Um conflito de desejo que se desenrola ao sabor das ondas é o mote de “A mar aberto”, escrito e dirigido por Henrique Fontes, e produzido em conjunto com o coletivo ‘Atores à Deriva’, que volta em mini-temporada sábado e domingo, às 20h, na Casa da Ribeira. A peça estreou há quase um ano, e caiu na estrada, passando pela Mostra Pernambuco Nação Cultural, Festival de Garanhuns e Festival do Crato e Juazeiro do Norte.
O espetáculo conta a história de um pescador e velejador veterano, o capitão José Hermílio. Um homem sábio que há mais de 30 anos tira do mar o sustento e a própria razão de existir. Todos os dias, ele e seus companheiros de barcaça, tentam a sorte contra a correnteza e possíveis tormentas. Mas, em um dia desses, seu Hermílio se encontrou, em plana pescaria, traído pelo coração.
O velho lobo do mar acha que foram as artimanhas do “demo” que trouxeram até ele o sobrinho de Rita, Júlio de Joana, que aos 19 anos abandonou a faculdade para ser pescador. O dia dessa pescaria e de resistência contra esse desejo “vestido de maldade e com feições tão bonitas...”, e a luta contra a tormenta interna e externa caracterizam o conflito central dessa história. O desenrolar da peça traz à tona conflitos entre preconceito, rudeza, paixão, desejo, religiosidade e culpa.
“A mar aberto” guarda inspiração nítida, em alguns aspectos, no clássico da literatura “Grande Sertão: Veredas”, de João Guimarães Rosa. Segundo o ator Doc Câmara, que vive Hermílio, o tema conseguiu cativar o público. “As pessoas ficam impressionadas como um tema delicado como o desejo possa ser visto de forma abrangente, sem preconceitos ou visões moralistas”, disse. O Atores à Deriva é formado por Alex Cordeiro, Doc Câmara, Bruno Coringa, Paulo Lima, Henrique Fontes e João Victor.
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