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Natal, 11 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 16:31

"Todas as minhas fases foram boas"

Publicação: 22 de Novembro de 2009 às 00:00
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O locutor e apresentador Cid Moreira é daquelas pessoas que ficou "imortalizada" pela grande ligação com a televisão. Durante 27 anos apresentou o telejornal de maior audiência da televisão brasileira, o Jornal Nacional, e ainda hoje é conhecido por isso. Mas, na fase pós JN, o trabalho do locutor, antes dedicado a notícias do Brasil e do mundo, hoje está voltado para a Bíblia. Cid Moreira, que esteve em Natal participando do Festival de Cinema, atesta que gostou de todas as fases da carreira profissional, lembra de que já recebeu proposta para ser ator de cinema, mas, ao falar do trabalho de gravar a Bíblia, ele não esconde a empolgação e o contentamento.

Aldair DantasNacionalmente conhecido por ter apresentado o jornal nacional por 27 anos, Cid Moreira está na cidade para participar do FestNatalNacionalmente conhecido por ter apresentado o jornal nacional por 27 anos, Cid Moreira está na cidade para participar do FestNatal


Passou seis anos gravando a Bíblia em linguagem mais acessível. O trabalho foi lançado este mês e está pronto em CD, DVD e pendrive. "Hoje invisto no poderoso, no chefe Supremo. Fiz um trabalho agora que chegou a quase seis anos em parceria com a Sociedade Bíblica, foi a Bíblia em linguagem de hoje. Essa é a nossa linguagem que eu procurei tornar o mais popular possível", diz o apresentador se definindo como "cristão". Ele afirmou que não tem uma religião definida, mas procura seguir a Cristo. Quando fala sobre o Jornal Nacional, nada de nostalgia, Cid Moreira aborda com naturalidade e lembra que é pela apresentação no JN que hoje figura no Guiness Book. O entrevistado de hoje do 3 por 4 é um cidadão simples, um locutor com voz muito reconhecida por todos, uma pessoa agradável na conversa e atenciosa  na expressão. Com vocês, Cid Moreira:

Poderíamos falar de uma carreira de Cid Moreira com diversas fases?
A vida do ser humano eu classifico de fases. Todas as minhas fases foram boas. Tive a fase boa no rádio. Tive também chance de trabalhar em cinema. Fiz algumas pontinhas em cinema. A rádio era usada sempre nos filmes antigos, eles colocavam cantores, colocavam locutores apresentando cantores. Fiz algumas pontas, mas tive convite para ser ator. E eu poderia até optar por ser galã de cinema. Fui convidado por um produtor de filme chamado Lulu de Barros. Ele me convidou para fazer um filme das Agulhas Negras, lá na Academia Militar em Rezende (Rio de Janeiro). Eu era um locutor que gravava muitos comerciais. Então, ele me convidou para estrelar um filme, como cadete. O papel depois foi aceito por Adriano Reis. Não aceitei porque eu ganhava quatro vezes o que me foi oferecido para fazer o filme. Optei pelas minhas gravações. Não ingressei no cinema. Na própria Globo fui convidado para fazer novela, mas optei pelo jornal. Uma vez recebi um convite para fazer uma propaganda na época do homem de 2 milhões de dólares. Me ofereceram 1 milhão para fazer um comercial. Eu estava há dois anos no Jornal Nacional e ganhava bem menos. Fiquei arrepiado (com a proposta de fazer comercial) e tentei subornar o chefe (o diretor do jornal para que autorizasse fazer o comercial e continuar apresentando o Jornal Nacional), oferecendo 10%, mas ele disse que eu não poderia fazer o comercial. Então eu optei, acreditei no jornal (no Jornal Nacional). Sempre acreditei no Jornal Nacional por isso fiquei lá 27 anos, porque acreditava e gostava do jornal. Enfrentamos uma fase negra, que foi a da ditadura, mas superamos tudo isso. Quando eu entro em um projeto vou fundo; não fico na superfície.

De todas as fases que o senhor relatou há pouco, qual lhe trouxe mais satisfação?
Todas elas.

E como o senhor definiria sua atual fase?
Minha atual fase é a Bíblia. Hoje invisto no poderoso, no chefe Supremo. Fiz um trabalho agora que chegou a quase seis anos em parceria com a Sociedade Bíblica, foi a Bíblia em linguagem de hoje. Essa é a nossa linguagem que eu procurei tornar o mais popular possível. No dia 9 lancei no Rio a Bíblia na íntegra, com trilha de cinema. Eu que fiz tudo. Dois maestros trabalharam nisso. Eu gravava um trecho mandava para um maestro, mandava para outro. Eu li a Bíblia quatro ou cinco vezes. Até a Sociedade Bíblica mandou o CDRom eu tinha trabalho até de fazer a formatização, escolhi personagens, escolhi pastores, amigos.

O trabalho do senhor na fase voltada para Bíblia até que ponto tem a satisfação pessoal, de cunho religioso ou de negócio?
A Bíblia para mim é a realização total e absoluta. Quando eu ainda estava no Jornal Nacional eu fiz um clipe tendo como cenário aquele "dedo de Deus" em Teresópolis (Rio de Janeiro), é um trecho da estrada que tem uma montanha. O diretor (do Jornal Nacional) apoiava esse clipe, ele mandou grua, mandou tudo e foi um clipe, eu caminhando na montanha, falando, e o "dedo de Deus" aparecendo. E nisso tudo eu fiz um juramento, nessa época estava com 25 anos de Jornal Nacional. E eu disse nesse juramento: "há 25 anos que levo notícia para todos os lares, notícias nem sempre boas, mas procuro amenizar com um boa noite, mas a partir de agora, nem sabia a grandiosidade daquele juramento, mas disse que a partir de agora levaria a notícia do Evangelho".  Esse disco existe e eu gravei. Quando deixei o Jornal Nacional a primeira coisa que me apareceu foi me levando para esse caminho. Apareceu o convite para gravar o Novo Testamento na íntegra. Na sequência fui convidado para gravar passagens bíblicas, CDs distribuídos em banca de jornal. Sabe quantos CDs foram vendidos? Mais de 30 milhões. Então foi um sucesso. Hoje quando alguém pergunta o que eu faço: digo estou lançando a Bíblia. Mas e ainda respondo: passagens bíblicas é uma coisa, mas a Bíblia na íntegra é outra. Esse trabalho, inclusive, está sendo cogitado de ir para o Guiness Book. Inclusive, já estou no Guiness pelo Jornal Nacional. Até já disse para o Bonner (William Bonner) que ele tem tudo para quebrar o meu recorde, primeiro é boa pinta, boa voz, mais novo do que eu.

Qual sua religião?
Sou cristão. Quer dizer, procuro ser cristão. Minha família era católica, mas digo que não tenho denominação, procuro ser cristão, que é difícil, muito difícil. Você dizer eu sou cristão, imagine como Cristo agia e será que eu faço o mesmo?

O senhor cogita lançar outros textos que não sejam bíblicos?
Não. Atualmente é só a Bíblia. Tenho muitos convites, mas é só a Bíblia.

Qual o sentimento, a impressão de Cid Moreira quando assiste hoje ao Jornal Nacional?
A tecnologia evolui. Vou voltar a falar da Bíblia, quando comecei a gravar esse trabalho que durou seis anos (e ele lançou agora) pensava em CD. Da maneira como gravei foi uma novela, tem atores, efeitos, tem participação de uma mosca. Pensava que o trabalho seria 120 CDs. No lançamento fiquei surpreendido porque em CD a Bíblia foi lançada em 9 CDs porque é MP3. Em DVD são dois toda a Bíblia. E mais uma coisa, assinei contrato com toda telefonia nacional, contrato de 10 anos, para divulgação da Bíblia, estou gravando mensagem de um e dois minutos. Há dez anos fiz um filme em Jerusalém, mostrando pontos da Bíblia. A Macintosh lançou isso no iphone.

Mas e a pergunta que eu fiz: qual sua impressão assistindo hoje ao Jornal Nacional?
Veja gravei a Bíblia pensando em CD, hoje ela sai em pendrive. Jornal é mais ou menos a mesma coisa. Na minha época era mimeógrafo e veio evoluindo.

Nesses 27 anos de JN qual foi a grande notícia?
Vivi grandes notícias. Por exemplo, dei a notícia das Diretas Já, a queda da ditadura.

Para quem leu quatro vezes a Bíblia, qual o trecho que lhe emociona mais?
A Bíblia emociona de ponta a ponta. Tem Jó, Eclesiastes. Gosto de Provérbios. Salmos eu gosto muito. Coríntios 13 eu também gosto muito.

Falamos das fases que o senhor passou, da fase atual e qual o seu projeto para próxima fase?
Hoje eu sonho em gravar clipes da Bíblia, como eu já gravei. Quando fiz aquele juramento, queria gravar clipes. Eu gravei áudio, mas agora quero gravar vídeo, se Deus permitir.

É verdade que nesse trabalho da Bíblia, o senhor também dedicou exemplares para os deficientes visuais?
A Bíblia será doada a institutos de cegos, igrejas. Ouvindo eles conseguem conhecer. Muitas cartas que recebia falavam do consolo da Bíblia. Eu recebi o abraço dos cegos, no lançamento do Rio de Janeiro, e fiquei emocionado.

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