ESTILO - Roupas e corte de cabelo diferentes. Sensibilidade sempre à flor da pele e ser triste virou modaCabelo curto, geralmente preto, ou de cores como roxo e rosa. Franjas que cobrem metade do rosto ou apenas um dos olhos. Roupas de tons escuros contrastando com cores alegres e vivas. Acessórios extravagantes e com motivos infantis. Camisetas justas, calças caídas e maquiagem nos olhos.
Tem entre 11 e 18 anos, em sua maioria. Gostam de ouvir um estilo de música chamado emocore, ou emotional hardcore, que mistura a batida do hardcore com letras românticas, e é daí que tiraram o nome da tribo: Emos. Você já deve tê-los visto nas ruas, nos shoppings, em vários lugares. Eles estão na moda.
Mas o que distingue os emos não é só a música ou o modo de se vestir, e sim as atitudes. Eles são expansivos, não escondem os sentimentos, expressam abertamente suas emoções e não se importam de trocar carinho em público.
Se por um lado eles não escondem os sentimentos, por outro, é difícil encontrar um emo que se assuma como tal.“Eu não sou emo. Eu gosto do estilo deles, de algumas músicas, mas não sou emo porque eles não ligam para o que as pessoas pensam e eu me importo com o que vão falar de mim”, diz a estudante M. R. (15), que se veste como Emo, ouve as músicas de Emo, mas, jura de pé junto que não faz parte da tribo.
M. não é a única, aliás negar que é emo, é um dos pré-requisitos básicos para fazer parte da tribo. “Emo que é emo, não diz que é”, explica o estudante P. R.
O motivo? O preconceito da sociedade, que não aceita esse comportamento liberal. E não são só os adultos ou os mais caretas, os próprios adolescentes criam uma barreira contra os emos. Os meninos são os que mais sofrem com os comentários maldosos.
Muitos são taxados como gays por terem relacionamento com outros garotos e por serem sensíveis e compreenderem as meninas. São até capazes de chorar por causa de uma decepção amorosa. Para alguns, ser emo é até um insulto.
“Deus me livre, não sou emo. Eles têm umas coisas de se abraçarem, se beijarem que eu não curto. Até ando com eles, mas não sou emo”, explica S. M. (18).
Para se ter uma ideia da hostilidade, basta olhar o site de relacionamentos Orkut, por exemplo. Há dezenas de comunidades, com milhares de membros, cujos nomes até variam um pouco, mas a ideia é sempre a mesma: ‘Ainda jogo uma bomba num show emo’, ‘Emo, nem morto’, ‘Chora emo’, ‘Mate um emo e seja feliz’, ‘Hitler era emo’, ‘Será que existe emo macho?’, entre outras.
O rótulo “emo” é uma das coisas que mais incomoda os adolescentes. Dentro desse universo, grande parte não se define como um legítimo emo. Tem quem goste da música, mas não do visual. Há quem goste do visual, mas não da música. E há quem goste dos dois. Como é o caso do estudante P. H. (14).
“Não tenho vergonha de assumir. Sou emo, me identifico com a ideologia, com as músicas e principalmente com o estilo. Gosto de misturar várias peças e montar meu visual. Sem me importar com o que pensam ou acham de mim”, diz P., um dos poucos adolescentes que assumiram fazer parte da tribo.
Além dele, só o adolescente R. A., assumiu, mas depois de muita conversa passou a fazer parte da tribo. “Eu sou da tribo screamo, é muito parecida com a dos emos, mas não é”, disse o adolescente.
Mas e qual é a diferença? “Os ‘scremos’ gostam de uma música mais pesada, mais metal e menos melancólica. Vamos dizer que seja uma variação dos emos. Tá bom, eu sou um emo”, assume o estudante.
Especialista defende o diálogo
Mesmo com todas as peculiaridades, os emos apresentam características semelhantes a todos os adolescentes: andar em grupo e quererem ser reconhecidos pela turma e pela sociedade. “Cada época tem sua forma particular de associar as pessoas, já foram os hippies, os punks e hoje são os emos. Esse comportamento é típico da adolescência, quando os jovens procuram uma forma de dizer algo, mas como a maior parte da sociedade não sabe o que é, surgem os rótulos”, explica o diretor do curso de psicologia da UNP, Jader Leite. Mas há motivo para os pais se preocuparem se têm filhos emos? Especialistas dizem que não. “Os pais precisam entender esse momento dos filhos. Não há necessidade de romper os laços familiares. Uma forma interessante de lidar com isso, é acolher essa experiência pela qual o filho está passando e dialogar. O diálogo vai ajudar os pais a entender os filhos”, diz Jader Leite.
Uma das principais características dessa tribo é demonstrar uma aparente tristeza, melancolia. “Eles apenas demonstram estar tristes, mas na realidade não estão. Assim como as roupas e as músicas essa é uma característica que compõe o emo”, conta o psicólogo.
Ele faz uma alerta. É normal que os adolescentes queiram se afirmar, se encontrar, mas os pais devem ficar atentos para que seus filhos não sejam escravos das tribos. “É o que chamamos de tirania da identidade, quando existe uma cobrança, um desejo excessivo de pertencer à determinada tribo. Isso sim é um sinal de alerta”, diz Jader Leite.
Movimento surgiu em Washington
O nome EMO é uma abreviação da expressão em inglês emotional hardcore, proveniente do punk e que mistura som pesado com letras introspectivas e românticas. O gênero emocore nasceu em Washington, na década de 80.
Diferente do punk e do hardcore tradicional, que apresentam letras com conteúdo político e antissocial, o emocore tem a mesma batida, mas as músicas são “melódicas e depressivas”.
As bandas mais famosas são Simple Plan, Emo, Dance of Days e no Brasil, NXZero, Fresno. Suas letras fazem referência à solidão, ao amor e ao abandono. Uma das músicas mais mais ouvidas é A carta, do grupo brasileiro Fresno. A letra diz: “Se minha vida acabar assim, / tu não vais sentir falta de mim/ Mas por que você sentiria? / Você nunca agiu assim.”
Internet
Apesar de colaborar para fortalecer o preconceito com essa tribo, a internet se tornou a mídia que proporciona a disseminação da cultura emo. É na grande rede onde circulam as músicas, a moda, o bate-papo, o ponto de encontro dessa turma e onde há troca de informações das pessoas que optaram por esse estilo de vida.
Na internet, os emos são identificados através das fotos tristes, geralmente monocromáticas e românticas, tiradas de cima para baixo. Exibem olhares baixos ou rostos sem expressão alguma.
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