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Carnaval - Antigos
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O Carnaval em Natal há cem anos

08/02/2009 - Tribuna do Norte



          No ano de 1909, o carnaval se deu no
mês de fevereiro, entre 21 e 23 – (Domingo e terça-feira). Saiu ás ruas, o
jornal ‘A Capital’, cujos redatores eram os jornalistas ‘Galdino Lima’,
‘Honório Carrilho’ e ‘Juvenal Antunes’, de 06 de fevereiro, com a chamada - “Carnaval! Carnaval” – anunciando os
confetes e lanças perfume que estavam à venda na loja do comerciante Manoel
Machado, do bairro da Ribeira. No citado jornal de 18 de fevereiro em sua
primeira página, era destaque na coluna – “Carnaval”,
os famosos Clubes carnavalescos de rua: ‘Divisão Branca’ e o ‘Zé Pereira’. No
dia 19 no mesmo veículo informativo a loja “Primor”, avisava ao folião
natalense que suas máscaras, lantejoulas, confetes, serpentinas e lanças
perfume, trazidos pelo vapor “Manaos”,
já estavam à disposição dos carnavalescos.



O
Clube da ‘Divisão Branca’ publicou o seu roteiro nas ruas, ainda não chamado de
desfile, e sim de ‘Préstito’, no seu jornal – ‘O Torpedo’, de 22 de fevereiro, com o seguinte itinerário: - “Hoje, as 6 e meia hora da tarde, sahirá o
numeroso préstito, da Avenida Sachet. Dali passará pelas seguintes: Praça
Augusto Severo, Rua Coronel Bonifácio, Praça da Divisão, rua Frei Miguelinho,
rua Formosa, rua do Triunpho. De volta: rua Frei Miguelinho, Praça da Divisão,
rua Dr. Barata, Praça Augusto Severo, Avenida Junqueira Ayres (atual Câmara
Cascudo), rua da Conceição, Praça João Maria, rua Pedro Soares e Avenida Rio
Branco. Dali voltará ao ponto de partida”
. O aguerrido ‘Barôncio Guerra’
(1880/1944), o ‘Cruzador São Paulo’, foi seu presidente por muitos anos. Cores:
O vermelho e o branco eram as cores da Divisão e seus componentes saíam
garbosamente vestidos em fantasia montados em cavalos pelas ruas de Natal,
recebendo no percurso, confetes e serpentinas, jogados pelos carnavalescos e
admiradores. A sua sede social ficava em frente ao hotel Internacional, no
bairro da Ribeira, Rua Chile com a Tavares de Lira. O escritor Cláudio Galvão
relacionou em mais de trinta páginas, a história da referida ‘Sociedade’, como
também de seu jornal – ‘O Torpedo’, na sua obra – ‘Gracioso Ramalhete’, 1993.



                     Já o Jornal ‘A República’, em 24 de fevereiro
(quarta-feira de cinzas), comenta que este ano tivemos um carnaval sem nenhum
transtorno ou violência de espécie alguma. Os ditos ‘sujos’ fantasiados, como
nos anos anteriores saíram às ruas sem muito alvoroço e a chamada ‘elite’
compareceram tradicionalmente aos clubes fechados, com suas fantasias e
máscaras compradas nas melhores lojas do ramo. Segundo o ainda citado jornal,
os ‘mascarados’ despertando no povo “risos” e nas crianças “sustos”. Os bondes
nos trilhos, carregados de passageiros em busca dos festejos na parte alta da
cidade. Balanço: O movimento das ruas foi tão grande, que até os repórteres da
‘A República’ reclamaram de tanta gente foliã - “Não precisamos dizer o quanto se tornou difícil nessas ocasiões o
serviço de reportagem...”.
A Rua Vigário Bartolomeu foi o centro das
atrações populares “graças aos esforços
do Senhor Quincó”.
A casa do Major Theophilo Câmara foi transformada “numa formidável fortaleza” dos carnavalescos
natalense. Houve animada “Batalha” nas imediações da “Potigüarânia”. Os três
dias do reinado de Momo foram animados pela banda de música do ‘Segundo
Batalhão de Infantaria’. No Bairro da
Ribeira:
A Avenida Tavares de Lira, também foi decorada. Muitas festas
nas Ruas Senador Bonifácio, Frei Miguelinho e Senador Ferreira Chaves. Além da
tradicional batalha de confetes. Entre as agremiações carnavalescas de rua que se
destacaram estavam as: ‘Vassourinhas’, ‘Club dos Espanadores’ - que tinha a
liderança do carnavalesco Ezequiel Manoel da Cruz, ‘Divisão Branca’, ‘Imprensa
Potiguar’ e ‘Cabocolinhos’. Sucesso: O que causou elogios foi o desfile nas
ruas da jovem criança Zuleide Barreto, filha do Capitão Doutor Maximiano
Barreto, que percorreu o centro numa tarde, fantasiada luxuosamente em carro
alegórico homenageando o jornal ‘A
República’
.



As
compras das novidades referentes ao carnaval, como confetes, laranjinhas
coloridas, bisnagas, relógios dágua e fantasias eram feitas em ‘seu’ Quincó, na
Rua 13 de Maio (atual Princesa Isabel, Cidade Alta). O 1º Delegado de Polícia,
era o Major Joaquim Soares, que autorizou os festejos públicos da cidade e
gostou de sua tranqüilidade momesca, entre o sábado de Zé Pereira e a terça
feira gorda de carnaval.



Balanço: E
segundo o referido jornal (sexta-feira, 26 de fevereiro), informa ter ocorrido
um bom carnaval na Rua Vigário Bartolomeu, centro da Cidade Alta e nas ruas
José Bonifácio, Frei Miguelinho e Triunfo, no bairro da Ribeira. As agremiações
mais citadas pela imprensa de 1909, foram as: ‘Divisão Branca’, ‘Zé Pereira’,
‘Vassourinhas’ e ‘Espanadores’. Os ‘divisionistas’, como eram chamados, os integrantes
do Clube de rua ‘Divisão’, saíram às ruas com 5 carros alegóricos, que
representaram as temáticas - “Rio
Potengi”
, “Rio Grande do Norte”, “Greve da Great Western”, “Victória” - com os sócios fantasiados e
o 5° carro representando o ‘corso’ – uma crítica a “Desordem e ao regresso”. E como se pode ver, o carnaval de 1909 foi
um espetáculo de alegria momesca e principalmente de rebeldia crítica.






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