Turismo internacional cai 43,5% em cinco anos
Publicação: 31 de Agosto de 2010 às 00:00
O número de desembarques internacionais no Rio Grande do Norte teve uma queda de 43,5% nos últimos cinco anos. Dados da Infraero mostram que o estado perdeu 93,8 mil turistas apenas nos meses de junho do período compreendido entre 2006 e 2010. A valorização do real frente ao euro e ao dólar, foram considerados os principais fatores para a queda no número de chegadas de passageiros vindos de fora do país. O resultado não reflete quantos deles são turistas, mas o baque no setor é confirmado pela queda no número de hóspedes internacionais nos hotéis.
"A queda começou a acontecer em 2004 e teve seu auge em 2006. O fortalecimento do real contribuiu muito para isso", analisa o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH RN), Enrico Fermi. Ele pontua ainda que a falta de divulgação do potencial turístico potiguar no exterior contribui para a redução do fluxo de turistas internacionais no estado. Somente em junho do ano passado, o setor sofreu o déficit de 25,8 mil turistas em relação ao mesmo período de 2008 (veja quadro).
Com a crise internacional que se iniciou nos Estados Unidos e contaminou diversos países do mundo, o poder de compra dos americanos e europeus, principais consumidores externos do turismo local, caiu. "As moedas mais fortes sofreram com a desvalorização gerada pela crise no mundo e o consumo deles caiu. Além disso, houve um encarecimento dos pacotes turísticos", comenta o Secretário Estadual de Turismo, Múcio Sá.
De acordo com dados do Ministério do Turismo, cada turista europeu gasta por dia uma média de R$ 560. Os turistas costumam permanecer sete dias no local escolhido. Ao final da permanência ele tem desembolsado R$ 3,9 mil. Levando em consideração estes valores, pode-se calcular que a economia potiguar perdeu, em aproximadamente cinco anos, R$ 367 milhões com o recuo da atividade turística internacional.
"Os turistas vindos da Europa, por exemplo, escolhiam os voos fretados por serem mais baratos do que os comerciais", indica a proprietária da Mix Turismo, Maria Alice Silva. Natal perdeu vários charteres vindos da Europa, sendo o mais recente o que saía de Milão, operado pela Iberojet. Com o fim do voo comercial, que fazia conexão em Salvador, em média 140 passageiros deixarão de desembarcar semanalmente em Natal.
Para Múcio Sá é tudo uma questão de tempo para a recuperação. "A questão dos voos internacionais não depende exclusivamente de uma ação do governo. É necessário que a crise acabe para que o turista internacional tenha mais dinheiro para viajar".
Além das perdas para a atividade turística local, o mercado imobiliário também amarga a ausência dos investimentos europeus. A crise que ainda é sentida pelo Velho Continente, se reflete em Natal nos empreendimentos (resorts, clubes de golfe) que não saíram do papel. "O mercado imobiliário também perdeu muito. Os investidores vislumbraram que os turistas comprassem uma casa em Natal e isso não se consumou", aponta o diretor comercial do hotel Praiamar, George Gosson.
Turismo interno registra aumento
Em contrapartida à realidade turística internacional, o turismo interno tem crescido e é o que mantém os hotéis em funcionamento hoje. O gerente comercial do Hotel Praia Mar, George Gosson, comenta que o mercado nacional compensou a ausência do turista internacional. "Mais de 90% da taxa de ocupação do hotel é mantida pelos turistas nacionais".
Apesar de permanecer em média três dias a menos que os turistas europeus e americanos, o brasileiro passou a viajar e gastar mais nos destinos turísticos. Gosson complementa que o mercado turístico local teve sua economia mantida em operação com o aumento do poder aquisitivo do brasileiro, que passou a viajar e gastar mais internamente.
Porém, os pacotes turísticos para destinos nacionais continuam caros. Passar cinco noites nas Serras Gaúchas, por exemplo, custa o mesmo preço de uma viagem, de igual período, à capital argentina. "Cada vez mais turistas potiguares tem procurado pacotes para Buenos Aires. O custo-benefício compensa mais do que destinos nacionais", afirma Maria Alice. A desvalorização do peso frente ao real, impulsiona a procura pela Argentina como destino turístico.