Yuno Silva - repórter
Anchieta Rolim é homem do mar, da beira mar de Areia Branca, é desse trecho do litoral norte do RN que o artista 'pesca' inspiração para suas geoformas. Escultor na essência, Rolim resolveu experimentar a pintura sobre tela há cerca de 15 anos - até perceber que o formato era convencional demais para sua maneira tridimensional de pensar uma obra de arte. E é sua busca pela terceira dimensão projetada que domina a exposição "Geoformas", em cartaz até o próximo dia 4 de dezembro no Palácio Potengi - Pinacoteca do Estado. São 22 trabalhos, todos à venda, que traduzem com elegância o contraste da arte construtivista.
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Escultor na essência, Rolim apresenta nova linguagem em Geoformas
"Há uns seis venho trabalhando com com esse conceito de formas geométricas. Sempre desenhei de forma aleatória com esquadro e régua, e por ser escultor passei a sentir necessidade do volume", contou o artista. "Em 2005, quando participei de uma oficina na UFRN, Jota Medeiros viu meus quadros e disse que tinha um trabalho muito interessante, que era construtivista", lembrou. E desde então Rolim passou a dar atenção especial para essa vertente das artes visuais.
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Obras construtivistas sem título
Suas obras podem ser relacionadas ao trabalho de outro potiguar mundialmente conhecido, Abraham Palatinik, e o cearense Sérvulo Esmeraldo. Sobre a exposição Geoformas, o artista plástico e crítico de arte Jota Medeiros escreveu de forma enigmática: "Rolim descobre a geometria, a forma pura e atraente, na construção do sensível, ele se incursiona no universo pictórico em sua terceiridade e/ou matura idade, com base nos elementos cromáticos formais fundamentados por Mondrian (pintor modernista holandês) e constrói objetos bidimensionais, matrizes para uma terceira dimensão projetada; são linhas, curvilínieas, cores e formas que se harmonizam numa composição gestaltica em analogia utópica".
Rolim ainda não foi muito além da região Nordeste com as geoformas, até porquê o artista não é muito afeito a viagens de avião, mas sua arte já atravessou fronteiras e oceanos - obras adquiridas por estrangeiros que visitaram seu ateliê ou prestigiaram alguma exposição, pois ele também não libera os quadros na mão de ninguém. "Tenho que ir com eles", frisa.
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Experimentos geométricos saltam da tela nos trabalhos de Rolim
Com dez exposições coletivas no currículo, e outra dezena de individuais, disse à reportagem do VIVER que vem tomando coragem para embarcar rumo à Europa há pelo menos cinco anos: "Tenho um amigo italiano, Steve, que vem passar o verão aqui na praia de Ponta do Mel. Disse que tem uma casa em Florença, que recebe muitos artistas e que tem contato com várias galerias de arte. Vive me chamando e acho que na próxima eu vou", planeja.
O areia-branquense também mantém contato com artistas na Alemanha, firmado a partir do intercâmbio feito durante a oficina promovida na UFRN. Anchieta Rolim começou a fazer esculturas ainda criança, mas como prefere trabalhar com obras de grande porte teve que optar por trabalhos em escala menor "para facilitar o transporte e a formatação de exposições" distante de seu refúgio marinho.
ServiçoExposição "Geoformas", de Anchieta Rolim. Em cartaz até dia 4 de dezembro, no Palácio Potengi - Pinacoteca do Estado.