O cabo Jeoás Nascimento do Santos, presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Rio grande do Norte (ACS), segue foragido desde a segunda-feira (6), quando houve a notificação sobre o mandado de prisão expedido pela Justiça da Bahia. Após revelação de áudios em que membros do movimento grevista da PM da Bahia supostamente incitam o vandalismo no estado, o vice-presidente da ACS, soldado Roberto Campos, saiu em defesa do cabo Jeoás e levantou a hipótese de que as informações sobre o caso podem estar sofrendo manipulação.
O vice-presidente da ACS afirma que não tem contato com o cabo Jeoás desde que houve a notificação sobre o mandado de prisão. Soldado Roberto explicou que os advogados da Associação Nacional dos Praças (Anaspra) somente hoje (9) tiveram acesso ao teor completo da denúncia contra os 12 membros do movimento grevista com prisão decretada. "Só agora é que a nossa assessoria jurídica vai analisar o caso para tentar a revogação do mandado de prisão (contra Jeoás)", explicou o PM, voltando a afirmar que considera o mandado de prisão abusivo.
Depois de ouvir os áudios em que "cabeças" de associações de policiais militares e Corpo de Bombeiros supostamente tratam sobre atos de vandalismo, o vice-presidente da ACS levanta a possibilidade de que pode haver manipulação das informações por parte da mídia. "Não vejo, em momento nenhum, algo que explique o pedido de prisão contra o companheiro do Corpo de Bombeiros que falava com um parlamentar sobre a aprovação de um projeto que beneficia a categoria", disse.
Sobre o áudio em que o presidente da Associação dos Policiais e seus Familiares da Bahia (Aspra), ex-policial Marco Prisco, aparece tratando sobre uma possível queima de viaturas em rodovia da Bahia, o vice-presidente da ACS disse que foi surpreendido com o teor do áudio, mas voltou a ressaltar que não sabe em que momento foi gravado o áudio e que pode haver manipulação. Além disso, garantiu que cabo Jeoás durante a trajetória à frente de disputas em prol dos policiais militares não se envolveu em atos de vandalismo ou violência.
"O histórico do cabo Jeoás é de luta, mas nunca com baderna, muito menos com atos criminosos. Pelo mandado de prisão que chegou até nós, inicialmente, faltam elementos para a decretação da prisão", opinou o soldado.
PrisãoA Polícia Militar segue com a ordem de que cabo Jeoás Nascimento deve ser preso assim que for encontrado. De acordo com o comandante-geral da PM potiguar, cel. Francisco Canindé de Araújo Silva, a PM está cumprindo o que disse o mandado de prisão, que foi notificar o cabo sobre a prisão no local determinado e, como ele não foi encontrado, é considerado foragido.
Até o momento, a PM considera a ausência de Jeoás Nascimento como abandono de serviço e, caso chegue ao 8º dia, será considerado desertor, o que resultará em outra determinação de prisão, além do corte imediato do salário e processo administrativo.