Sem receio de soar nostálgico, o bom e velho rock'n roll segue, em Natal, seu rumo de carona com representantes legítimos da onda que tomou conta da moçada nos anos 1950, 60 e 70. Bebendo na fonte do estilo que imortalizou os Beatles e catapultou a Jovem Guarda como fenômeno cultural, a banda Anos 60 comemora 25 anos de estrada com "Uma festa de arromba", evento que toma conta da AABB nesta sexta-feira, às 22h, e marca o lançamento do CD/DVD gravado ao vivo em novembro do ano passado. A noitada, que é 'uma brasa, mora!?', fecha programação com presença da banda Perfume de Gardênia.
Aldair DantasCom o tema Festa de Arromba, a veterana Banda Anos 60 comemora 25 anos de estrada e lança hoje, na AABB, Cd e DVD comemorativos
Para contar um pouco dessa trajetória, percorrida ao longo deste quarto de século em boa parte dos bares e clubes da cidade, o músico Reinaldo Azevedo, guitarrista, vocalista e um dos fundadores da banda Anos 60, conversou com a reportagem da TRIBUNA DO NORTE mas, antes de qualquer coisa, por detrás de seus óculos redondos a lá John Lennon e da vasta cabeleira, frisa com todas as letras: "Não somos uma banda cover, fazemos questão de imprimir nossa personalidade através dos arranjos, da forma de interpretar".
Apreciador de uma boa cerveja gelada, Azevedo contou que tudo começou - como não poderia deixar de ser - a ganhar forma em uma mesa de bar: "Estava com a rapaziada conversando sobre a vontade de fazer um show de MPB no Teatro Alberto Maranhão, mas quando nos reunimos para ensaiar surgiu a fatídica pergunta: qual vai ser nosso repertório? Até que trouxe minha coleção de discos de rock e blues. O tal show de MPB nunca vingou", diverte-se. Seus parceiros nessa época eram Mário Henrique, Ivanildo Carvalho, Levi e Jorge Luiz - Azevedo e Jorge são os únicos remanescentes da formação original.
"Começamos a tocar informalmente, até que a coisa foi ficando cada vez mais séria a partir, inclusive, da enorme receptividade do público. Tocamos muito no De repente... pastel, antiga lanchonete localizada no conjunto Alagamar, no Badaladeira, também em Ponta Negra, e no Café Nice, Alecrim. Mas considero nossa primeira apresentação formal, com direito a cachê e tudo, no clube da Aspetro (hoje CEPE)", disse. O grupo já dividiu palco com a dupla Leno e Lilian, e abriu shows para Wanderléa, The Fevers, Golden Boys e Renato e Seus Blue Caps.
Atualmente a banda Anos 60 é formada por Reinaldo e Jorge (teclado e vocal), mais Silvinha Benigno (voz), Elson Jetson (bateria), Serginho Araújo (baixo), Fernando Bituca (guitarra e violão), Alciona Gualberto (trompete), Flávio Davino (trombone) e Leonardo Tomé (saxofone) - "Todos bem acima dos vinte aninhos", brinca o band leader que acaba de completar 60 anos de vida. Interessante registrar que todos têm profissões paralelas: Jorge é engenheiro civil; Silvinha e Serginho professores; Elson ensina tênis de mesa e Fernando educação física. O maestro Alcione, Flávio e Leonardo são os únicos músicos em tempo integral: o primeiro dá aulas de música no município, enquanto os metaleiros atuam na Orquestra Sinfônica do RN.
Guitarras ativas
Afastado há dez anos da odontologia, "por opção, para dedicar mais tempo à música e as artes visuais", Reinaldo Azevedo conta que está na estrada como músico há 42 anos. "Toquei em praticamente todos os clubes da cidade, classes A B C e D, e fiz parte de várias formações como os Zíngaros e Os Brasas, e lembro que o maior perigo de se andar pelas ruas de Natal à noite era topar com um cachorro menos amistoso. Mas até hoje faço questão de circular à pé pelo Alecrim e pela Cidade Alta para rever as pessoas, os lugares e, claro, tomar umas", garante. "Natal tinha uma fartura de conjuntos musicais, e todos queriam ser o maioral. Mas não tinha essa mafiada que tem hoje, havia todo um glamour", afirma.
Outro grupo que marcou a carreira de Reinaldo foi o Bahrixoon, do qual Mário Henrique também fez parte: "Tocamos choro, samba e frevo, temos repertório próprio e estamos prestes a lançar o DVD 'Carnaval em mesa de bar', gravado no restaurante Veleiros. Depois dessa festa de arromba com a banda Anos 60 finalizo a edição com Jota Marciano (Studium Produções)", adianta.
Dono de uma coleção de guitarras, são quase 40 e já tem nova encomenda chegando dos Estados Unidos, o músico diz ter compulsão por elas: "Está chegando por aí uma Fender Stratocaster VG com 37 timbres, lançamento", orgulha-se. Também colecionador de fivelas de cinto, o artista contou que mantém em casa uma pequena oficina de lutheria para construir os próprios instrumentos. "O cavaquinho e o bandolin de 12 cordas que tenho foram fabricados por mim. Gosto de fuçar nas guitarras, experimentar", diz. Além da música, se aventura pelas artes visuais (é ilustrador, desenhista e trabalha com pirografia em couro) e aprecia carros antigos - sua figura pode ser facilmente identificada pilotando um antigo jipe do exército.
Os planos para o futuro inclui o lançamento, até o final do ano, de um livro contando a trajetória de Reinaldo e da banda Anos 60. Escrito por Juarez Chagas, o título promete histórias divertidas como da vez que Reinaldo foi com tocar som os Zíngaros em São Pedro do Potengi e, na saída do clube, foram atacados: "Fomos festejar a chegada da energia elétrica vinda de Paulo Afonso, isso em 1969, e ninguém sabia o que era um conjunto nem tinham visto cabeludos. Na saída do show, pularam em cima da gente puxando o cabelo pensando que fossem perucas. Hoje é engraçado, mas na época foi meio assustador", contou, ajeitando seu anel de caveira no dedo anelar direito.
Serviço:
"Uma festa de arromba", aniversário da banda Anos 60, hoje na AABB (Hermes da Fonseca, Tirol), às 22h. Lançamento do CD/DVD gravado ao vivo em novembro do ano passado.
Oi sou mais um fam da banda anos 60 e em especial de Fernando bituca que além de um pai p/mim é pai avó de minha filha Vitória, moro em Recife PE e acompanho as novidade da banda pela internet e pelos emails que me enviam, desejo tudo de bom a todos da anos 60.