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Natal, 12 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 01:56

Unidades permanecem com as escalas incompletas

Publicação: 15 de Dezembro de 2009 às 00:00
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Priscilla Castro - Repórter

Depois da decisão da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de não contratar os profissionais da Cooperativa Médica do Rio Grande do Norte (Coopmed), as unidades básicas de pronto-atendimento de Natal continuam com as escalas incompletas. Com exceção do Pronto-atendimento Infantil Sandra Celeste, o Hospital dos Pescadores e os postos de saúde de Cidade Satélite e Cidade da Esperança estão cheios de lacunas na escala de dezembro.

Emanuel AmaralPior situação é a do Hospital dos Pescadores que tem nove lacunasPior situação é a do Hospital dos Pescadores que tem nove lacunas
A situação mais crítica é no Hospital dos Pescadores, nas Rocas, que tem nove lacunas até o final do mês de dezembro. O Hospital é preparado para oferecer dois médicos por turno, mas na manhã de ontem apenas um profissional teve que dar conta dos quase 20 pacientes que esperavam atendimento.   O hospital realiza cerca de 250 atendimentos todos os dias e, segundo o diretor geral Josenildo Barbosa, a pediatria não diminuiu a demanda. "A pediatria já era deficiente aqui e, como a clínica geral sempre foi o carro chefe, a demanda está altíssima por causa das férias e do surto da gripe suína.

A dona de casa Maria Dalva Lima levou o esposo para se consultar e disse já estar preparada para esperar bastante tempo, porque já conhece a demora na unidade. "Eu moro em Felipe Camarão, mas tenho que vir para cá porque lá não tem atendimento e, quando eu venho, já sei que vou ficar para a janta porque todas as vezes eu fico esperando muito tempo", reclamou.

O diretor está confiante que conseguirá preencher as lacunas depois que os oito médicos prometidos pela SMS se apresentarem no hospital. "Até lá, estamos tentando cobrir as escalas com os plantões eventuais, mas apesar de o salário de R$600 para um plantão de 12 horas ser um atrativo para os médicos, muitos não têm disponibilidade e nós não conseguimos fechar 100%", disse. Hoje não haverá médico no hospital.

 Cidade Satélite

Na unidade de Cidade Satélite, seis turnos estão em branco para o mês de dezembro, dois deles no dia 31, quando não haverá médico nem de dia, nem de noite. As manhãs dos dias 16, 18, 22 e 24 também estão comprometidas. O posto dispõe atualmente de 15 médicos e precisa de outros quatro de 40 horas (ou oito de 20 horas) para suprir a demanda dos 150 atendimentos diários realizados na unidade.

"Hoje eu recebi mais um médico que se apresentou para o trabalho e já vai dar para suprir alguns dias vagos e temos cinco plantões eventuais, mas estamos esperando alguma resposta da Secretaria porque já mandamos as nossas necessidades", disse o administrador Arlindo Rodrigues. Segundo ele, duas médicas gestantes estão liberadas até o dia 17 de dezembro por causa do risco de contrair a nova gripe. "Vamos esperar para ver se a Secretaria vai liberá-las por mais tempo".

  A manhã de ontem foi um dos turnos sem médico para atender à população. A cozinheira Socorro Medeiros descansava na ala da urgência depois de ter recebido a notícia que não seria atendida. "Eu liguei para o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e eles me falaram que eu viesse para cá e quando eu chego aqui, eles me dizem que não tem médico. Estou descansando para pensar no que vou fazer", disse.

 Cidade da Esperança

 Em Cidade da Esperança, a unidade de pronto-atendimento realiza 200 atendimentos todos os dias, número que supera a capacidade dos atuais 11 médicos disponíveis. Segundo o diretor Eliázaro Damião, são necessários mais sete profissionais. "Nós já estamos com cinco médicos para plantões eventuais, mas só dois começaram porque os outros querem começar só em janeiro. O ruim é a disponibilidade do médico, porque muitos têm vínculos com outas prefeituras e não têm tempo para vir de dia", disse. Nos dias 18, 22 e 24, o posto não terá médicos.

A professora Rosimere da Silva disse já estar acostumada a ir ao posto, esperar horas pelo atendimento e sair com a resposta de que o médico não vai comparecer. "O atendimento varia de acordo com as circunstâncias, às vezes é bom, às vezes é ruim. Já houve três vezes em que eu vim e não tinha médico, eu voltei para casa passando mal porque não tinha condições de ir para outro posto de saúde. Isso quando eu não fico esperando e eles me dizem depois de muito tempo que não haverá médico", contou.

Alta demanda é problema no Sandra Celeste

No Pronto-atendimento Infantil Sandra Celeste, 27 pediatras são responsáveis pelos 300 atendimentos realizados diariamente. Segundo a diretora Telma Lúcia, não há deficiências na escala nem nos equipamentos da unidade, no entanto, a alta demanda de pacientes ainda configura um grande obstáculo para a celeridade do atendimento. "O nosso maior problema é que as unidades básicas não têm pediatra, então nós acabamos atendendo tudo. A urgência está lotada, mas o ambulatório também sempre está cheio. Deveria haver serviço pediátrico nos PSF (Programa de Saúde da Família) e nos ambulatórios", disse.

No entanto, segundo a diretora, a lotação se repete em todos os hospitais. "Todas as unidades de saúde estão assim, mesmo os hospitais particulares. O problema é que as pessoas querem ser atendidas de imediato".


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comentários

fmcp13@...15/12/2009 @ 08h17
Muitos médicos entram através de concurso e quando recebem o primeiro salário pedem demissão! O salário base de um médico de 20h é de 525,00 reais, parece até piada!!!!!
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