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Fim de Semana

Natal, 25 de Maio de 2012 | Atualizado às 15:46

Um giro pela Erivan França

Publicação: 12 de Março de 2010 às 00:00
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O cenário permanece lindo. Mar azul, guarda-sóis coloridos ornando as areias, palmeiras, e o Morro do Careca ao fundo, ainda figurando como o cartão-postal mais conhecido da cidade. As belezas da orla de Ponta Negra continuam notáveis. Mas está faltando um tempero novo; um sabor que atraia novamente os bons de garfo natalenses para os ótimos restaurantes que se apresentam ao longo da avenida Erivan França. O local ainda se ressente das operações que, anos atrás, coibiram o turismo sexual na área. Alguns inconvenientes foram embora, mas ficaram outros..

Emanuel AmaralAlmoçar e curtir a paisagem praiana é uma opção da ErivanAlmoçar e curtir a paisagem praiana é uma opção da Erivan
O tempero que falta está no sentido figurado; no literal, a orla continua oferecendo cardápios eficientes, de variados sabores e boas ideias. O gourmet natalense que anda esquecido disso precisa prestar mais atenção durante o passeio na praia.  Boa parte dos restaurantes da orla de Ponta Negra são jovens veteranos. Ainda conservam o mesmo padrão de qualidade da época mais badalada do local - só o público que mudou. O clima está mais tranquilo e o movimento termina cedo, por que a maioria agora é formada por restaurantes.

Que não deram certo

A churrascaria Boiadeiro tem três anos de funcionamento, música ao vivo toda noite, espaço para 90 pessoas. Conta com um rodízio de carnes diário, manhã e noite, ao preço de R$25,90 por pessoa, com 15 tipos diferentes de carne, além do buffett de acompanhamentos. O público reúne casais, na maioria de turistas brasileiros e estrangeiros. O cardápio continua vasto, oferecendo picanhas, lombo recheado, massas como o nhoque com camarão, lagosta, cioba na brasa, caldos, tábuas de frios, entre outros.

"Sentimos falta do natalense. Já tentamos projetos como o Blues à Beira Mar, ano passado, mas está difícil", diz Lino Marotto, um dos sócios da churrascaria. Segundo ele, iniciativas precisam ser tomadas para chamar novamente a atenção sobre a orla. "Shows gratuitos, espetáculos teatrais, projetos musicais, são atos que poderiam lembrar que a prostituição não ronda mais por aqui, e que a orla tem muita coisa boa para oferecer", sugere. Ele acrescenta ainda inconvenientes como a passagem do carro do lixo durante o horário de almoço, que causa muita reclamação entre a clientela.

Picanhas

O Picanha & Cia tem sete anos de orla. O cardápio trabalha mais de 15 tipos de picanhas diferentes, desde a padrão (na brasa ou chapa), até ao alho e óleo, acebolada, ao molho italiano, molho cheddar, poivre vert, etc. Destaca-se também o 'mistão' de carne (bovina, suína, frango), além de contra-filés, aves, peixes e camarões. As porções são para duas pessoas. A casa, espaçosa, ainda é uma das mais bem frenquentadas da área. "De outubro a janeiro, nosso público é estrangeiro. No resto do ano, são turistas brasileiros e natalenses, 90% casais. Conseguimos nos manter na crise da orla por termos um público fiel há anos", explica o administrador Aldo Moura. Ela só registra uma mudança: o público aumentou no jantar e caiu no almoço.

Bons preços

O Sobre Ondas tem 10 anos de praia. Há 10 meses está sob nova administração, a cargo do paraibano Ivandi Júnior. "Pesquisamos bastante para abrir um negócio em Natal, e a conclusão foi que Ponta Negra ainda é um dos points mais conhecidos do Nordeste. Uma pena que a orla esteja nesta fase", diz. Enquanto o poder público não toma iniciativas para "levantar o moral" da área, segundo Ivandi, o restaurante segue praticando preços compatíveis com a clientela natalense, com um menu diversificado.

O restaurante conserva opções caprichadas de bacalhau norueguês (à lagareiro, espanhol, Gomes de Sá, bacalhoada, e à Tia Micas, com posta frita), pizzas, massas, frutos do mar (lula à milanesa, peixada à escabeche, moqueca), caldos (ostra, caranguejo, bacalhau, polvo, mariscos, camarão, peixe), frango à francesa (refogado no azeite com ervas), e até uma carne de sol  completa, a R$44. Para Ivandi, a orla carece de shows, limpeza, e uma apresentação mais caprichada. Bom cardápio ela já tem.

O restaurante Parada Obrigatória tem 11 anos de Ponta Negra, e já viu a orla em várias fases. "Hoje, meu público é 90% turista. O natalense vem mais em grupos, em datas festivas. Eu sinto que o natalense está louco para voltar à orla, mas ainda tem aquela ideia negativa na cabeça. É preciso divulgação, mais apoio do poder público", diz o proprietário Dionísio Schutz, gaúcho. A casa é arejada, e tem um caprichado cardápio de frutos do mar. Dionísio destaca a cioba inteira na brasa, o camarão à moda da casa (gratinado ao queijo catupiry), lagosta grelhada com frutas, além de uma pizzaria à noite, e happy hour com bruschetas, tábuas de frios, carne de sol e camarão.

Traslado para facilitar

O Rio Restaurante (antigo Botero), lançou mão do serviço de translado próprio para atingir o público turístico. Segundo o maître Josinaldo Farias, as agências de turismo boicotam a orla de Ponta Negra. "Tivemos que correr atrás. O turista vem, prova nossa comida, vê que o ambiente é familiar, e desfaz aquela imagem que a agência passou", diz. A casa é espaçosa, arejada, decorada com imagens cariocas, e o cardápio foca o internacional. Destacam-se a lagosta grelhada, o filé bernaise (molho sueco), camarão ao chef (flambado na cachaça, com molho bechamel), filé de peixe ao molho de camarão. Os drinques são vários, como o 'Rio Cocktail', um misto de licor de pêssego, vodka, cointreau, groselha, guaraná e suco de laranja. Cai muito bem neste calor atual.

Barraca do Caranguejo

A Barraca do Caranguejo, que começou na praia e há dez anos se tornou restaurante, está com planos de se reformular para renovar o público. "Faremos mudanças no piso e adega, e vamos divulgar melhor nossos preços, os mais acessíveis da orla", diz o sócio e gerente Márcio Souza. O carro-chefe da Barraca ainda é seu rodízio de camarão, ao preço de R$25,90, com 16 opções de camarão. Acompanha um buffett de saladas e pratos quentes, com escondidinho de camarão, moqueca de peixe, purê, arroz com brócolis, entre outros. A casa tem outros pratos, como a caldeirada de frutos do mar, carne de sol na brasa com coalho, e o meca grelhado ou na brasa. O local tem uma vantagem em relação aos outros restaurantes da área: o estacionamento próprio.

Turistas brasileiros

O Cactus, tradicional point de turistas escandinavos, também mudou de perfil: hoje, os turistas brasileiros imperam. "É uma pena que muitos natalenses ainda não saibam que há uma casa de pratos mexicanos em Natal", diz o gerente Marcondes Brito. Além de tacos, quesadilas e burritos, o restaurante tem pratos caprichados como o peixe à moda (posta de meca grelhada com alcaparras), e a sinfonia de frutos do mar (lagosta, camarão, ostras, etc). Segundo o gerente, "a classe média natalense preferiu ficar trancada no shopping. Os taxistas e ambulantes tomando a calçada também não ajudam".

Tranquilo, a nova casa

O Tranquilo Bar e Restaurante é o mais novo da orla. Aberto em novembro de 2009, é parte integrante do hotel Don Limpone. O ambiente é bem decorado, espaçoso. O menu mistura internacional e regional, com direito a alguns petiscos suecos - como o 'toast skaagen' (camarões com cebola, cream cheese e pão frito com rum) e o 'köttbullar' (bolos de carne com batatas cozidas em molho apimentado). Entre os destaques, o badejo ao chef (grelhado, com mexilhões e vinho branco), massas ao molhos de salmão, brócolis, castanha, salsa e parmesão, além de picanha e filé mignon com especiarias. A proprietária Maria de Souza afirma: "esquecer a orla é um erro. Ponta Negra é linda, e ainda é referência".

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comentários

janilson.iraponira@...18/03/2010 @ 08h20
É que nós potiguares somos tidos por turistas, tendo que pagar o preço dos serviços como se ganhassemos em euros. Imagina uma simples caipiroska por R$8,90. Afasta o natalense e futuramente os turistas.
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