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Política

Natal, 11 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 16:31

'Temos que estudar os projetos de aumento'

Publicação: 08 de Novembro de 2009 às 00:00
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Anna Ruth Dantas - Repórter

Embora aprovados pela Assembleia Legislativa, os projetos de reajuste salarial para a magistratura estadual, Ministério Público, procuradores do Estado e da Assembleia, poderão não ser sancionados. O secretário estadual de Planejamento, Nelson Tavares, admitiu que o órgão ainda está elaborando um estudo de impacto econômico dos reajustes de 8%. Nesse mesmo rol de projetos "indecisos de sanção" está a criação dos 196 cargos da Fundac, proposição do próprio governo.
Marcelo BarrosoNelson Tavares admite que hoje os  investimentos só são possíveis graças aos empréstimos de instituições financeirasNelson Tavares admite que hoje os investimentos só são possíveis graças aos empréstimos de instituições financeiras

Não seria incoerência o Executivo enviar um projeto e, depois de aprovado no Legislativo, ter dúvidas sobre a sanção? O secretário afirma que não é contraditório porque as propostas foram elaboradas em outro momento econômico.

Mesmo com toda ponderação, principalmente porque o Estado está no limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal, Tavares confirmou: "nosso parecer será técnico, mas a decisão da governadora será política".

E na análise do balanço do Estado, Nelson Tavares admite que hoje os  investimentos só são possíveis graças aos empréstimos de instituições financeiras e parcerias com o governo federal. Para ele, a máxima do Rio Grande do Norte é: cortar o custeio (para se adequar a redução da receita) e "pisar no acelerador das obras" (com os recursos dos empréstimos).

Sobre o estudo para sanção dos projetos de reajuste salarial, a receita frustrada do Estado, que teve uma queda de R$ 400 milhões em 2009, com relação à projeção feita em 2008, o secretário estadual de Planejamento concedeu a seguinte entrevista a TRIBUNA DO NORTE.

A Assembleia Legislativa aprovou diversos projetos de reajustes para os procuradores e o Judiciário, mas o governo está no limite prudencial. Qual será sua orientação para governadora Wilma de Faria? Sancioná-los, mesmo com o Estado no limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal?
Temos que ver, estudar os projetos e ver o impacto. Estamos fazendo os estudos de comportamento da receita. Ano que vem parece que será de bom crescimento e vamos analisar esse crescimento sob o impacto da receita e verificar a questão do limite prudencial. Nós fazemos o parecer, mas é uma decisão da governadora com base em algo preciso que são os números, vamos estudar cada elemento desse, fazer projeção de receita e verificar como isso se colocará. Pelo que nós vemos pelo jornal (o aumento) será retroativo a setembro, temos que analisar tudo isso.

Mas foi o próprio governo que propôs reajuste para procuradores de Estado e a criação de 196 cargos da Fundac. Agora a própria governadora repensa esses projetos?
Temos que estudar. Quando fizemos o orçamento, fizemos com perspectiva de inflação e crescimento e distribuímos a receita mês a mês. Vamos pegar esses projetos, detalhá-los e fazer os estudos necessários para isso. Vamos mostrar para a governadora os estudos e ela tomará a decisão política.

Não é estranho a própria governadora vetar um projeto originário dela mesma?
Essa situação é que os projetos já estavam lá há algum tempo. A situação se deteriorou um pouco. Nós faremos todos os estudos para equacionarmos a situação da melhor forma possível.

O senhor deve emitir um parecer para governadora até quando?
Os projetos ainda nem chegaram aqui. Temos um limite legal. Certamente essa é uma discussão que será muito mais política do que técnica.

E qual irá prevalecer: a análise técnica, do limite prudencial, ou a política de não "ferir" as categorias beneficiadas com os reajustes?
Tem o limite prudencial que é contido em lei. Tecnicamente tudo isso será apresentado. Mas a governadora vai decidir politicamente porque o cargo que ela ocupa é de decisão política. Ela se subsidia através da técnica, mas ela toma decisões políticas.

O Estado volta ao limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal. Por que o governo não consegue sair dessa delicada zona?
No primeiro quadrimestre estávamos com 46%. O que aconteceu foi que, na realidade, a folha (de pessoal) tem um crescimento de 3% ao ano independente de qualquer coisa. Mas nós estávamos com perspectivas, quando fizemos o orçamento de 2009, de um crescimento da receita. Isso daí iria diminuir a participação. O que aconteceu foi que tínhamos 100% da receita, e 43,6% que era a participação dos salários na receita. Como a receita caiu e os salários continuaram subindo, aí entramos no limite prudencial. Na realidade desse total, tínhamos 46% da receita ocupada pelo salário. Não é realidade que estamos há muito tempo nesse limite prudencial. É verdade que estamos perto desse limite, mas sempre com a perspectiva de baixar a participação da folha no total arrecadado.

Qual a alternativa para sair do limite prudencial?
Temos que ampliar a receita através da fiscalização, recuperar a dívida ativa. O próprio governo federal está restituindo o IPI. Todo mundo sente a economia reativar, mas quem puxa a reativação são os três setores que tiveram redução de IPI: automóveis, construção e linha branca. Quando o IPI for restituído o impacto virá na arrecadação. Agora temos, afora isso, temos que dar um corte nos custos, sem prejudicar o serviço ofertado ao público.

Embora o senhor mostre otimismo para o próximo ano, mas terão que ser pagos os empréstimos, de quase R$ 500 milhões, feitos esse ano.
O governo federal deu dinheiro aos municípios e emprestou aos Estados. Por isso que estamos com um pé no freio e outro no acelerador. O pé no freio é quanto a custeio, temos que baixar o nível do custeio, sem baixar o nível dos serviços. No acelerador é porque temos que continuar fazendo obras, é para saneamento, estrada, geração de emprego.

Mas isso onera os cofres públicos?
Mas isso gera emprego, gera mais arrecadação. Vai onerar, mas nós temos carência nesses empréstimos para pagar e esperamos que ajude a reativar a economia local.

Em relação ao custeio, onde é possível cortar? Onde está a "gordura" desse custeio?
Temos que trabalhar todos os itens. Se você perguntar qual item que pode ser cortado para resolver isso não existe. O que existe é cortar um pouquinho aqui, um pouquinho ali. Tudo para oferecer um bom serviço a população com um menor custo.

E a receita frustrada do Estado?
Fizemos esse orçamento em setembro do ano passado. Pegamos a receita dos oito primeiros meses, extrapolamos até dezembro e em cima do total esperado da receita a gente coloca uma inflação inflacionária e o crescimento do PIB. Pegamos a receita do ano passado e colocamos a expectativa de crescimento e expectativa inflacionária. Colocamos a expectativa de crescimento, mas o país não cresceu. A receita foi uma receita superestimada. Essa é a verdade. Isso nos traz inconvenientes. Ao aprovar o orçamento nos preparamos para os compromissos tanto de receita quanto despesas. Começamos a trabalhar despesas para cumprir todas, mas as receitas caíram em demasia. A situação do Estado é dúbia. Não tem dinheiro suficiente para custeio, é preciso fazer cortes, mas temos recursos para investimento. A orientação da governadora é manter os investimentos e fazer corte em custeio. Isso ocorreu principalmente no primeiro semestre desse ano.

O Estado fechará o ano com quantos milhões a menos da receita esperada?
Nós tínhamos uma estimativa de R$ 4 bilhões e 400 milhões, e deveremos fechar uma receita de R$ 4 bilhões. O detalhe importante é que os impostos dos Estados todos eles estão maiores que o ano passado, os impostos federais é que estão a quem. O governo de maneira adequada combateu a crise retirando carga tributária de determinados produtos, conseguiu alavancar. Mas a retirada da carga tributária foi feita em cima do IPI.  O Fundo de Participação do Estado caiu cerca de 20%. Os royalties, que não é imposto, que é dado pela produção, valor do dólar e preço internacional do petróleo, também caíram.

Esses R$ 400 milhões que faltaram do orçamento serão cortados de onde?
Eles já estão sendo cortados. O Estado está se adequando a receita. É bom que se diga, royalties foram 50% a menos.

Há uma crítica dos  parlamentares de oposição sobre o pouco percentual da receita do Estado destinado a investimento?
A receita só caiu e comprimiu. Mas nós temos procurado manter o nível de investimento com a receita de crédito, de empréstimo e tudo mais. Agora, mais do que igualmente com a receita de crédito, está sendo feito um investimento de R$ 1 bilhão em saneamento. Esse valor é através do Governo Federal.

Mas com a receita própria como é o investimento?
Temos que admitir que houve uma certa queda. Agora adequou você não pode é gastar mais do que aquilo que você recebe. Nós procuramos compensar essa queda e foram feitos empréstimos para manter. Todos empréstimos feitos foram para investimentos, nenhum para custeio.

Daqui a cinco meses, a governadora Wilma de Faria entregará a administração ao vice-governador Iberê Ferreira. Qual será a situação econômica que Iberê "herdará"?
Não haverá mudança na situação econômica. Ele terá dinheiro para fazer obras e vai ter que racionalizar custeio. Esse quadro vai se perdurar pelo ano que vem. Há uma identidade muito grande entre a governadora e o vice-governador, ele está ciente de todo esse quadro e confirma essa orientação política. Corte para custeio, mantém investimentos. Os investimentos da receita dependerão do crescimento da própria receita.

Então o senhor quer dizer que hoje o Estado só consegue investir pelo dinheiro que vem de "parcerias", empréstimo, governo federal, financiamento?
Pelas parcerias que são feitas e pelos empréstimos tomados. Com o dinheiro próprio o investimento sofreu certo abalo pela queda na receita.

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