Maria Betânia Monteiro - repórter"Passagem para viagens sem sair do lugar/ Sopram cores ao pé do ouvido/ Ensopam o ar de perfume e memórias/ Não há mais lugar para o torpor/ É tempo de existir e trilhar/ são acalantos alentos para levitar/balançando árvores antigas nos permitindo infinitos". Os versos da jornalista e poeta Michelle Ferret anunciam o vôo livre da ex-cantora do grupo Delicatto. O poema, que será lido no show de lançamento da carreira solo da soprano Hilkelia traduz o momento vivido pela cantora. "O grupo passou por uma transformação, mas a essência permanece. As circunstâncias foram dando sinal de que era preciso mudar. O nosso trabalho é infinito", disse Hilkelia em entrevista ao VIVER. O show de lançamento acontece hoje, às 21 hs no Teatro Alberto Maranhão.
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Hilkelia cantará parte do repertório do extindo Delicatto e apresentará algumas canções inéditas
Não só a essência permanece, os músicos também. Pelo menos a maioria. "Fizemos duas substituições. Diego Paixão está no violoncelo e Igara Cabral no piano", diz Hilkelia. Segundo a cantora, na noite de hoje serão apresentadas músicas do "Essência do Tempo", último espetáculo do Delicatto, apresentado em janeiro do ano passado, além de canções inéditas. No repertório uma viagem por melodias emocionantes e grandes clássicos, Lascia Ch'io Pianga, Haendel, do filme Farinelli; Dust in the win, Kansas; All Souls Night de Loreena McKennitt e a releitura de Papa, can you hear me? Barbra Streisand do filme Yentl, Habanera da ópera Carmen de Bizet e Nessun Dorma da ópera Turandot. Ao todo serão 13 músicas apresentadas, totalizando uma hora de duração. "Fazemos também uma parada para a troca de figurino, mas isso é muito rápido", conta.
Figurinos à alturaO figurino do espetáculo, idealizado por Fátima Lira e Riccardo San Martini ajuda a compor o cenário, assinado por Tatiane Fernandes, que também é a produtora do espetáculo. Segundo Hilkelia o cenário é composto de uma estrutura metálica, que se assemelha aos vitrais usados nas igrejas para explorar a luz interna e externa do ambiente. "A iluminação, feita por Rogério Ferraz é muito importante no espetáculo. Ela dá profundidade a cena e às vezes me projeta para outro ambiente", conta a cantora, que lembra não fazer em palco nenhuma referência religiosa. Segundo ela, trata-se apenas de efeito estético.
A delicadeza, a emoção, marcas do Delicatto, continuarão acompanhando o seu trabalho. "Sempre escolhi a música que passasse algo de bom para mim. A gente até brinca, dizendo que se der um arrepio na gente, a música funciona no palco" diz. "O Delicatto sempre levou para o público algo que a gente primava por estar fazendo. Sempre fomos verdadeiros com o nosso trabalho", completa Hilkelia. A receita parece ter dado certo.
Em 2005 o grupo abriu uma temporada de três anos de sucesso, onde o espetáculo "Nella Fantasia" foi apresentado em vários palcos dentro e fora do Estado. Só em Natal foram 18, com uma média de 500 pessoas por apresentação. O grupo viajou a Campina Grande, Mossoró e João Pessoa. A produtora do grupo, Tatiane Fernandes, calcula que o espetáculo Nella Fantasia foi assistido por um público de aproximadamente 12 mil pessoas. Sucesso repetido no último espetáculo do Delicatto, que lotou o Teatro Alberto Maranhão nas duas noites em que o grupo se apresentou.
Mas nem todo o sucesso da cantora, sua desenvoltura e segurança garantem cem por cento de tranqüilidade. "É diferente e ao mesmo tempo não é. Sempre cantei no Delicatto, mas quando você coloca o seu nome num trabalho, ele ganha um peso diferente. Da minha parte há certa expectativa, ansiedade. Acredito que a receptividade será mantida. A ansiedade é por não saber o que vou sentir", revela.
Um canto diferenteHilkelia conta que seu sonho quando criança era tocar piano. Um sonho que ela diz não saber a razão de existir. Morando no subúrbio do Rio de Janeiro, não viu a possibilidade de realizá-lo. Quando seu pai, que era militar, transferiu-se para Natal, a cantora renovou a esperança e, ao lado de uma colega, chegou à Escola de Música da UFRN - EMUFRN em 1992.
Em 1993 Hilkelia conseguiu uma vaga na EMUFRN, teve aulas teóricas de música e apenas em 1995 começou a estudar piano. Em 2000 prestou vestibular e ingressou no bacharelado em piano naquela instituição. Mas sua história ganhou um rumo diferente ao cursar a disciplina "Canto Complementar" em 2002. "Até então eu tinha o canto como sendo algo técnico. Era uma formalidade apenas.
Hilkelia lembra que durante a apresentação ocorrida no fim da disciplina, o auditório da Escola de Música estava cheio. "Naquela noite estava todo mundo lá. Professores, alunos e o próprio diretor da escola. Eu cantei e as pessoas ao final da apresentação vieram me falar que era aquilo que eu precisava fazer: cantar". E foi o que ela fez. Trancou o curso de piano, prestou outro vestibular, desta vez para canto e seguiu carreira profissional com a nova formação. "O canto foi transformando a minha vida foi algo mágico. Hoje tudo o que eu faço é com a minha voz, que é meu instrumento de dedicação."
ServiçoLançamento da carreira solo de Hilkelia, hoje, no Teatro Alberto Maranhão. Vendas na Siciliano do Midway - 3222 4722 e no Teatro - 3222 3669 a R$ 20,00. Tel: 3344 4110