Tremores assustam convidados
Publicação: 12 de Maro de 2010 às 00:00
Santiago - Uma série de fortes réplicas do devastador terremoto de atingiu o Chile no mês passado foram sentidas no país ontem, enquanto o presidente eleito Sebastian Piñera tomava posse. Ele imediatamente pediu aos moradores da costa que fossem para locais altos no caso de um tsunami. A réplica mais forte, com magnitude 6,9, foi quase tão forte quanto o terremoto que devastou a capital do Haiti no dia 12 de janeiro. Não há informações sobre danos ou feridos. A Marinha do Chile emitiu alerta de tsunami, mas o Centro de Alertas de Tsunami do Pacífico disse que os abalos secundários eram muito pequenos para causar ondas perigosas além da costa central do Chile.
O presidente Sebastian Piñera tomou posse no prédio do Congresso na cidade costeira de Valparaíso antes de o prédio ser evacuado como precaução. As sete réplicas balançaram prédios e janelas e levaram assustados chilenos para as ruas. O tremor de 6,9 foi o mais forte desde o terremoto de magnitude 8,8 do dia 27 de fevereiro e ocorreu ao longo da mesma falha, disse o geofísico Don Blakeman, do Centro de Pesquisa Geológica dos Estados Unidos, localizado em in Golden, Colorado. Inicialmente a agência informou que a réplica tinha sido de magnitude 7,2. "Quando temos terremotos ao redor da magnitude 8, esperamos talvez duas réplicas de escala 7", disse ele.
Blakeman disse que o Chile agora deve sentir "réplicas das réplicas". "Não se trata de um sinal de que algo diferente está acontecendo. Mas o que ocorre quando temos essas grandes réplicas é termos uma série de réplicas novamente", disse Blakeman.
A Marinha chilena emitiu um alerta de tsunami. O escritório de emergência do governo - muito criticado por não ter emitido um alerta que teria saldava centenas de vidas das ondas enormes que aconteceram após o principal terremoto - pediu que os chilenos buscassem locais mais altos, apesar de o epicentro do maior tremor desta quinta-feira ter sido localizado em terra.
Durante a cerimônia de posse, o presidente boliviano Evo Morales pareceu rapidamente desorientado e seu colega peruano, Alan Garcia, fez uma piada dizendo que o tremor deu a ele "um momento para dançar". Ao perceber a tensão causada pelos terremotos e o alerta de tsunami entre seus convidados, Piñeira brincou com os presentes dizendo que os abalos foram causados pela oposição para desestabilizá-lo. O comentário foi feito em tom de piada para tentar quebrar o clima de apreensão. "Foi uma manobra da Concertación [coligação da esquerda derrotada por ele nas últimas eleições] para me tirar o chão", disse ele.
O terremoto do mês passado, o quinto mais forte desde 1900, matou pelo menos 500 pessoas, destruiu ou danificou seriamente pelo menos 500 mil casas e destruiu estradas e hospitais. Apenas os reparos na infraestrutura vão custar US$ 5 bilhões e o custo da recuperação total pode superar US$ 15 bilhões.
Direita chega ao poder pelo voto
Sebastian Piñera, o primeiro presidente de direita eleito em 52 anos no Chile, disse que iria direto para o trabalho. O investidor bilionário que estudou economia em Harvard, executivo de companhia aérea com pouca paciência para burocracia, planejou uma visita de trabalho ontem mesmo, à cidade costeira de Constitución, onde o tsunami destruiu a área central, além de uma sessão do gabinete tarde da noite.
Na noite da eleição, ele prometeu fazer do Chile "o melhor país do mundo", e gastar bilhões para acelerar o crescimento econômico - promovendo um crescimento de 6% ao ano do Produto Interno Bruto (PIB) -, criar milhões de empregos em quatro anos e combater o crime, além de outros pontos. Agora, a reconstrução é a sua prioridade.
O novo presidente afirmou que a manutenção da ordem pública e dos serviços básicos são sua prioridade. Em muitas das cidades atingidas pelo grande terremoto ocorreram saques, o que provocou pânico até a chegada de militares enviados pela ex-presidente Michelle Bachelet, que impôs um toque de recolher e diminuiu as tensões sociais.
"Nós não queremos que essas cenas de saques e vandalismo que vimos em Concepción se repitam", disse Piñera, que é o primeiro conservador eleito democraticamente no país em 52 anos. "Vamos usar as forças armadas para assegurar a segurança civil", acrescentou.
A vitória de Piñera encerrou os 20 anos de governo da coalizão de esquerda que levou o Chile de volta à democracia depois da ditadura do general Augusto Pinochet. Sua chegada ao poder também colocou a relativamente pequena elite empresarial diretamente no poder. Mas Piñera prometeu manter os programas sociais criados por Bachelet, que deixa o cargo com 84% de aprovação.
O novo presidente não tem maioria legislativa, então deve fazer acordo com integrantes da esquerda. Sindicatos ameaçaram realizar greve se Piñera insistir em sua promessa de privatizar a estatal de cobre Codelco, responsável por a maior parte dos recursos do governo.
Líderes da coalizão de centro-esquerda, que inicialmente rejeitaram a ideia de um governo de união nacional, moderaram o tom e prometeram apoio legislativo para os projetos de reconstrução de Piñera.