As vendas do comércio varejista do Rio Grande do Norte iniciaram o ano com crescimento de 7,1% sobre janeiro de 2009, mas em ritmo mais lento que nos demais estados nordestinos, apontou ontem a Pesquisa Mensal do Comércio, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o levantamento, o aumento do volume comercializado pelo setor foi, no RN, o mais baixo da região e apenas o 23º do país. No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de material de construção e veículos, a alta foi de 4,5% no período, contra 1,5% do ano anterior. Foi o segundo pior índice no mercado do Nordeste.
Júnior Santos
Reajuste do salário mínimo em janeiro ajudou a aquecer vendas
Para o economista e chefe do IBGE no Rio Grande do Norte, José Aldemir Freire, é normal o estado estar "atrasado" em relação aos outros por ter sentido um baque mais forte no mercado de trabalho. As demissões realizadas por diversos setores, como consequência principalmente da crise, pesaram sobre a atividade porque, se há menos gente recebendo salário, há também menos consumidores em circulação.
"Com a recuperação do mercado de trabalho estamos voltando a acelerar o setor. A volta é lenta, mas deve melhorar ao longo tempo", avalia Aldemir Freire. "Já vinhamos com a tendência de crescimento menor desde o ano passado. Mas, esse crescimento está, pouco a pouco, aumentando", reforça.
A pesquisa divulgada ontem mostra, de fato, que a recuperação tem sido gradativa. Em relação ao comércio varejista, que não considera as vendas de materiais de construção e veículos, o crescimento de 4,4% atingido em novembro de 2009 subiu para 7,3% em dezembro e se manteve praticamente no mesmo patamar em janeiro. O resultado no primeiro mês deste ano também foi melhor que o alcançado em janeiro de 2009, quando não passou de 4,7%.
Além da dinâmica do mercado de trabalho, o reajuste do salário mínimo de R$ 465 para R$ 510, a partir de janeiro, impactou a renda da população e ajudou a segurar o desempenho das vendas no período, observa o economista.
No caso do comércio varejista ampliado, o crescimento de janeiro de 2010 também superou o de 2009, ano em que ficou na casa do 1,5%. As vendas, nesse setor, têm sido estimuladas pelo Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para veículos e materiais de construção, medida anticrise adotada pelo governo, e pela oferta de promoções por parte das concessionárias. Para os veículos, o imposto volta ao normal a partir de abril, mas a indústria e os revendedores estimam que as vendas se sustentarão com o crescimento da economia.
OtimismoO presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do estado (Fecomercio RN), Marcelo Queiroz, também aposta no avanço das atividades ligadas ao setor, ao longo do ano. "Com as projeções de crescimento do PIB em torno de 5%, 6%, e os índices de confiança do consumidor aumentando só podemos prever crescimento". Ele avaliou os resultados da pesquisa como positivos. "Estamos saindo de um ano de incertezas, de apreensão. Então, um aumento de 7%, por exemplo, é considerado um grande aumento", analisa.