e os demais diminuindo a diferença remuneratória dos juízes de entrâncias diferentes em 100% – de 10% para 5% - bem como criando Auxílio-alimentação dos juízes. O assunto foi matéria na Tribuna do Norte de 18 de dezembro de 2011. O Projeto foi aprovado, mas sem o artigo que abordava a GTNS.
 
Bernardo questiona também projeto defendido pela Amarn que aumenta o número de cargos comissionados, de livre indicação dos juízes, podendo ser pessoas de fora do Tribunal. “Isso sim, impede concurso”, diz Fonseca.
 
O Sindicalista se mostrou incomodado também com o que chamou de intromissão em outro Poder, sobre as declarações do Secretário Estadual de Planejamento, Obery Rodrigues, em relação à Folha de Pessoal do TJRN. “Além de ser um desrespeito ao Judiciário e a Desembargadora Judite Nunes, são declarações que, a exemplo das da Presidente da Amarn, não ajudam ao processo dialógico”, Afirmou Fonseca, concluindo com elogio à nota emitida pela presidente do TJRN: “impecável”, disse.
 
A revogação da Gratificação não é consenso entre os juízes. Em dezembro passado, Artur Cortez, juiz que defende a GTNS, à época candidato à presidência da Amarn, chegou a afirmar, citando o filosofo Immanuel Kant: ““Aquilo que não quero para mim, não quero para os outros”, ainda mais quando a segurança jurídica e constitucional se mostra garantida”” dizendo também que “juiz não trabalha só. Requer-se mais assistentes, mais estrutura e servidores devidamente motivados. Afinal, todos têm família, almejam qualidade de vida e um futuro melhor para a sociedade, para o Estado, para si e para os seus”.
 
GTNS
 
A remuneração inicial dos trabalhadores do Judiciário Potiguar é de R$ 2.939,19, mais a Gratificação de Técnico de Nível Superior (GTNS), que ainda não foi universalizada, ou seja, nem todos recebem. Ao final da carreira, os servidores do TJRN têm remuneração de R$ 5.878,38, acrescida da Gratificação, para quem a recebe.
 
Mesmo com a GTNS, os vencimentos dos trabalhadores do Judiciário Potiguar são inferiores aos da Justiça Federal, bem como a referida Gratificação não faz com que ninguém tenha vencimentos superiores a magistrados. “A GTNS propicia bons vencimentos, o que é justo. Infelizmente, outras categorias, cujas lutas sempre apoiamos, recebem salários muito aquém do merecido. Como exemplo, a campanha salarial dos jornalistas de 2010, que demos total apoio”, afirma Bernardo Fonseca.
 
A Gratificação foi criada em 1993, mas os trabalhadores do Judiciário Potiguar só descobriram sua existência em 2008 quando, após negativa administrativa do TJRN, passaram a requerê-la judicialmente, obtendo as primeiras vitórias em 2010, inclusive em tribunais superiores, só ocorrendo a implantação depois do trânsito em julgado. Em nenhum um processo, a GTNS foi implantada de forma precária, através de liminar. Em todas as instancias, os processos foram acompanhados pelo Ministério Público e sempre publicados em diários oficiais.
 
Acordo
 
Em março último, o Pleno do TJRN, por 8 a 1, decidiu acatar pedido de Mandado de Segurança do Sisjern que pedia a GTNS para todos os trabalhadores do Judiciário Potiguar. No entanto, o Pleno decidiu também que a implantação da Gratificação só deve ocorrer após o trânsito em julgado. Por causa disso, O Sindicato fez uma proposta de acordo à Procuradoria Geral do Estado que, se acatada, os trabalhadores abrirão mão dos atrasados, desde que haja a implantação imediata e o fim do processo.

Com informações da assessoria da Sisjern.

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Comentários

  • costajorge.dir

    defender uma injustiça SE INSURGINDO CONTRA outra e total falta de argumento, pois tanto a pae como a GTNS sao artificios juridicos para aumentar de forma desproporcional a remuneração dos servidores e juízes. A SOCIEDADE TEM QUE SE MANIFESTAR CONTRA ESSE FATO.

  • costajorge.dir

    sr. presidente do sindicato, vc acha justo funcionários que fizeram concurso para nivel médio (pra ficar carimbando papel) ganharem em media R$ 10.000 mensais, enquanto medicos , professores, policiais não chegam nem perto dessas remunerações???????????? a GTNS E IMORAL, E POR ISSO TEM QUE SER BANIDA IMEDIATAMENTE. Além disso, pelas informações do portal de transparencia vemos que os salários do tj rn estão bem superiores a outros tribunais nordestinos, como pernambuco e paraiba, o que so comprova a imoralidade.

  • ronaldomoreira

    Costa...carimbando papel...se acha que servidor só faz isso, faz concurso e vem trabalhar. Isso se tu passar pelo concurso. "PERDOA SENHOR, ELE(S) NÃO SABEM O QUE DIZEM".

  • wfandroide

    Entendo que a AMARN busque defender os interesses dos Juízes, mas acredito que atacar uma consquista alcançadas em Tribunais Superiores para uma classe de trabalhadores não se mostra o caminho mais adquado para fazer valer suas prerrogativas. Lembrem-se, o que diferencia um servidor de um Magistrado é apenas a função pública que exercem. Abstraindo tal fato, todos são seres humanos que riem e choram, têm alegrias e tristezas, saúde e enfermidades, querem ser felizes e oferecer à sua família o melhor que o fruto do seu trabalho pode lhe proporcionar.

  • wfandroide

    Gostaria de elogiar as declarações do entrevistado. Realmente abordou questões essenciais. Tal direito foi conquistado por meio de decisões judiciais. Muito bem colocado as palavras de Artur Cortez, o Juiz não trabalha só. Dependem de funcionários motivados para o bom andamento da instituição. É obvio que todas as classes de trabalhadores merecem justa remuneração, mas a crítica àquela que defendem seus direitos não vai fazer nascer uma justa remuneração para demais.

  • janmedeiros

    Sou médica, tenho mestrado, doutorado e já estou afiando minhas pestanas pra estudar pra este concurso. E que venha logo esse edital

  • jomarcosta

    Caro cidadão costajorge... ! É graças a pessoas como vc que ao invés de procurar lutar por sua categoria seja qual for a sua profissão, é que o Brasil e o RN nunca terão servidores realmente ganhando uma REMUNERAÇÃO JUSTA!!! Ao invés de ficar perdendo tempo em olhar o contra-cheque dos outros, deveria utilizar esse tempo para se dedicar aos estudos!!!!

  • wendellcosta

    Senhor costajorge.dir, seria interessante o senhor aprender a ler e entender o que está lendo antes de fazer comentários infelizes. A remuneração inicial de um servidor do Judiciário Estadual é de R$ 2.939,19 (bruto), o valor de R$ 5.878,38 é para o servidor que está no último nível, em final de carreira. A GTNS não é um artifício jurídico, como citado pelo senhor, mas é uma LEI clara que a define, e vem sendo paga há vários anos a servidores do Executivo e do Legislativo também. Os servidores do Judiciário apenas "descobriram" que também tinham direito a ela e buscaram seu direito.

  • aurmarizio

    Para quem ainda não sabe, a GTNS existiu no Executivo, TCE-RN, etc, além do Judiciário. No entanto, a quase totalidade destes órgãos já a incorporaram aos seus vencimentos, mas não judiciário. Por isso ela não aparece nos contra-cheques dos demais, mas está lá. E quanto à velha comparação com a saúde e a educação, deve ser salientado que seus profissionais acumulam funções em vários órgãos (na União, Estados e municípios), e assim, duplicam, triplicam e até quadruplicam seus salários, mas o servidor do judiciário, mesmo com OAB, sequer pode advogar em causa própria, imagine ter renda extra em outro cargo.

  • dcavalcante

    É um absurdo um funcionário público concursado para cargo de nível médio dobrar o salário em razão da GTNS, é uma vergonha, e a sociedade têm que se mobilizar para que o Judiciário assim como o Executivo revogue de uma vez por todas essa injustiça, e promove concurso para dar mais celeridade aos trabalhos do TJRN. Parabéns a presidenta da AMARN, continue com esse pensamento, pois essa GTNS trava e causa distorções enormes para o Judiciário.

  • dcavalcante

    Interessante é o funcionário que realizou um concurso de nível médio querer se equiparar em todos os sentidos com os magistrados, realmente essa tal GTNS está virando a cabeça dos funcionários do TJRN. Para se ter uma idéia, imagine e procure saber quantos dias de serviço um Oficial de Justiça trabalha, e veja o salário do mesmo, e compares aos médicos, educadores e operadores da segurança pública. A juíza da AMARN está correta, acabem com essas gratificações injustas, revoguem de uma vez por todas essa vergonha. Para ganhar compatível com o nível superior façam concursos para esse nível.

  • victorpintof

    É visível que a maioria dos comentários que aventam argumentos em tom de protesto é de pessoas que, à primeira vista, sequer sabem escrever. Esses -desfavorecidos intelectualmente- esquecem os obstáculos que aqueles que estão em um nível maior de conforto social tiveram que trilhar. No caso em comento, a GTNS ganhou benção jurisdicional, de modo que, formalmente, inexiste eiva à moralidade - aqui não se fala em corrupção, nepotismo e tampouco mácula à Constituição Federal. Os que protestam, por inveja, de situações legítimas, deveriam buscar meios para alcançar o mesmo 'status quo'.

  • amarizio

    Interessante ainda é que o Sr. costajorge.dir@..., servidor de nível médio do TRT21, (Técnico Judiciário), também ganha bruto R$ 10.711,39 (julho), segundo divulgado no portal daquele Tribunal.

  • margarethecastro

    Acho que pessoas sem conhecimento dos fatos deviam evitar comentar as noticias que geralmente são superficiais, para não incorrerem em erros grosseiros, senão vejamos: Afirmar que os servidores do Poder Judiciário ganham 10.000 reais para carimbar papeis é o cúmulo da ignorância. A grande maioria destes servidores são Bacharéis em Direito, especialistas, mestres ou doutores, até mesmo os que fizeram concurso quando só era exigido o nível médio. Analisar sentenças, despachos, petições, expedir, Cartas Precatórias, Rogatórias, Mandados de Averbação, Mandados de Penhora, Alvarás, Cartas

  • ditoalexandre

    Pelo que eu entendi, vocês estão fazendo tempestade em copo d' água.O que o Secretário Obery, solicitou foi apenas que a GTNS fosse incluida no cálculo da folha de pagamento, pois como está a folha de pagamento fica maquiada, não atingindo o Limite Prudencial. O gasto com pessoal como consta no relatorio de gestão fiscal do Tribunal é de R$ 300.048.482,43. Com limite prudencial em R$ 336.778.381,89. Se for incluida a GTNS, o Tribunal irá ficar bem acima desse limite, por isso a preocupação da Presidente do Tribunal em não incluir o calculo na folha de pagamento.

  • jgualpsi

    Essa milagrosa GTNS é tão justa que, como o próprio nome diz, é para servidores de nível superior, mas, pelo que pude divisar, é paga, também, para quem não tem esse nível de escolaridade. Que justiça é essa, heim?

  • flora605

    Se esse TjRn fosse uma empresa privada já tinha falido, tamanha as aberrações mas, quem o sustenta são as tetas da viúva, Ai tudo pode, afinal somos nós mesmos quem pagamos a farra.

  • Semprekaiser

    Danado q o pré requisito para passar nesses concursos do Judiciário é ser parente de Desembargador, näo sou, é quase impossível conseguir

  • fogo068

    Os salários e gratificações recebidos pelos servidores do Judiciário são muito além da média, por que? Será que o trabalho realizado por esses servidores, embora importante, é tão especializado assim a ponto de justificar tamanha DESPROPORÇÃO? É por causa dessa DESPROPORÇÃO (mesmo que seja legal) a sociedade está considerando extremamente INJUSTA essas remunerações tanto dos juízes como dos demais servidores. O dinheiro PÚBLICO que se paga no Judiciário provém da mesma fonte de outros segmentos do serviço público tão mal remunerados (os professores sabem muito bem o que é isso)!

  • margarethecastro

    É muito interessante uma pessoa achar que os servidores do poder judiciário só carimbam papel, até porque isso está tão ultrapassado. Os jurisdicionados, vão ao judiciário a procura de Cartas de Sentença, Formais de Partilha, Mandados, Ofícios, Alvarás, Cartas de Adjudicação, Termos de Tutela, Termos de Compromisso, Mandados de Averbação, entre outros documentos, que somente os SERVIDORES BACHARÉIS EM DIREITO sabem o que significam. Nós somos tão formados, e alguns com especializações, mestrados, doutorados, quanto qualquer outra carreira. O problema é somos os poucos que ganhamos dignamente, não temos culpa disso, lutamos por isso.

  • jpchrisp

    A crítica é salutar mas, as pessoas devem conhecer melhor a situação. Os servidores do judiciários são concursados. A GTNS é uma gratificação de nível superior e não médio, de todo o funcionalismo do ESTADO, não exclusivo do judiciário. Um salário de Analista Administrativo do TRF 5.a Região é de cerca de 6500,00 na mesma função do um Técnico Judiciário. Onde está o artifício jurídico para um direito? Quando médicos e professores ganham gratificações, como acontece no IFRN e na UFRN, como gratificação de ensino superior, a SOCIEDADE NÃO SE MANIFESTA. Estude para o próximo concurso do TJRN.

  • ridalvomedeiros

    O TJRN realizou seu último concurso em 2002, há dez anos, antes da GTNS o TJRN servia de trampolim onde servidores capacitados passavam no concurso, tomavam posse, aprendiam o serviço e logo passavam em outros concursos com melhores remunerações. A GTNS serviu para segurar os servidores no quadro do TJRN, sua revogação implicará em debandada de servidores para outros órgãos prejudicando como um todo a própria justiça.

  • arilsonlucas

    Para quem não sabe e está falando bobagem, os servidores do Judiciário não são de nível médio e sim de nível superior e por isto ganham a GTNS - Gratificação de Tecnico de Nível Superior, e esta gratificação já vinha sendo paga, desde 1992, a todos os servidores do Estado de nível superior do Executivo, TCE, Legislativo e só a partir de 2008 é que tal gratificação foi extendida também aos servidores de nível superior do Judiciário, os quais trabalham em sua maioria auxiliando o trabalho do Juiz e tais servidores fazem os despachos, decisões e sentenças dos processos assessorando os Juizes em razão do grande número de processos em que os Juízes sozinhos não dão conta e precisam do trabalho dos servidores que para serem Técnico Judiciário precisam ser Bacharel em Direito e passarem num concurso dificílimo, não é na moleza carimbado papel como disse algum débil mental mal informado. Se alguem acha que ganhar 10 mil reais no final da carreira é muito dinheiro tá mal mesmo e está precisando estudar mais e mudar de profissão. É verdade que o Judiciário de outros Estados do Nordeste pagam muito mal mesmos e isto irá mudar e precisa mudar. Todas as categorias precisam ser bem remuneradas e a solução não é baixar das que ganham mais e sim aumentar das que ganha menos!