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Memórias em forma de livros

DivulgaçãoLANÇAMENTOS - João Wilson viveu muitos dos acontecimentos narrados no livro
06/02/2009 - Tribuna do Norte

Michelle Ferret - Repórter

Quando criança, Sérgio Aguiar ia dormir todos os dias com o tilintar das teclas da máquina de escrever de seu pai. Seu sonho era um dia poder ler tudo o que ele escrevia. Hoje, ao observar o livro “Cidade em Black–out” sendo reeditado pela coleção Fundação Parnamirim seus olhos se enchem de lágrimas. Ele folheia a obra e observa o quando é importante as crônicas de de seu pai para a memória da cidade.

A coleção não só estará relançando hoje a obra do jornalista José Nazareno Moreira Aguiar, citada acima, como também “A Cidade e o Trampolim” de João Wilson Mendes Melo. Os dois livros são tocantes neste tema, a memória. E envolvem em seus textos a realidade de uma época que foi fundamental para a construção social de Natal e Parnamirim, a Segunda Guerra Mundial.

Em “A Cidade em Black-out”, José Nazareno traz um olhar poético diante dos dias e noites da cidade. A primeira crônica chamada “Antes, era assim...” narra suas sensações ao percorrer com os olhos o céu que lhe enchiam de esperança. E brincava com o nome da cidade sem esquecer do rio Potengi “sussurrante, morros verdejantes, clima ameno, água saudável, quase miraculosa. Quem a bebe uma vez apaixona-se pela cidade”, contando um dia de fevereiro de 1959. Além da leveza, o jornalista descreveu também suas sensações diante os dias de tensão quando o rádio anunciou o estado de guerra entre o Brasil e as potências do “eixo” (Alemanha, Itália e Japão. E ele é enfático: “Natal tornou-se uma cidade vulnerável aos ataques inimigos”.

As crônicas seguem anunciando desventuras, dores e alegrias, apontando também para os desajustados sociais que multiplicaram-se com a guerra. “Lares foram desfeitos e família inteiras sofreram o impacto mundial”.

A obra é um olhar humano diante de dias cruéis e dolorosos, sem perder a poesia da vida. Sobre a obra o editor Carlos Peixoto, responsávelpela coordenação editorial dos lançamentos, escreveu: “As histórias das cidades têm uma particularidade que as  distingue: elas não tem fim. Estão sempre em construção e se desdobrando em  versões diferentes. Misturam-se a outros relatos: da região, do país, do mundo... E às vidas de cada um de seus habitantes. Isso é verdade não apenas em relação ao futuro, mas também ao passado. As cidades se reinventam a si mesmas e as suas histórias”. São essas reinvenções que escorrem nas crônicas e recebem do filho Sérgio Aguiar um comentário a mais.  “A importância da reedição das obras vai muito além do que parece. Além do olhar lançado ao passado e a transformação da cidade, o livro é a prova de que lembraram do meu pai.  O livro traz a situação de Natal no meio de uma guerra.  Tem escritos pitorescos no livro de como a presença dos americanos mudou o comportamento dos natalenses. Ele resgatou as impressões sobre os americanos aqui em Natal acendendo a memória dos jovens”, finalizou Sérgio Aguiar lembrando que ainda sente a presença do pai, mesmo tendo falecido em 1995. 


A Cidade e o Trampolim de João

Com escritura diferente de José Nazareno, mas próxima por serem crônicas e impressões de um tempo, a obra “A Cidade e o Trampolim” de João Wilson Mendes Melo é o registro de fatos cotidianos narrados em estilo literário nobre. Como escreveu Carlos Peixoto, “Dr. João Wilson foi não apenas testemunha ocular, mas também partícipe de muitos dos episódios e fatos cotidianos que, narrados no estilo literário fluente e exato que lhe é próprio, se transformam em informações preciosas, vívidas e indispensáveis para todos que queriam saciar a curiosidade daqueles tempos heróicos”. Sua primeira crônica homônima do livro começa dizendo que na última guerra, Natal jogou seu nome além-mar. “Foi caminho decisivo para a vitória da Democracia. Trampolim de suas forças contra o ódio nazista”. Entre os capítulos divididos em “evocação”, “Antes da guerra, a alegria”, “Os romances confidenciados”, “Aconteceu no país e na cidade”, “As mudanças e a nossa contribuição maior”, “Dramas menores nas cercanias da capital” e por fim “A cidade no tempo presente”, o escritor brinca com a ordem cronológico levando o leitor a “viver” cada segundo do passado, numa análise crítica em relação a tudo. “As histórias que o Dr. João Wilson conta -mesmo que tenham como pano de fundo o cenário natalense – são elas também histórias do nosso povo, da nossa gente, da nossa memória, das nossas origens”, escreveu o editor das obras.


Serviço
Hoje, às 18h. Lançamento dos livros “Cidade em Black-Out”, de José Nazareno Moreira de Aguiar e “A Cidade e o Trampolim”, de João Wilson Mendes Melo. No Planetário localizado no Parque Aluízio Alves, no bairro da Cohabinal em Parnamirim.



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